Título garante a qualidade do educador?

professor

Pensava nisto ao ver uma notícia publicada na Folha Online.

Lei tira exigência de pós-graduação para novos professores de federais

O governo promete rever a medida. Entretanto, em resumo, o que está em vigor desde o mês passado é uma determinação de que as universidades federais não exijam títulos de mestre e doutor nos concursos para contratação de professores.

A iniciativa, é claro, causa polêmica. Afinal, há uma “verdade” dada: professor sem título é professor despreparado.

A pressão das próprias instituições de ensino e da imprensa “especializada” está fazendo o governo voltar atrás. Já se fala em deixar que a universidade decida se quer ou não manter a obrigatoriedade dos títulos.

Talvez seja a forma de resolver o impasse. E aí cada uma delas, dentro de suas próprias políticas, resolve como fará a seleção dos docentes.

Entretanto, ainda me incomodo com essa “verdade”. Será que título garante a qualidade do educador?

Eu concordo que mestrado e doutorado prepara o professor para a pesquisa. O graduado ou especialista ainda não desenvolveu tal hábito. E, na academia, essa é uma prática fundamental. Porém, todos precisam ser pesquisadores?

Quem garante que um administrador experiente, sem título, não é importante na formação de aluno desse curso? Quem pode sustentar que um enfermeiro com anos de trabalho na UTI de um hospital não tem habilidade para ensinar alunos em disciplinas específicas? Quem aí acha que um jornalista com 20 anos de televisão não tem qualificação para ser professor de tele?

Entendo que o ensino superior precisa de ambos profissionais: o titulado, com experiência em pesquisa, e o graduado e/ou especialista com conhecimento prático e domínio teórico. Por conta dessa restrição, as instituições tornaram-se espaços alheio ao que acontece fora dos muros das universidades. O que se produz ali, muitas vezes, só tem finalidade acadêmica. Falta este “casamento”: pesquisa e mercado; pesquisa e sociedade; ciência e senso comum.

Durante a graduação, os meus melhores professores não foram os mais titulados. Eles são ótimos na temática específica que estudaram durante a vida inteira. Porém, nem sempre os dão as melhores aulas; além de, muitas vezes, não possuírem visão global da realidade.

Volto a dizer: não estou negando a importância do mestrado e doutorado. Tanto é que sigo estudando… E quero meus títulos. Mas, mesmo sem eles, penso que contribuo para a formação de meus alunos. Minha paixão pela educação e minha experiência no mercado profissional estão refletidas nas aulas que ministro, nos alunos que oriento… E vejo isso em outros colegas. Mesmo sem currículo invejável na Capes, não são conteudistas; eles fazem a diferença na sala de aula e preparam profissionais para o mercado, inclusive com visão crítica.

Por isso, cá com meus botões, penso ser elitista, intelectualista a restrição do ensino superior aos mestres e doutores. Falta de título não significa despreparo. Títulos também não são garantia de boas aulas. Mas pouca gente na academia vai admitir isso… Infelizmente.

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