Em defesa da educação a distância

Entre as vantagens está a chance de escolher a melhor hora e local para estudar
Entre as vantagens está a chance de escolher a melhor hora e local para estudar

Dias atrás, enquanto conversava com uma colega sobre a qualidade da educação brasileira, ouvi um comentário que me deixou incomodado. Ela questionava a formação de professores pela modalidade da educação a distância. Dizia que o aprendizado da molecada está comprometido, principalmente depois desse monte de gente que está indo para sala de aula tendo feito uma faculdade não-presencial.

A modalidade é recente no Brasil. Pelo menos, nas instituições de ensino superior. Mas a origem é antiga. Por aqui e também no exterior. Em nosso país, uma das primeiras experiências foi no rádio, ainda com o criador da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, Edgar Roquete Pinto. Ele idealiza esse veículo de comunicação como uma ferramenta importante para educação da população mais pobre.

Depois, tivemos outras inúmeras iniciativas. Entre elas, a do Instituto Universal Brasileiro, com cursos por correspondência. Porém, no ensino superior, tornou-se uma realidade após os anos 1990.

Durante bastante tempo, também tive uma visão preconceituosa da educação a distância. A ideia era de que esses cursos serviam àquelas pessoas que desejavam algo fácil, sem muito comprometimento. Só pra garantir o diploma mesmo. Entretanto, conforme fui pesquisando o assunto, conversando com gente especializada e até mesmo alunos, descobri que EAD é assunto sério. E por várias razões.

A primeira delas é a legislação. O governo brasileiro é bastante rigoroso. Até o credenciamento é mais complicado. A faculdade interessada tem que apresentar um projeto detalhado e complexo para ter um curso aprovado. E todos devem ter o “ok” do Ministério da Educação.

Outra questão fundamental é a estrutura da instituição. Corpo docente, tutores, estrutura técnica, material didático… Não se oferece a modalidade sem estar tudo muito bem organizado.

Além do mais, não existem alunos sem supervisão, acompanhamento e avaliações presenciais. Os pólos são espaços que recebem frequentemente os acadêmicos. E não dá para “fingir” que estudou. Talvez por isso, na educação a distância, o índice de desistência é um dos mais altos. Afinal, muita gente que escolhe a modalidade também acha que é mais fácil. Não é. O aproveitamento pode ser muito semelhante ao do ensino presencial.

Na verdade, quando se questiona EAD, faz-se um recorte bastante injusto. A falta de qualidade não é um problema da modalidade. É um problema da educação brasileira. Da ausência de políticas públicas que contemplem a formação plena de jovens e adultos. Professores, administradores, contadores etc etc também são mal formados nas faculdades presenciais. Instituições “caça-níquel” existem aos montes. Presenciais ou não.

Ao contrário do que alguns dizem, a EAD é sim uma possibilidade real de democratizar o acesso ao ensino, inclusive pelos custos. No entanto, esta ou qualquer outra modalidade só vão transformar a realidade brasileira se houver compromisso real com a educação – pensando, primeiro, no indivíduo, na construção da cidadania; e não no ensino como negócio.

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4 comentários em “Em defesa da educação a distância

  1. Concordo com sua opinião em partes. O final de seu texto foi perfeito. Penso que não há compromisso por parte de administradores e estudantes na EAD. Há como muitas coisas no Brasil interesse em lucrar e não na qualidade com responsabilidade… Costumo dizer que o brasileiro não está culturalmente preparado para a educação a distância. Infelizmente! Também acredito que seja uma ótima ferramenta para ampliar o direito a educação, mas ainda não funciona com seriedade em nosso país.

    Ob.: Sou formada na educação pública presencial, mas trabalho com pessoas formadas em EAD e fui/sou tutora em EAD.

    #minhaopinião.

    1. Acho que você, Rogeria, não conhece a Universidade Aberta do Brasil (UAB), sua intenção e objetivo, assim como as Instituições de Ensino Superiores ligadas ao Programa. A EaD é uma extensão da Universidade para atender o público de forma inclusiva, evitando as migrações aos grandes centros urbanos e garantindo a qualidade da formação dos profissionais daquela região. Caberia obter mais informações antes de fazer críticas públicas. Abraços. Boas observações Ronaldo Nezo.

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