Nobres são aqueles que reconhecem que nada são

O conhecimento não deveria nos separar, mas sim aproximar-nos
O conhecimento não deveria nos separar, mas sim aproximar-nos

Não sou muito otimista quando penso no ser humano. Não, não estou dizendo que não há espaço para pessoas boas, de coração verdadeiro. Também não me coloco numa posição superior. De jeito nenhum. Pelo contrário, provavelmente me enquadro em muitas das críticas que faço ao “bicho homem”.

Uma das coisas que me incomodam é a necessidade de ser mais… De buscar os aplausos, o respeito (ainda que pelo status ou posição social).

Sabe, a necessidade de nos sentirmos alguém, por vezes, nos faz pequenos demais. Atropelamos os outros. E os “atropelados” também encontram suas vítimas. Quase ninguém é inocente.

Tenho visto em diferentes ambientes que o homem sempre que pode aproveita-se na posição em que está para se dizer diferente, colocar-se superior. Até mesmo supostos atos de humildade são utilizados para orgulhar-se de pedir desculpas a um subordinado, por exemplo.

Alguns, detentores de certos conhecimentos ou títulos, entendem ser donos da verdade. Transformam hipóteses em pressupostos inquestionáveis. Não permitem a dúvida. Mesmo quando questionam teorias, fazem isso como se fosse ignorância acreditar em alguns valores. Desprezam o senso comum. Outras vezes se promovem diante dos pares por supostamente dominarem as teses mais modernas, contemporâneas… O conhecimento atualizado. E fazem disso degraus para subirem acima dos demais.

O sorrisinho no canto da boca se revela diante da multidão. E ele expressa uma só coisa:

– Como são ignorantes.

Eu não tenho medo do conhecimento. Mas temo as pessoas que pensam detê-lo. Porque o mesmo conhecimento que liberta, por vezes aprisiona. Aprisiona aqueles que não são sábios. E que transformam o conhecimento em ferramenta para se sentirem nobres.

Em um de seus livros, Augusto Cury escreveu:

O que define a nobreza de um ser humano é a sua capacidade de enxergar sua pequenez.

Esse parece, no entanto, ser um desafio histórico. Na Idade Média, nobres eram aqueles que detinham títulos, terras, trabalhadores sob seu poder. Eram aqueles que diziam ter “sangue azul”. As regalias pareciam um privilégio dado pelo próprio Deus. E, como nobres, não enxergavam ser iguais aos pobres camponeses.

Hoje, não é diferente. Não há títulos de duque, conde, marquês, barão… príncipe. Mas há o dinheiro, o poder econômico e tudo o que ele representa – carros, casas, iates, aviões, empresas etc. Há também outras formas de títulos expressas por meio de graduações em faculdades famosas… Há mestrados, doutorados, publicações em livros, jornais.

E um monte de gente se apega a essas criações do próprio homem para se sentir maior e melhor. São pobres coitados, na verdade. São miseráveis enclausurados pela própria insegurança que se esconde em posições vazias, mas ainda valorizadas por uma sociedade doente. 

Para estes, e para todos nós, resta lembrar de uma única coisa:

A sabedoria do ser humano não está no quanto ele sabe, mas no quanto ele tem consciência de que não sabe (Augusto Cury).

Nada sabemos, nada somos. Nos tornamos alguma coisa apenas quando servimos ao outro, quando reconhecemos nossa pobreza, ignorância e fazemos da gentileza, da humildade, do afeto e do amor nossos diferenciais de vida. 

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