Homens que jogam: o que eles perdem?

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Eu não sei bem qual a emoção deles quando estão diante de um videogame ou no computador. Talvez eu não tenha tido infância… Sei lá o quê. Enfim, não é uma experiência pela qual tenho passado. Mas uma coisa sei: poucas mulheres gostam de ver seus homens apertando aceleradamente diferentes botões, olhos fixos numa tela e, vez ou outra, soltando palavrões. Ou expressões de pura vibração.

Controlando – ou controlados – por um console, homens viram meninos. No máximo, adolescentes. E não é raro encontrar maridos de 25, 30 anos viciados em jogos. E semelhante à molecadinha, são capazes de passar horas jogando. Não raramente, encontram amigos para dividirem momentos de diversão.

Existem namoradas ou esposas até curtem a brincadeira. Mas não são todas. Conheço algumas que sentem-se abandonadas, trocadas por um aparelho. E perdem o respeito pelo companheiro.

– Não consigo vê-lo como homem de verdade.

É o que diz uma amiga que conheço há algum tempo. Foi por ouvi-la lamentar do marido que surgiu a ideia do texto. Ele, além de ficar horas jogando, gasta com isso. O que, para ela, é um desperdício de dinheiro.

Às vezes, ele sai da empresa 15h dizendo que vai para casa estudar. Eu chego, ele está na sala… jogando. Entro e saio e ele nem me vê. Se vou tentar dar um beijo, ele parece incomodado – como se estivesse atrapalhando. Me sinto rejeitada.

Ela conta que muitas vezes foi dormir sem a companhia dele.

Lembrei de outra amiga que também reclamava das horas de jogo do marido. Perguntei o que ela sentia. O depoimento mostra que o sentimento não é muito diferente da minha primeira personagem.

Quando namorávamos, havia um desconforto. A casa ficava lotada, vários amigos. E por horas. Naqueles momentos, recebia nenhuma atenção. E olha que eu tinha uma paciência. Ficava ali, sentada, olhando, esperando… Foi assim por muito tempo. Depois, caiu na real. Melhorou.

Após casada, ele comprou um novo videogame. Dizia que seria uma distração. Por um lado, melhor do que ir para rua, beber ou procurar outras coisas. Mas quando isso se torna uma prioridade, e tornando-se um vício, interfere e muito. Você quer atenção, conversar, mas, nessa hora, esquece. Ele finge que te escuta. Você se chateia, se sente sozinha.

sozinhaAcho que sentir-se trocada por um jogo deve mesmo causar um sentimento muito ruim. Não vou dizer que é uma forma de traição. Claro que não. Nem que produz as mesmas sensações. Mas de alguma forma o outro está ali dizendo que, naquele momento, o game é mais importante que a parceira. Os momentos de intimidade são substituídos pela excitação oferecida pela combinação de tecnologias.

Na busca por superar mais uma fase, vencer… muitos desses maridos plantam o distanciamento, o sentimento de rejeição, de substituição. O relacionamento sai perdendo.

A gente perdia a oportunidade de aproveitar os momentos que estávamos juntos em casa. Pode parecer bobagem, mas, para mim, não era. Dormi muitas vezes sozinha, com raiva. Ele vinha deitar de madrugada, de manhã. E assim foi… Depois de um tempo, eu já agradecia por ele ficar no videogame.

Não é difícil concluir que este casamento acabou. E o da primeira amiga está por um fio.

Sabe, não estou aqui para condenar os jogos. Nem dizer que devem ser banidos. Porém, entendo que maridos devem ser, primeiro, homens de verdade. E isto não significa ser macho. Nem apenas homem na cama. Significa agir como alguém que pode até se divertir com os games, mas reconhece a importância da atenção à parceira. Significa ser alguém que é parceiro, amigo, protetor, carinhoso… Alguém que oferece atenção à mulher. Alguém que reconhece o quanto, para ela, é importante fazê-la participante da vida dele. E como gosta de sentir-se que é a prioridade dele.

Portanto, concluo dizendo que quem abre mão disso por horas e horas de jogos aceita viver um relacionamento pela metade. Perde a oportunidade de viver emoções reais, e bem mais complexas e surpreendentes que as diferentes fases do mais empolgante dos games.