Nem todas as lágrimas são necessárias

triste

Não há separação sem sofrimento. Porém, tem gente que sofre mais; tem gente que sofre menos. Significa que um amava mais que o outro? Não acredito nisto. Penso que a diferença está na forma como se encara a perda.

Parece ter sido convencionado: sofrer pouco é sinônimo de amar pouco. O fim teria que ser traumático, de muitas dores, lamentações, horas e horas no quarto sem ver ninguém. Quando encontra uma amiga, é para derramar ainda mais lágrimas.

Mas teria que ser assim?

Perder alguém dói. E dói muito. Quem decide deixar a relação, pensou nisso, preparou-se. De alguma forma, criou estratégias internas para lidar com a ruptura. Quem ouviu o “não quero mais”, talvez tenha notado que as coisas não iam bem, mas provavelmente acreditava que daria certo. Então, seguiu apostando no romance. Tinha esperanças e não fez planos para o “depois do fim”.

Ainda assim, entendo que muitas vezes o sofrimento é superdimensionado. Respeito o choro, a angústia, a tristeza. Mas há vida após tudo terminar.

Muitas lágrimas seriam evitadas se as pessoas entendessem que relações são feitas por desejo mútuo. Não, não estou falando de sexo. Falo do desejo de estar junto. Estar perto. Dividir. Compartilhar. Quando isso deixa de existir, o romance perde o sentido. O outro é o outro. E se não quer a mesma coisa que nós, é preciso aceitar. Aceitar que a pessoa amada tem o direito de ir embora. Ninguém é dono de ninguém.

Parte do sofrimento nasce no sentimento de posse. A gente ama, mas não apenas ama… Quer ser dono. Acontece que mal temos controle da própria vida. Como dar conta de “segurar” alguém? Não dá. É impossível.

Entretanto, apenas aceitar que o outro pode escolher outra vida não é suficiente para acalmar o coração. É fundamental ter atitude. Chore no primeiro dia, no segundo, terceiro… Mas chego o momento de tomar um banho, fazer a maquiagem (ou tirar a barba), passar um perfume gostoso, vestir uma roupa bonita e sair de casa. Não, não é pra sair em busca de outra pessoa. É sair pra viver. Fazer as coisas do dia a dia, porque chorar não traz ninguém de volta. E se traz, traz por pena. E por pena, não vale.

Quando termina, é preciso limpar as gavetas. Essa coisa de ficar revendo os presentinhos do ex, procurando o perfume dele nas roupas… tentando encontrá-lo nos objetos que ficaram… Fazer isso só aumenta a dor. É necessário tirar de diante dos olhos tudo que faça referência ao ex. Apagar as mensagens no celular, os emails… Evitar, inclusive, os ambientes que frequentavam juntos. Ficar trombando com coisas, lugares e gente que traz lembranças da pessoa amada só faz doer por mais tempo.

Essa coisa de ficar espiando o Facebook do ex pra saber o que ele(a) está fazendo… também é horrível. Faz mal.

Quando acaba, acaba. Por mais que queira trazer de volta a pessoa amada, não dá para ficar bem se continuar ligando, mandando mensagens, tentando encontrar… Nessas horas, o ex, por mais que queira ser gentil, tem que dar uma ajudinha: sair de cena também. E respeitar a dor alheia. Terminar, mas continuar por perto só judia ainda mais.

Seria incrível se todos os relacionamentos fossem eternos. Se todo mundo encaixasse perfeitamente e e não houvessem lágrimas. Seria um sonho que todo amor resistisse todas as provas e nunca se desgastasse. Entretanto, somos complexos demais. E nem sempre fiéis aos próprios desejos. Por isso, embora machuque, o fim de um romance é uma possibilidade. É preciso aceitar. E entender que, ainda que sejam desconhecidos, quando algo acaba, novos caminhos se abrem. A gente só precisa se arriscar e tentar prosseguir.

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4 comentários em “Nem todas as lágrimas são necessárias

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