Pode ser de bicicleta?

bicicletas

Dirigir tem se tornado uma das atividades menos prazerosas do dia. E olha que sempre gostei disso. Mas ultimamente deixou de ser uma experiência agradável. Na cidade ou nas estradas, a coisa anda complicada. É quase impossível não se estressar. Tem carro demais. E gente pouco habilitada no volante.

O que me incomoda é a falta de políticas públicas para melhorar o fluxo de veículos e tornar mais fácil a vida dos cidadãos. E, claro, isso não significa investir apenas em estratégias para garantir o tráfego dos carros. Estou falando de todo um sistema de transporte que atenda plenamente a população.

A falta de iniciativas incomoda. Poucas são as cidades brasileiras (veja o belo exemplo de Sorocaba) que procuram alternativas sérias para mudar essa realidade. Infelizmente, não dá para resolver os problemas do trânsito mantendo vagas de estacionamento. Não dá para sair abrindo ou alargando ruas e avenidas. Tem que se trabalhar com base na realidade. E esta exige medidas duras em alguns casos. Garantindo, é claro, a contrapartida para que o cidadão não seja prejudicado.

Estacionamentos em vias públicas tornam o trânsito mais lento. Por mais antipática que seja a medida, reduzi-los é uma necessidade. Ampliar o transporte coletivo é urgente. Investir em ciclovias (mais espaços para guardar as bicicletas, sistema de aluguel etc), idem. Além disso, é fundamental respeitar o pedestre.

O jornalista André Forastieri relatou dias atrás a experiência de Nova Iorque. Por lá, as políticas públicas foram nesta direção. E isso há apenas cinco anos. Os resultados são muito satisfatórios.

A secretária de transportes da cidade, Jenette Sadik-Khan, causa polêmica, pisando em calos diversos e rodando de bike pela cidade. Instalou 400 quilômetros de faixas para bicicletas. Fez muitos calçadões e calçadões temporários (só no final de semana, ou só no verão). Bancou um sistema de ônibus expressos, em que o usuário compra o ticket antes de entrar, mais ou menos no modelo de Curitiba. Instalou um sistema de compartilhamento gratuito de bicicletas. Botou um monte de bancos bem confortáveis nas ruas, para estimular as pessoas a caminhar mais, dando a elas um lugar para descansar. Está trocando a sinalização da cidade inteira, e incluindo mapas para pedestres. Também desviou tráfego pesado das zonas residenciais e construiu dezenas de novas praças.

Hoje, apenas 1/3 da população da maior cidade do planeta usa carros para ir ao trabalho; os outros 2/3 vão a pé ou, transporte coletivo.

Ou seja, dá para fazer. É preciso querer. O que não pode é o poder público ser refém do empresariado, como acontece em Maringá (lojista não abre mão de vaga na frente na loja; só não sei pra quem é o estacionamento, já que está sempre ocupado). Não dá para ser conivente com as estratégias da única empresa de transporte coletivo. Muito menos seguir ignorando a tendência global de incentivar as bicicletas ou ir a pé para o trabalho. Uma cidade não se revela rica pela quantidade de carros nas ruas, mas sim pelo respeito que tem por sua gente (mesmo que seja preciso contrariá-la) preservando o meio ambiente e promovendo a saúde (ou alguém aí acha que estresse no trânsito não causa doenças?).

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2 comentários em “Pode ser de bicicleta?

  1. “País desenvolvido não é aquele onde os pobres têm carro, mas aquele onde os ricos usam transporte público.”
    Gustavo Petro, político colombiano

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