Prisioneiros de si mesmos

triste sozinha

Cheguei há pouco de uma corrida na chuva. Caminhar, correr são coisas que gosto. Mas, na chuva, não diria que seja algo que faço rotineiramente. Entretanto, com a academia fechada nas férias, não dá pra descuidar. Então, por volta das 20h, coloquei short, camiseta, tênis e saí pro parque. Confesso que, apesar da água escorrendo no rosto e molhando toda a roupa, a sensação é agradável – sem contar que não há riscos de trombar com ninguém. Porém, sair de casa foi uma “briga”.

Enquanto corria, pensava… O que somos? Somos uma mente em movimento. Claro, tem corpo, alma… essas coisas todas – dependendo, claro, da posição religiosa de cada um. Mas tudo passa pela nossa mente. Ou, como prefiro, nossa consciência (pra quem gosta de teorias, falo de consciência na perspectiva de um autor russo chamado Bakhtin).

Por que falo da consciência? Dessa mente em movimento? Por uma razão bem simples: quando decidi correr na chuva, fiz isso por uma escolha. Uma escolha que nasceu e se realizou na minha mente. De verdade, a ideia não parecia a mais divertida. E acho que a maioria das pessoas pensa a mesma coisa. Afinal, não havia mais ninguém no parque. Camisa molhada, tênis molhada… Um friozinho… Nada parecia empolgante. Por que relutava ir? Qual o prejuízo? Apenas o desconforto do corpo. Minha mente não seria molhada. Apenas o corpo. Se minha mente ignorasse a chuva, achasse normal a gotas d´água caindo sobre a cabeça, não teria problema algum. Tudo passaria – e passou – pela maneira como eu encararia o cenário.

Sabe, de certa forma é bem isso: o corpo é apenas a “casa” de nossa mente. Nossa consciência é que comanda tudo. Não raras vezes, travamos diante da vida não porque não somos capazes, mas porque acreditamos ser incapazes. 

Este é um drama diário. Nosso corpo é motivado por desejos. Mas quem comando o corpo? Deveria ser nossa mente. Nem sempre é. Mas deveria. Não raras vezes nos tornamos reféns do corpo, dos desejos. Ou da ausência deles. E a mente fica presa a um corpo cheio de vícios. O sujeito sabe o que fazer, mas não consegue fazer. Onde está o problema? Na ausência de comando. A mente (a consciência) não consegue fazer o corpo responder. As atitudes não respondem à razão, apenas aos desejos.

Diante de um banquete, a pessoa perde o controle. Sabe que não pode exagerar, mas come mais do que deve. A pessoa está acima do peso, sabe da importância de exercitar-se, mas fica adiando. Nunca começa.

E o que dizer dos bloqueios emocionais? O sujeito está numa entrevista de emprego, sabe o que deve fazer, mas não consegue. Mal dá conta de abrir a boca. Depois sai dali lamentando-se e se achando a pior pessoa do mundo. O camarada conhece uma garota maravilhosa. Porém, não consegue sequer convidá-la pra jantar. Tem medo de ouvir um “não”.

Outras tantas pessoas olham pra si mesmas de maneira negativa. Olham para o espelho e se enxergam desprovidas de beleza, incapazes, derrotadas. O problema é físico? Não, não é. O corpo apenas sofre as consequências de uma mente. A sua consciência está deformada e o cérebro não comanda. Nada dá certo. E o problema está lá dentro… Na maneira como a própria pessoa se vê.

Tem saída? Sempre tem. Entretanto, é preciso acreditar em si mesmo. Transformar a mente em comandante do corpo. Uma consciência doente vai matando o corpo aos poucos… aniquilando os desejos, roubando a vida. Uma mente passiva, que se deixa dominar pelos desejos também causa dor, pois agride a razão. Nessa guerra, são vencedores aqueles que valorizam os desejos, mas sabem controlá-los por meio de sua consciência. São vencedores aqueles que conhecem a si mesmos, dominam as próprias vontades, superam as crises de auto-imagem e entendem que somos aquilo que pensamos ser.

Como disse certa vez o escritor alemão Goethe:

Não basta saber, é também preciso aplicar; não basta querer, é preciso também agir.

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