É possível ser feliz sozinho?

feliz
Sozinho, não. Sem gente, sem alguém pra conversar, sem um abraço… não dá. Somos seres relacionais; precisamos do outro. Não somos ilhas. A vida se vive em comunidade, numa eterna dependência. Entretanto, é possível ser feliz sem um relacionamento amoroso.

É verdade que é bom demais ter alguém com quem dividir a vida. Mas a felicidade não está em ter um romance. Quem depende de alguém pra ser feliz nunca será feliz.

Criamos uma cultura de que é necessário estar namorando, estar casado… no mínimo, “pegando” pra estar bem. Há uma espécie de pressão social para ter um romance. Parece ser anormal estar sozinho.

Se a gente encontra um amigo que há dois anos não namora, é impossível não insistir:

– Mas não está ficando com ninguém? Não saiu com nenhuma garota?

Vale o mesmo para as mulheres. Chega-se a “excluir” do círculo de amizade aquelas que não têm namorado. Sem contar o comentário maldoso… Se não tem ninguém é porque é chata, deve ser mal humorada, difícil de relacionar-se. Isso, quando não questionam a sexualidade da pessoa.

Há vida sem um amor. Diria até que é muito melhor estar sozinho que estar com alguém mal resolvido, desinteressado, não comprometido.

A infelicidade que bate à porta, quando se está só, é muito mais pela expectativa gerada em torno de um romance do que necessariamente pelo que o outro pode fazer por nós. O outro nos faz bem à medida que está bem com ela mesma e que nós estamos bem. Assim, somamos, dividimos… Compartilhamos. Quando isso acontece, vive-se bem, porque a solidão não é apenas a ausência de uma pessoa, mas sim a ausência de nós mesmos.

Na segunda, uma música

Num tempo em que as músicas banalizam os relacionamentos, falam de homens e mulheres como objetos de puro prazer e conquistas são referenciadas em valores econômicos, a canção de hoje merece destaque. E por contrariar essa “lógica”. O clipe é uma história “à parte”.

Não diria que “Mocinho do cinema” tem uma poesia única. Não. A música de Ivo Mozart é simples. E na simplicidade está a graça, a beleza desta canção.

O personagem não leva a mocinha pra cama. A música não fala de sexo. Não tem ritual de acasalamento. Mas tem conquista. E de um jeito bem diferente do sustentado pelos sertanejos e funkeiros. Não tem carrão, conta bancária… Nada disso.

Se estou sem carro não me importo ir de carona
Tudo o que eu quero nessa vida,
é viver de coisas boas

Apenas um sujeito comum, com jeito simples de viver e que ainda acredita que a vida vai além de poder, riqueza. É possível ser mais sendo gente. Sem necessidade de exibir-se, de desfilar objetos de valor e nem ter que se impor como mais forte.

Sei que não sou o mocinho do cinema
E nem pareço o Romeu da Julieta
E sempre uso chapéu velho e camiseta
Mas sempre faço valer a pena
Pra ser feliz o amor tem que ser verdadeiro
Felicidade é a chave do segredo
Só com um sorriso ponho cores no seu mundo

Convido os amigos e leitores a ouvirem a música desta segunda-feira. E, claro, curtirem o clipe. Vale a pena.