Até quando vale a pena insistir?

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O relacionamento acabou. O outro disse adeus. Mas não é o que você quer. O coração reclama, as lágrimas rolam de saudade. Por que não tentar? Por que não voltar?

Quem ama sabe o quanto dói o fim do romance. O sonho sonhado a dois torna-se desejo de um só. Insistir parece ser tudo que resta. Tentar convencer o outro que é possível recomeçar.

As estratégias são variadas. Pedidos de perdão, promessas de tudo vai ser diferente, discursos de que vai mudar… Presentes, flores, cartinhas, surpresas no começo do dia… Recadinhos no email, no facebook, celular.

Uma bela história de amor pode acabar. E por motivos que nem sempre a razão explica. Por isso, quem ouve o “não quero mais viver com você” se surpreende, quer entender, voltar.

Os possessivos sofrem ainda mais. Não apenas pelo fim do romance, mas também pela expectativa que um outro alguém ocupe seu lugar.

A separação dói. E perder nunca é fácil. Fere, faz o coração sangrar.

Entretanto, por mais que machuque, insistir aumenta a dor. Intensifica. Retarda a cicatrização, mantém a ferida aberta.

Se o outro disse que acabou, é importante saber abrir mão, entender que “ninguém é de ninguém”. Vale sim procurar conversar, mas se isso não acontece, resta aceitar, respeitar. Sofrer com dignidade e retomar a vida. Não significa sair com a primeira pessoa que aparecer pela frente… Só para se distrair. Não é isso. Mas é permitir que o tempo cuide de sublimar a perda. O mesmo tempo vai trazer novas oportunidades e o sol voltará a brilhar, a vida ganhará novas cores.

Você para tudo para atender o outro?

Dividir as tarefas é uma das formas de aumentar a cumplicidade
Dividir as tarefas é uma das formas de aumentar a cumplicidade

Talvez este seja um dos grandes desafios na rotina de um casal. Embora seja uma forma eficaz de comunicar que se importa, que o outro é prioridade, pouca gente dá conta de parar tudo que está fazendo para atender ao outro. E, às vezes, nem se trata de ajudar de maneira prática em algo, mas simplesmente ouvir.

A pessoa amada deveria ser sempre nossa prioridade. O outro espera por isso. Amar é doar-se, é auxiliar, apoiar, ouvir. É colocar em prática o que por vezes parecem ser apenas palavras. Entretanto, não é fácil viver assim. Você está ali, concentrado, preparando um relatório. Tem prazo de entrega. Sente-se sob pressão. E aí, da cozinha, ela chama:

– Amor, vem aqui!

Qual a reação natural? Talvez não seja verbalizada, mas apenas alguns poucos sentem prazer de interromper a atividade, levantar-se e ir ver o que ela deseja. A maioria dos parceiros, quando razoavelmente bem intencionados, gritam:

– O que você quer, amor?

Sair da cadeirinha? Nem pensar. E, se deixa o trabalho, faz isso contrariado.

– Será que ela não está vendo que estou ocupado?

É provável que está. E sabe que é importante. Mas, naquele momento, ela quer se sentir mais importante que o trabalho dele. Se colocar tudo de lado, vai comunicar para a mulher algo que ela quer muito ouvir:

Estou muito ocupado, mas você é mais importante que tudo. Você é prioridade. Eu te amo!

Ocupados como estamos, não é fácil alimentar essas atitudes cotidianas. A gente sempre considera o nosso compromisso mais urgente. Tem prazo, hora pra acabar. E, na nossa cabeça, o outro deve entender, tem que esperar.

Embora isso represente um problema mais comum entre aqueles que estão casados, namorados também ignoram a importância de tornar a pessoa amada prioridade. Quando você cancela uma reunião para levá-la ao oftalmologista, está comunicando que ela é o que há de mais importante em sua vida. Ao deixar de ir a um jantar com as amigas para ficar ao lado dele enquanto se prepara para a prova do concurso, demonstra cuidado e desejo de estar junto nos momentos divertidos e também naqueles em que o tédio impera. 

Sabe, geralmente nos primeiros meses, a gente investe mais na relação. Faz questão de demonstrar carinho, atenção e dizer que o outro ocupa o primeiro lugar em nossa agenda, em nosso coração, em nossa vida. Porém, com o tempo, vamos nos acostumando… Afinal, o outro já está ali, conquistado. Esquecemos que o amor se renova a cada novo dia. E não basta dizer “te amo”, é preciso praticar este amor, transformá-lo em ações. E quem ama coloca o outro em primeiro lugar. Não estou dizendo de uma condição de servidão, mas de doação, entrega… e troca.