Natal dos deprimidos

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Há um mundo desconhecido lá fora. Esconde-se atrás dos sons da música, do colorido das decorações, dos anúncios nas frentes das lojas… Esconde-se atrás da publicidade, das conversas animadas, dos risos altos… Esse mundo não é visto nos balcões, nas mesas dos restaurantes, nem no caixa do supermercado. Mas está lá. Perto de todos. Porém, falta tempo e disposição pra notar.

O Natal festivo não é festivo pra todos. Não apenas porque morreu alguém,  perdeu o emprego, ou a esposa foi embora. Simplesmente não há clima pra festa. Não há razão pra jingle bell.

Não é falta de religião, de fé… Apenas é assim: uma vida sem encanto por um momento que parece não fazer sentido.

Algumas milhares de pessoas sorriem, participam das comemorações, mas sofrem por dentro. Compram coisas, mas não o prazer de viver. O Natal pra elas não existe. Quer dizer, existe sim. Porém, não como expressão de felicidade. Existe como um tempo que precisa passar logo… Um mês no calendário que deprime, incomoda, faz sofrer, traz lembranças ruins.

Dezembro não é um mês legal pra muita gente. Tem gente que lembra do que não fez, recorda os dramas do ano, as promessas não cumpridas, os projetos não realizados… As perdas, separações, amigos que se foram… Sente falta da família. Ou de um amor de verdade.

As pessoas estão mais sensíveis. Nem todas, porém, por sentirem-se abraçadas, desejadas ou queridas. Atrás do Natal que embala o comércio, movimenta a indústria e enche o caixa das empresas, há o Natal dos deprimidos. Para estes, fevereiro é bem vindo… Quando as festas acabarem e o ano finalmente começar.

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