Como incentivar a leitura?

livroTodas as vezes que vejo alguma notícia sobre livros, leitura, leitores… fico inquieto. A primeira coisa que vem à cabeça é: preciso ler mais. A segunda é: como fazer as pessoas entenderem que ler faz bem?

Sinceramente, sinto-me impotente diante do quadro. Sou professor no ensino superior, adoro meus alunos, falo de leitura e livros com frequência. Mas não identifico entre eles 10% de leitores. E leitor, pra mim, não é o sujeito que lê por obrigação. Nem aquele que lê o livro da moda, porque todo mundo está lendo. Leitor é quem tem o hábito da leitura – sempre tem um livro nas mãos. Pode até não ler muitas obras por ano, mas não deixa de ler.

Mas… voltando.

O que fazer para as pessoas lerem? Cá com meus botões, estou convencido que discursos não formam leitores. Quer dizer, uma minoria se sensibiliza e se convence por meio de palavras. A maioria, não. Campanhas de conscientização, papo de professor, argumento dos pais, nada disso é suficiente. São pessoas que não sentem necessidade de ler. E sempre justificam que ler cansa.

O diretor de uma escola na Pensilvânia fez uma promessa aos seus alunos. Garantiu que dormiria no telhado se a molecadinha, que faz parte da equipe de beisebol, lesse 2 mil livros até abril. Acho que esse educador realmente quer incentivar a leitura. Mas… será que vai funcionar? Bom, a “aposta” ocorreu numa instituição de ensino dos Estados Unidos. Talvez o diretor acabe mesmo indo parar no telhado.

Porém, se fosse aqui?

Não sei. Talvez a moçada até aceitasse o desafio só pra ver o diretor dormir no telhado. Mas se tornariam leitores?

Ler, hoje, é tarefa difícil. A concorrência é mais divertida. Televisão, internet, jogos etc agradam mais. Não cansam. Mexem com as emoções. Divertem na hora. Ler não parece dar resultado, principalmente boa literatura. Nem tem gosto de diversão. Também não parece ter função prática.

– Estou lendo isso pra quê mesmo?

Talvez esteja errado. Entretanto, não acredito que um dia teremos uma geração – ou gerações – de leitores. Entendo que teremos alguns “gatos pingados” – gente que até curte as novas tecnologias, mas ainda prefere a chatice dos livros. Esses serão, provavelmente, filhos de leitores. Ou crianças e adolescentes que foram tocados por professores apaixonados por livros. 

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E a verdade libertará

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Quando José de Abreu revelou ser bissexual (li isso na Folha de São Paulo), não estranhei a notícia. Na verdade, cá com meus botões, isso pouco importa. Está mesmo na moda ser bi. E, como diz uma amiga sexóloga, ser hetero, homo ou bissexual é uma questão de desejo, não de caráter. Nem é doença.

Então, não estou interessado em discutir essa questão. Na verdade, sonho com o dia em que essas coisas deixarão de ser notícia. Serão apenas de foro íntimo de cada um.

Entretanto, o assunto acabou me fazendo refletir. Fiquei pensando: por quanto tempo o José de Abreu manteve isso em segredo? Será que falar sobre seus desejos foi uma forma de libertar-se?

Nao sei. Sei apenas que a vida da gente é mais difícil quando se vive uma mentira. Por motivos diversos, muitas vezes é preciso manter uma vida de fachada. Não é só manter uma máscara. É mais que isso. É sustentar uma mentira por meses. Quem sabe, anos.

Para um jovem, filho de família conservadora, assumir diante dos pais que é gay, não é tarefa fácil. Para uma esposa que traiu o marido, revelar que foi infiel, é mais que um drama.

Por situações como essas, por outras mais graves – e algumas aparentemente menores -, gente como a gente vive uma mentira por anos. Esconde a verdade. E torna-se refém da mentira. São pessoas que podem ter prazer, mas nunca são felizes.

Dizer a verdade não é fácil. A mentira é mais simples. Entretanto, mantê-la por meses ou anos torna-se um peso. Cansa, esgota, rouba a paz. Ninguém dorme em paz sabendo que vive uma mentira. A culpa consome. 

Depois que assumiu ser bissexual, não sei se José de Abreu passou a dormir mais tranquilo. Entretanto, a experiência de romper com a mentira e ser verdadeiro é libertadora. Pode trazer muitas lágrimas, sofrimentos. Mas serão dores momentâneas. Dores que trarão cura, paz de espírito e a chance de ser feliz.