Que falta faz um abraço

carinho
Tempos atrás estava “teorizando” sobre um texto do Ivan Martins. Quer dizer, nem tanto os argumentos apresentados por ele. Mas um termo que parece incomodar muitos homens quando usado pelas esposas ou namoradas. E que, segundo o colunista da Época, na boca das mulheres significa muita coisa, menos o macho que elas desejam na cama.

Fofo é o adjetivo que as garotas usam para o sobrinho delas de dois anos. Fofo elas dizem do gatinho da vizinha que mia para elas no corredor do prédio. Fofo é o amigo gay, aquele que liga à meia-noite e um minuto no dia do aniversário delas. Fofo é o cara gentil que a levou para jantar na semana em que ela havia brigado com o namorado. Ela nem lembra direito o nome daquele superfofo. […] Fofo é uma palavra que parece não ter relação no cérebro feminino com sexo e paixão, e nenhuma proximidade com aventura. É um termo assexuado.

Enquanto pensava nessa palavrinha, questionava-me: por que o “fofo” não pode? Por que, para eles, incomoda, fere a masculinidade? Para elas, pode significar apenas um cara gentil, bacana demais, mas nunca o homem para chamar de seu?

A resposta parece estar em nosso modelo cultural. Eles têm de ser fortes, másculos. Lembra? Homem não chora. É o que nos ensinaram. Quando gentis, delicados, não são vistos como homens de verdade. Dizem, inclusive, que elas preferem os cafajestes.

Criou-se, portanto, um estereótipo de como deve ser o homem. E, já que somos referenciados pelas imagens construídas, muita gente tenta reproduzi-las. Desde pequeno, o menino aprende a se fechar, a ser o macho. Brincar de boneca então??? nem pensar. Ele precisa ser um casca-grossa. Não pode ser dado a carinhos, toques… Disseram também que homem não beija homem. Abraça, mas não envolve. Não pode ter pele, não pode ser sensível. Isso é “coisa de maricas”.

Os garotos crescem acreditando nisso. As meninas, também. Querem “homens de verdade”.

Sabe o que isso produz? Homens frustrados, carentes. Necessitados de um toque, de um abraço, de carinho… buscam tudo isso numa única coisa: sexo. É no sexo que se realizam. Mas mesmo ali, como não foram ensinados a se entregarem, são cheios de preconceitos, mitos. Precisam ser durões até na cama. E muitas mulheres gostam disso. Entretanto, no fundo, todos sofrem as mesmas necessidades. O sexo passa a ser a medida última do prazer, mas falta cuidar do coração.

Os carinhos são necessários à vida dos sentimentos como as folhas o são às árvores. Sem eles, o amor morre pela raiz (Nathaniel Hawthorne).

No fundo, todos gostariam de ser tocados. No entanto, os homens principalmente parecem ter medo disso. E, por isso, buscam manter distância de atos que valorizem o calor humano.

O toque virou uma coisa alérgica, irritante, incômoda, desagradável. […] É o preço de uma sociedade que criou tantas barreiras em torno da aproximação física, que fabricou tantos preconceitos que tornamos nossa pele uma verdadeira chapa de aço (Ciro Marcondes Filho).

É uma pena que seja assim. É uma pena que nos retraímos para o abraço, para a presença física, para um gesto mais carinhoso. É uma pena que pegar na mão, tocar o outro remetam a interpretações desconfiadas. Ou que simplesmente se faça isso por motivação sexual. Infelizmente, essa visão tirou de nós a ternura, as emoções. E, no caso das mulheres, ao reafirmarmos certos estereótipos, abrem mão de “homens fofos” – que talvez fossem capazes de chorar com elas por suas angústias ou simplesmente passar uma noite abraçados, sem tornar o sexo uma obrigação a cada novo encontro.

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Um comentário em “Que falta faz um abraço

  1. Se os homens soubessem o quanto a fofura deles rouba o coraçao das mulheres, e que, roubado o coraçao, elas entregam de bandeja, todo o resto… quero muito um fofo em vida vida…

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