Pais criminosos: Salve Jorge, a novela e a vida real

Quando um casal se separa, a harmonia inicial vai embora e muitos filhos tornam-se vítimas
Quando um casal se separa, a harmonia inicial vai embora e muitos filhos tornam-se vítimas

De um lado, um pai; do outro, uma mãe. Entre eles, uma criança. Mas esta não une essas duas pessoas. Divide. É motivo de briga, de disputa. E a filha vira vítima. É manipulada.

Esta é a história de César, Antonia e Raissa. São personagens da novela Salve Jorge. Nessas noites mais tranquilas, vi algumas cenas e fiquei assustado. Movido pelo desejo de vingança, César usa a filha para machucar a ex-mulher. Ele ama a filha, mas ignora a importância da mãe na vida da criança. A pequena Raissa torna-se um objeto. Seus desejos, vontades são atropelados. A saudade é ignorada. O pai usa da proximidade para persuadir, convencer e afastá-la de Antonia.

César, Antonia e Raissa são só personagens da trama global. Entretanto, não é difícil encontrar perto de nós pessoas que transformam seu filhos em armas para punir ex-marido, ex-mulher. Na novela, o homem tem o poder. Além da vantagem natural que leva, ainda fica com a filha e a usa para se vingar. Na vida real, quase sempre os filhos ficam com as mães. E isso não é ruim. Mas algumas delas também guardam mágoas. E nem precisam ser traídas. Por motivos diferentes, atrapalham as visitas, colocam os filhos contra os pais, tornam a vida do ex um inferno. E roubam das crianças a chance de um desenvolvimento saudável. Deixam de ser pais, tornam-se criminosos. 

Sabe, casamento acaba. Mas, quando existe um filho na história, o homem e a mulher deixam de ser um casal, mas não deixam de ser pais. E como pais têm o dever de promover o bem-estar da criança. É um crime usar os pequenos, manipulá-los. Crianças não têm maturidade pra isso. É atitude egoísta, mesquinha, irresponsável, pequena demais falar mal do ex ou da ex-parceira para o filho.

Separação dói. Separação machuca. E, para os filhos, não é nada fácil ver os pais se separem. Eles ficam sem chão. E com pais feridos pelo fim do relacionamento, podem se sentirem sozinhos, ignorados ou tornaram-se superprotegidos, mimados demais. Não é fácil encontrar o equilíbrio, a forma certa de sofrer com o casamento que acabou e, ao mesmo tempo, proteger a molecadinha, ajudar os filhos a ter um desenvolvimento emocional saudável. Porém, é preciso querer, esforçar-se. Superar os próprios instintos. Calar a boca quando a vontade é falar do outro, desqualificá-lo. Pelo bem dos filhos, pelo futuro deles, não dá para se inspirar em César…

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