A sociedade precisa de chatos

Dá trabalho ir contra a maioria
Dá trabalho ir contra a maioria

Costumo brincar que sou rabugento, implicante… um chato mesmo. E penso que muita gente que passa pelo blog deve concordar. Afinal, o tempo me ensinou que devo ter minhas próprias ideias. E contrariar a maioria pode não ser a melhor coisa do mundo, mas provoca. Faz pensar.

A sociedade caminha pela homogeneidade. Há um desejo inconsciente de imitar. Basta observar o que acontece no mundo da moda. Chega-se ao ponto de usar coisas, adotar visuais que antes se abominava pela necessidade de sentir-se parte do grupo, ser aceito.

Até essa loucura toda da falta de tempo, essa correria que nos consome, é culpa desse ambiente social que exige produtividade. Se o sujeito optar por trabalhar pouco, ter uma vida mais simples, logo é taxado de vagabundo, preguiçoso.

Até os gostos musicais são impostos. Repete-se tanto uma música no rádio e na televisão que logo passa a fazer parte de nós.

O problema é que a unanimidade é burra. É irracional. Na multidão, vive-se a onda, o momento. Não se sabe muito bem por que se está lá. Entretanto, há um desejo, uma vontade de não contrariar. A pessoa passa a gostar de coisas, mas nem sabe por quê. Simplesmente faz o que a maioria faz.

Curiosamente, isso começa desde muito cedo. Ainda na infância. Não raras vezes escuto meus filhos argumentarem:

– Ah… mas o fulano faz isso.

Tá. Se o fulano faz, você tem que fazer? 

Historicamente, são os que contrariam a maioria que dão certo equilíbrio as ações coletivas. Ajudam a colocar um pouco de razão nesse mundo de emoções confusas. Vez ou outra, alguém olha pra si mesmo e consegue notar que deixou de pensar, de escrever a própria história. E dá conta de mudar de rumo porque foi provocado. Assim, desperta para uma outra vida, independente, autônoma, autêntica.

Chatos incomodam, chatos criticam, chatos nos fazem argumentar. E quando argumentamos, somos obrigados a pensar. Temos que sair de nosso estado cômodo, abandonar a passividade, deixar nossa tolice de lado. Ou expô-la. E ao nos expor, muitas vezes, descobrimos a fragilidade de nossas crenças. Notamos que nem são nossas. São apropriações de discursos alheios, mas sem origem definida.

E, sabe de uma coisa? A gente só muda de verdade, quando sai da zona de conforto, quando se confronta e rompe com a maioria.

Quem são as pessoas que mais admiramos? Aquelas que se diferenciam. Por que se diferenciam? Porque são livres, autônomas, autênticas. 

Os chatos podem não ser admirados, mas colocam nossos hábitos em xeque. Ajudam a nos descobrirmos como pessoas. E que há outras formas de viver.

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3 comentários em “A sociedade precisa de chatos

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