Por que não te calas?

Nossas palavras deveriam promover o bem
Nossas palavras deveriam promover o bem

Conheço gente que tem a capacidade de fazer mal para os outros. Parece ter uma energia negativa. E nem se toca. Não faz nada pra mudar. Na maioria das vezes, essas pessoas ferem porque não sabem usar as palavras. Falam o que pensam num tom que atropela o bom senso e ignora os sentimentos alheios.

Dias atrás, encontrei uma amiga arrasada. Vi lágrimas em seus olhos. Minutos antes, uma colega tinha acabado com sua autoestima. Mal tinham se encontrado, e a outra saiu disparando:

– Que blusa horrorosa. Não tem outra para vestir não? Como você sai de casa sem passar maquiagem, batom? Está largada, é isso?

Além da grosseria, ignorou que nem sempre as coisas são o que parecem ser. Minha amiga tinha tido um dia difícil. Passou a manhã fora de casa, mal teve tempo para almoçar, teve problemas com a mãe na hora do almoço, foi obrigada a escolher entre tomar um banho e comer, e sequer teve tempo de se olhar no espelho. Com a correria, pegou a bolsa e nem lembrou do batom.

Naquele dia, estava triste. Tinha tido problemas. E ainda estava achando-se desleixada. Com vergonha de si mesma. Para piorar, no fim da tarde, encontrou essa colega que a fez sentir-se ainda pior.

Sabe, tem gente que parece ter prazer em fazer o outro sofrer. Alguém aí acha que uma mulher desconhece o estrago que vai causar ao comentar sobre a imagem de uma amiga?

Criticar cabelo, maquiagem, roupas… Ou falar de peso…

– Você engordou um pouquinho?

Deveriam ser assuntos proibidos entre as mulheres. É maldade. Ou inveja. E quem deu autoridade para dizer o que é bonito ou feio? Se a roupa veste ou não veste bem? Se o cabelo está ou não bem arrumado? 

E nem me venha com aquela história de “boa intenção”. Até pode haver o desejo de ajudar. Reconheço que há ocasiões em que nossos amigos precisam de um “chacoalhão”. Entretanto, tem coisas que a gente não fala. E, se precisa dizer, tem que encontrar o jeito certo.

Mentir não faz bem. Mas há verdades que é melhor serem silenciadas. Ou, se forem necessárias, carecem de estratégia para serem verbalizadas. Sem contar que muitas vezes a gente conclui coisas e julga sem saber o contexto que envolve o outro. Por isso, toda palavra que dirigimos ao outro deveria passar antes pelo filtro do amor. Quem ama faz bem. Não transforma palavras em feridas.

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