Tragédia em Santa Maria: o que falta fazer?

santa maria
Começamos o domingo ouvindo as notícias da tragédia ocorrida na cidade gaúcha. Pelo menos 248 pessoas morreram após o incêndio ocorrido na Boate Kiss. Outras estão hospitalizadas.

Foi a segunda maior tragédia do gênero ocorrida no país. Também por isso é impossível ficar alheio. Até a mídia internacional destaca o fato.

Pela manhã, o noticiário era quase todo baseado em vítimas, relatos de sobreviventes e especulações sobre as condições da boate. No meio da tarde, o foco mudou. A discussão passou a ser: de quem é a culpa?

Todas as condições estruturais da boate, a ação dos integrantes da banda que, de alguma forma, motivou o início do incêndio, o comportamento dos seguranças… tudo virou foco da imprensa. Inclusive com a presença de especialistas comentando sobre como devem ser organizadas festas e o espaço físico adequado para evitar ocorrências que motivem tragédias como a de Santa Maria.

Neste fim de domingo, já sabemos:

a) a boate estava com alvará vencido;
b) a boate não tinha sistema adequado de prevenção e combate a incêndio;
c) a boate não tinha saídas de emergência adequadas;
d) os seguranças complicaram a saída das pessoas;
e) o pessoal não estava treinado para enfrentar uma situação de emergência;
f) faltavam entradas e saídas de ar;
g) um efeito pirotécnico usado pela banda iniciou o incêndio.

O que me incomoda diante disso não é a bobagem feita pela banda. Quem estava no palco é o menor dos responsáveis.

Mas quem deve responder por essas mortes? Os proprietários da boate e as autoridades – todas elas. Os erros e a responsabilidade dos proprietários da boate não podem ser ignorados. Mas a casa só recebeu o show porque nada foi feito para fechá-la. Não adianta deixar de renovar um alvará, mas permitir que siga funcionando. E quem impede o funcionamento não é o dono. Dele pode até se esperar consciência. Entretanto, infelizmente, é pedir muito. Tem coisas que só acontecem com a interferência do Estado – que pode ser representado pela Prefeitura, Corpo de Bombeiros, Polícia etc.

Bem, mas e agora?

Entendo que as investigações em Santa Maria não podem parar. Os responsáveis devem ser punidos. No entanto, o fundamental seria, a partir dessa segunda-feira, ter uma mobilização nacional para investigar as condições de casas de shows, boates, ginásios, igrejas, teatros… Enfim, todos os espaços de aglomeração de pessoas deveriam ser fiscalizados. Quem tem condições de continuar em funcionamento, continua. Quem precisa de reparos, faz reparos. Quem tem problemas mais graves, fecha.

A gente não precisa de novas leis. O país carece da aplicação prática da legislação existente. É isso que pode evitar tragédias como a de Santa Maria.

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