Relacionamentos reais

amizade

De vez em quando a gente precisa dar uma organizada nas coisas. No armário, nas gavetas… e até nas caixas de mensagens. Ontem, tentei fazer isso no Facebook. Tinha muitos recados ali que nem faziam sentido. Então, arquivei a maioria deles.

Me chamou atenção a quantidade de recadinhos no meu aniversário do ano passado. Foram mais de 400. Um absurdo. A maioria de pessoas que sequer conheço. E nem aparecem na lista dos leitores habituais. Claro, quem não gosta de ser paparicado? Mas é óbvio que, na ocasião, não li nem 10%. Impossível.

Por que falo disso? Simples. Tempos atrás, ao reconfigurar a privacidade do meu perfil, fechei algumas informações que não acho relevantes. Entre entras, a data de meu aniversário. E o que mudou? Devo ter sido lembrado por uma meia dúzia de pessoas neste ano. Nada a lamentar. Pelo contrário. As pessoas que me parabenizaram são aquelas que realmente guardaram a data e fizeram questão de falar comigo nesse dia. E isso é o que de fato importa.

Sabe, eu gosto das tecnologias. Repito que elas facilitam a vida da gente. E o lembrete de aniversário do Facebook, por exemplo, é um serviço bacana. Ajuda mesmo. Faz a gente não esquecer de mandar um oizinho para amigos queridos.

Por outro lado, sempre me questiono se isto tudo isso de alguma forma não nos acomodou. Recordo, por exemplo, que minha mãe fazia questão de guardar as datas de todo mundo da família. Para aqueles que moravam longe, ela mandava carta, cartão… Não faltava um recadinho de felicitação, acompanhado de notícias da família. Cresci vendo isso. Acabei registrando na memória os aniversários do pai, mãe, irmãos, avós… E até a data de casamento deles.

Porém, hoje quase não vejo isso. Confiamos às tecnologias o papel que deveria ser nosso: lembrar das pessoas que amamos. Talvez por isso seja comum deixarmos escapar datas importantes. Afinal, se o lembrete não chegou, o outro fica sem o nosso parabéns.

Além do mais, esse mundo tecnológico também criou relacionamentos ilusórios. Eu gosto de ter cerca de 5 mil pessoas na lista de amigos do Facebook. É legal encontrar no twitter mais de 2,2 mil seguidores. Observar a fanpage com mais de 1,5 mil curtidas. Porém, não interajo com todo esse universo de gente. Não conheço, não converso. Então não faz sentido “me achar” por ter recebido num aniversário mais de 400 recadinhos. Foi retirar a notificação e a realidade se impôs: apenas os parentes e amigos próximos lembraram.

É assim que funciona. A vida se faz de relacionamentos reais. A mesma tecnologia que aproxima é a que nos distancia, que acomoda, ilude. Achamos que por ter o amigo na rede social já é suficiente. Isso não alimenta amizade, não toca o coração. Gente precisa de contato, de conversas reais, não interrompidas pelo primeiro alerta que aparece na tela. Gente precisa de calor humano. Sentir-se de fato importante para o outro.

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2 comentários em “Relacionamentos reais

  1. Ronaldo, super pertinente. Eu também desconfigurei o aviso de aniversário, também tive meia dúzia de parabéns e também não lamentei. Estou tentando reavivar os hábitos antigos de cartões, de encontrar pessoalmente sempre que possível, coisas que fazíamos antes dessa comodidade e vícios trazidos pelas redes etc. Afinal, o amigo que está a um click de você não está de fato a um click de você e o olho no olho nas relações é insubstituível mesmo. Uma ótima semana. Abç

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