Eu faço o que quero?

liberdade
Você faz? Tudo, tudinho? Aquilo que dá vontade de fazer… você faz? Sente-se livre pra fazer? Ou faz escondido? Tem que pensar duas vezes? Tem que prestar contas depois?

O conceito de liberdade é muito amplo. Ao mesmo tempo, contraditório. Somos livres, mas não totalmente. Há regras, convenções. Nem tudo que queremos, fazemos (ninguém anda nu pelas ruas, ainda que tenha muita vontade de fazer isso). E outras vezes, para fazer, é preciso dar um “jeitinho”.

Viver em sociedade é abrir mão de ser você. As regras sociais afetam nossas escolhas. A gente pode não gostar, mas elas são fundamentais. Do contrário, teríamos um verdadeiro caos. Para que as coisas funcionem nem tudo é possível experimentar. Ou, se há vontade, vive-se, mas… às escondidas.

O sujeito sente vontade de tirar o dia de folga. Não pode. Porém, inventa um desculpa e garante as horas de lazer. Contudo, o coração fica a mil, porque sabe que burlou as regras. Se for visto, está enrolado. Pode até perder o emprego.

A garota está louca para sair sábado à noite com as amigas. Mas, se falar pra mãe, não terá autorização. Então, diz que vai dormir na casa de uma delas, cria um álibi, e faz o que estava com vontade. No entanto, proíbe todo mundo de postar fotos no Facebook. Se a mãe encontrar a foto, acaba a farsa.

Em ambas situações, os desejos foram realizados. Talvez até com certo prazer. Teve aquela adrenalina, o coração palpitando… E isso dá uma sensação gostosa. Porém, permanece o sentimento de “não podia”. Atropelam-se as regras, mas fica o medo da descoberta. O prazer é pela metade, pois sempre há o risco de a “conta” ser cobrada.

Por falar em medo, o medo de ser visto, descoberto… é o principal sintoma de que ninguém é plenamente livre. Vive-se por um sistema. Quem viola o sistema, é marginalizado. É excluído do grupo. E a gente não quer isso. Então, nem que seja necessário viver de aparências, faz-se o que for preciso para permanecer no círculo social.

Por isso, de alguma maneira, somos hipócritas – uns mais, outros menos, mas todos são. Escondemos os desejos, silenciamos ou os realizamos às escondidas. E, pior, também cobramos do outro os mesmos comportamentos. Afinal, quando chegamos por aqui, disseram pra nós que há um jeito de viver. É preciso encaixar-se.

Isso vai mudar? Óbvio que não. Talvez nem seja interessante que mude. Porém, a humanidade seguirá vivendo entre dois mundos – o que é passível de mostrar e o que carece esconder. E a frustração pelos desejos não realizados, parte da natureza do próprio homem.

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2 comentários em “Eu faço o que quero?

  1. Concordo plenamente que temos muitos desejos que não dar pra realizar sem causar um transtorno em nossas vidas ou na vida de alguém , seria muito bom fazer o que nos desse vontade sem ter que enfrentar consequências depois .mas sabemos que infelizmente não é assim.

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