Envelhecer é imperativo

espelho

As pessoas, na televisão, envelhecem, mas seguem tão lindas que me sinto péssima. Tenho até vergonha de me olhar no espelho.

O comentário é de uma leitora. Recebi dias atrás no Facebook. Pensei nela… Pensei em mim e concluí:

– É por isso que evito o espelho.

O espelho é cruel. Diante dele, nos sentimos péssimos. É uma ruga aqui, outra ali. Uma mancha nova na pele. E se nos despimos… socorro!!! Não faltam imperfeições.

Os homens geralmente são mais tranquilos. Não todos, é claro. Têm muitos deles vaidosos demais. Ficam preocupados com uma espinha no rosto. Porém, historicamente, as mulheres sofrem mais. Você conhece uma mulher plenamente satisfeita com o corpo? Difícil, né?

Pior que as supostas imperfeições é o efeito do tempo. Raramente gasto tempo me olhando no espelho. Claro, faço o básico: arrumo os cabelos, passo um hidratante, ajeito sobrancelha, pelinhos do nariz… Mas não dá para ficar medindo as rugas e manchas.

Dia desses, porém, enquanto minha filha brincava comigo, levei um susto. Estávamos próximos de um espelho. Não me reconheci. O rosto não parecia meu. O que aconteceu? Bem, não dá para sair correndo. Nem voltar no tempo. As marcas de expressão estão todas aqui para não me deixar esquecer o movimento contínuo da vida. E que o envelhecimento é realidade para todos nós.

Não diria que é divertido ver as marcas do tempo estampadas no corpo. O tempo é cruel.

Vivemos sob o império da beleza. Na televisão, no cinema, nas revistas – e até nas redes sociais -, a imagem única é da juventude. Ela é onipresente.

É difícil aceitar o efeito do envelhecimento, principalmente porque rostos e corpos perfeitos parecem ser a identidade histórica dessa sociedade midiatizada. E o efeito da comparação é devastador. Afunda a autoestima. Na mesma medida, alavanca a indústria de cosméticos, as academias de ginástica, clínicas de estética e de cirurgias plásticas. Instigadas pela aparente perfeição desfilada nas telas do cinema, na televisão, nas revistas, as pessoas apostam em qualquer novidade que prometa retardar o envelhecimento. Estica, puxa… Cosméticos, nutrição, exercícios… Porém, envelhecer é imperativo. O que a mídia mostra apenas ilude. E gera frustração. Torna ainda mais doloroso o processo de aceitação.

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3 comentários em “Envelhecer é imperativo

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