É possível ser feliz sozinho?

feliz
Sozinho, não. Sem gente, sem alguém pra conversar, sem um abraço… não dá. Somos seres relacionais; precisamos do outro. Não somos ilhas. A vida se vive em comunidade, numa eterna dependência. Entretanto, é possível ser feliz sem um relacionamento amoroso.

É verdade que é bom demais ter alguém com quem dividir a vida. Mas a felicidade não está em ter um romance. Quem depende de alguém pra ser feliz nunca será feliz.

Criamos uma cultura de que é necessário estar namorando, estar casado… no mínimo, “pegando” pra estar bem. Há uma espécie de pressão social para ter um romance. Parece ser anormal estar sozinho.

Se a gente encontra um amigo que há dois anos não namora, é impossível não insistir:

– Mas não está ficando com ninguém? Não saiu com nenhuma garota?

Vale o mesmo para as mulheres. Chega-se a “excluir” do círculo de amizade aquelas que não têm namorado. Sem contar o comentário maldoso… Se não tem ninguém é porque é chata, deve ser mal humorada, difícil de relacionar-se. Isso, quando não questionam a sexualidade da pessoa.

Há vida sem um amor. Diria até que é muito melhor estar sozinho que estar com alguém mal resolvido, desinteressado, não comprometido.

A infelicidade que bate à porta, quando se está só, é muito mais pela expectativa gerada em torno de um romance do que necessariamente pelo que o outro pode fazer por nós. O outro nos faz bem à medida que está bem com ela mesma e que nós estamos bem. Assim, somamos, dividimos… Compartilhamos. Quando isso acontece, vive-se bem, porque a solidão não é apenas a ausência de uma pessoa, mas sim a ausência de nós mesmos.

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13 comentários em “É possível ser feliz sozinho?

  1. Faz 35 dias que estou só, minha noiva largou de mim no dia 19 de abril, sei que fui o unico culpado pelo termino do nosso relacionamento. Tenho 29 anos e nao sou feliz sozinho, tb nao sei se tenho amor proprio, me sinto muito inutil. Sinto muito a falta dela, se alguem puder me ajudar e me dar uma dica de como recuperar minha autoestima, ou melhor, acho que nunca tive. Obrigado desde ja.

    1. Ronaldo, você como sempre, brilhante!! Não sei porque, mas partilho de suas ideias de tal forma que, quando leio seus textos, termino, na maiorias das vezes, com a impressão de que fui eu que escrevi (descobri seu Blog e fiquei viciada tá?! rsrs)

      Quanto a essa questão de estar sozinho, para introduzir meu comentário, recupero bem “clixemente” (1) o provérbio “antes só do que mal acompanhado” e (2) o poema de Fernando Pessoa, que diz: “Enquanto não atravessarmos a dor da nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um”.

      Bom, eu, desde pequena, cheia de ambições profissionais do jeito que sou, de certa forma, sempre soube disso, mas fui educada na pedagogia “meninas têm de casar antes dos 20”. Tenho 22, não casei e não sinto a menor vontade de casar, não porque tenha algum problema com isso, mas, simplesmente, porque nunca consegui encontrar alguém que já tivesse “atravessado a dor da própria solidão”, de modo que pudesse entrar na minha vida apenas para somar, dividir experiências, etc.. Ao contrário, no geral (devido a “novelística” visão de amor impetrada em nossa sociedade), em todas as minhas tentativas de relacionamento, percebo que as pessoas me sugam e atribuem a mim (em um ato egoísta) a responsabilidade de fazê-las feliz. Quando percebo que isso acontece, sempre desisto do relacionamento, porque, do meu ponto de vista, é egoísmo demais atribuir ao outro a responsabilidade da própria felicidade e é trabalho demais tomar para si a responsabilidade de fazer o outro feliz.

      ( Não sei se a reflexão contribui, mas, se não, pelo menos me serve como desabafo.)

      1. aos 19 anos eu me casei ; com o propósito de fazer uma pessoa feliz; hoje, 20 anos depois, ao sexto mês do meu divórcio, posso concordar com vc, é muita responsabilidade assumir o ato de tentar fazer alguém feliz, eu me sinto totalmente fracassado, sem sucesso algum, ao tentar fazer isso; só me restou uma imensa dor no peito!

  2. Hoje estou no Rio numacexcursão, eu ja sabia do risco de ficar dó, enquanto o grupo é dividido em grupos menores, estou aqui só, eu preferiria nao conhecer minguem, a sentir a vergonha de estar abandonada. Estou dividindo o quarto com duas moças que nao fazem questao nenhuma de me convidar até para tomar café juntas, eu nao acho que eu seja tão chata assim, fiquei muito chateada de me excluirem,nao sei o porque, talvez pela minha idade, pela minha expressão facil, dizem que eu tenho cara de brava,mas procuro sempre ajudar, procurei ser gentil, procurei manter yudo em ordem, mesmo asdim percebi que elas nao apreciam minha companhia, dá impressão que “não querem me carregar”, sinceramente tenho vontade de pegar minhas coisas e ir para minha humilde casa para companhia da minha velha mãe , meu pai e meus cachorros que são alucinadamente loucos por mim. Com mrus cães, me sinto a pessoa, abaixo de Deus, mais amada deste planeta.

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