Vale conquistar obediência por medo?

Obediência é resultado do respeito e do amor
Obediência é resultado do respeito e do amor

É impossível acompanhar o noticiário e não ver o drama de dezenas de pessoas vítimas da tragédia de Santa Maria. Estamos assistindo o desdobrando de um fato lamentável. É normal a avalanche de informações.

Entretanto, chama minha atenção o que ocorre nas redes sociais. Tem de tudo. É impressionante. Uma das últimas é uma espécie de mensagem que circula no Facebook. Usa-se a tragédia para chamar atenção dos jovens. Um garoto aparece dizendo ter se livrado da morte porque obedeceu o pai, que o proibiu de ir à boate.

O discurso acaba ganhando contorno religioso para tratar de obediência e fazer refletir sobre o comportamento dos filhos.

Sabe, cada um faz o que quer. E compartilha o tipo de conteúdo que lhe agrada ou com o qual concorda. Mas, sinceramente, acho vazio esse tipo de material pós-tragédia. Parece repetir a estratégia do noticiário existente do fim da Idade Média. Na época, não existiam jornais. Porém, alguns tablóides, panfletos etc eram distribuídos nas cidades. Sob influência da ideologia religiosa, quase toda notícia trazia uma lição de moral. Não havia tragédia sem recados do tipo: “aprendam com meu erro, não o repitam” ou “não façam isso, vocês vão sofrer muito depois”.

A obediência aos pais é um princípio importante. Entretanto, nenhuma obediência pode ser cega ou desprovida de amor. A pessoa deve obedecer por respeito e por amor. E fazer isso sentindo-se livre para escolher o caminho que deseja seguir. Usar uma tragédia como essa para falar de obediência – ou qualquer outro tema familiar, religioso etc – é ter o medo como recurso para estimular uma pessoa a agir da forma desejada. Isso não é escolha. Isso é medo. É uma forma de manipulação. Significa não conquistar por amor. Conquista-se o comportamento desejado pelo medo – como fazia a igreja na Idade Média.

Entendo que a sociedade vive uma crise de valores. Está um tanto sem rumo. Mas tragédias como essas até podem causar um impacto positivo imediato. Por exemplo, depois do 11 de Setembro, nos Estados Unidos, centenas de casais interromperam os processos de divórcio. Aquilo mexeu com eles. Queriam dar mais uma chance ao casamento. No entanto, menos de um ano depois, os mesmos casais estavam nos cartórios retomando as separações iniciadas antes da queda das torres. Ou seja, tudo que se conquista ou se faz por medo ou sob fortes emoções não é duradouro. Passa na mesma velocidade que outra notícia se torna o novo foco da mídia.

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