Silas Malafaia e os homossexuais: ele tem direito de falar o que pensa?

Bom seria se as pessoas  aceitassem que a vida pode ser simples
Bom seria se as pessoas aceitassem que a vida pode ser simples

Ele é um chato. Um chato típico. Enquadra-se perfeitamente no perfil que retratei no blog. Muitas vezes, fala bobagem. Há muito, deixou de ser essencialmente um pastor. Virou celebridade. Mas ainda assim, ele tem direito de dizer o que pensa.

No país do “politicamente correto”, tem gente pedindo a cassação do registro de psicólogo de Silas Malafaia. Até uma campanha foi criada na internet. Tudo por que o líder da Igreja Assembléia de Deus diz que pode “reorientar” homossexuais e ajudá-los a se tornarem heterossexuais.

A briga do pastor com os gays é antiga. Malafaia é tido como homofóbico.

Cá com meus botões, não gosto do enfrentamento feito pelo pastor. Acho que ele só produz espetáculo. A postura de Malafaia não ajuda os evangélicos (cria ainda mais preconceito), não esclarece o público cristão sobre as questões de gênero e muito menos aproxima homossexuais da fé cristã.

Entretanto, por mais questionáveis que sejam as atitudes desse líder religioso, ninguém pode negar a ele o direito de dizer o que pensa. Um dos princípios democráticos é a liberdade de expressão. Por mais agressivo que seja, Malafaia não incita à violência. Sua agressividade é verbal. É focada no comportamento e na religião. Ele defende seus princípios e crenças. Faz isso, na minha opinião, de maneira torta, até discriminatória. Entretanto, tem direito de expressar-se. Como tem o dever de responder judicialmente caso extrapole os limites do respeito ao outro.

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10 comentários em “Silas Malafaia e os homossexuais: ele tem direito de falar o que pensa?

  1. Sabe quando se pensa exatamente assim, mas se tem receio de expor, porque as pessoas andam tão agressivas e bitoladas, que só pegam as frases que querem?
    E não se tem mais paciência pra querer mostrar nada a ninguém?
    Pois é, queria ter escrito como você. Abraços!

  2. Faço minhas as palabras da Lúcia.
    Ele realmente tem um jeito agressivo de se expressar, mas como a Lúcia disse: só pegam as frases que querem. Quando ele colocou na entrevista que amava os homossexuais assim como os bandidos e tal, em seguida ele desenvolve a frase e explica que tanto a prática dos homossexuais quanto dos bandidos ele não concordava mas amava os seres humanos mesmo assim. Mas claro que pegaram só a primeira parte e detonaram. Hipocrisia é defender a liberdade de expressão e depois cercear as opiniões alheias.

  3. Claro, Ronaldo. Cada um tem direito de dizer e fazer o que pensa de forma democrática, assim como também arcar com as consequências de sua fala. As consequências de sua fala extrapolaram os limites religiosos e atingiram o respeito por ciências que tem seus códigos de ética profissional. Assim, todo o profissional que se declara tal profissional e extrapola o respeito e os limites, sofre as consequências. Ele pode continuar falando as bobagens que quiser, mas ele só não term o direito de incluir a psicologia no meio de suas loucuras e blasfêmias cheia de espetáculo.

    Eu tenho muita dificuldade de conviver com pessoas fanáticas, mais ainda do que com aqueles que lideram isso, porque essas pessoas não entendem nenhum outro ponto de vista. O Silas, pra mim, não significa nada. Só me atinge porque ele se declara, norteados por valores que a psicologia não utiliza. Mas, ele tem todo o direito de sair por aí falando bobagens… só tenho medo das pessoas que acreditam nele e o que elas fazem com essas falas.

  4. Não discordo do seu texto, ele realmente tem o DIREITO de dizer o que pensa, mas isso me gerou uma reflexão a respeito do assunto.

    Se ele fizesse um comentário racista, ele seria julgado e preso, mas como homofobia não é crime no Brasil, as pessoas saem impunes por seus comentários. Pra mim, a homofobia é tão ruim quanto o racismo, quanto o sexismo, misoginia, etc. Mas, infelizmente, as pessoas ainda não são presas por homofobia. É uma das grandes lutas da comunidade LGBT. Afinal, o Brasil está em primeiro lugar no mundo no ranking de assassinatos de homossexuais e crimes de homofobia (um homossexual é morto a cada 36 horas no Brasil e em 70% dos casos, os autores dos crimes ficam impunes). Eu acredito que a “agressão verbal”, contribui, indiretamente, para a violência e crimes de homofobia, sim.

    Esse tipo de comentário, embora “legal”, gera o preconceito e ignorância. As pessoas se escondem atrás da liberdade religiosa pra disseminar ódio. Eu vou citar o Jean Willys e falar que “o limite da liberdade de expressão de quem quer que seja é a dignidade da pessoa humana do outro. O que fanáticos e fundamentalistas religiosos mais têm feito nos últimos anos é violar a dignidade humana de homossexuais”.

  5. Ronaldo, gostaria de parabenizá-lo pelo blog e dizer que a forma que você aborda os assuntos, de uma forma culta e despojada ao mesmo tempo é bem interessante.

    Esse tema sempre é muito polêmico, entendo o que você diz quando fala que a liberdade criada pela democracia permite que ele fale o que quiser desde que arque com as consequências mas, na minha opinião, falta o bom senso da população em geral, quando as pessoas se tornam públicas, mais do que pastores, psicólogos, ativistas, cientistas, se tornam formadores de opinião, ele tem a opinião dele como pastor e eu duvido muito que o intuito dele seja gerar a violência ou o preconceito, afinal os preceitos religiosos estão aí e cabe aos religiosos seguirem, mas, por ser uma pessoa pública, suas palavras têm poder e podem fazer com que uma mente “torta” se torne preconceituosa e violenta por ser um fanático religioso. Não estou defendendo nenhum dos lados, mas acho que, principalmente, pessoas públicas devem escolher como abordar um assunto sendo sensível ao que os outros irão escutar, como é o caso do exemplo citado acima, onde diz que ama os homossexuais da mesma forma que ama os bandidos dizendo que ama o ser humano com os traços que tiverem, por mais que ele tenha explicado o que quis dizer, e eu entendi mesmo sem a explicação, a comparação fica inevitável e, para algumas mentes pérfidas, a comparação torna-se verdade absoluta e o preconceito aumenta.

    Resumindo meu texto longo, o bom senso é um traço fundamental na comunicação e deve ser usado com ainda mais tato pelas pessoas públicas, afinal é como você mencionou em um post mais atual, a população não tem capacidade de escolher o que tem qualidade para se assistir ou ouvir.

    Parabenizo novamente pelo seu blog que realmente acho muito interessante. Respeito completamente sua opinião nesse post e entendo exatamente o que quis abordar. Parabéns!

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