Pedagogia da reclamação

O aluno não é autodidata, carece do mediador
O aluno não é autodidata, carece do mediador

Vida de professor não é fácil. Na sala de aula ou fora dela. Entretanto, embora exista muita reclamação com a burocracia, o que mais escuto são lamentos pelo que acontece em sala de aula. O profissional reclama do aluno. Reclama da conversa, reclama do desrespeito, reclama do desinteresse, reclama da ausência de leitura, reclama do não cumprimento de atividades.

Do outro lado, a rotina do estudante não é nada divertida. As aulas seguem a lógica “giz e quadro negro” ou, no máximo, datashow com textos resumidos. Se o professor não escreve e/ou lê o tempo todo, fala o tempo todo. É maçante. E inúmeras atividades são solicitadas. O aluno tem dez disciplinas? Terá, no mínimo, dez trabalhos para fazer – além das aulas. Ele acha tudo chato, quer mudanças, deseja ser respeitado. Sem ser ouvido, prefere ficar trocando mensagens no celular ou navegando nas redes sociais.

O professor reclama; o estudante também. Embora ambos estejam insatisfeitos, não chegam a um acordo. Nem a insatisfação gera mudança.

Cá com meus botões, entendo que as duas partes têm falhado em seus deveres. Por ser professor, prefiro, neste momento, a autocrítica. Sinceramente, não gosto de ver colegas reclamando de alunos. Fico pensando: por que não muda de profissão? Entendo que enfrentamos problemas. E não são poucos. Mas aprendi que, quando o estudante percebe que o professor se importa com ele, a gente recebe de volta pelo menos um pouco de respeito.

Eles falam da gente pelas costas? Claro. Criticam? Certamente. Não são santos. Porém, acredito que é possível assegurar um ambiente mínimo para promoção do conhecimento. Além disso, não é nada produtivo ter esse conflito, essa espécie de “queda de braços” entre professores e alunos. Como haver aprendizado num ambiente como esse? Como produzir conhecimento se é transferido para o outro a obrigação de interessar-se pelo saber? O aluno deve querer aprender. Mas o educador carece de generosidade, deve ter vontade de partilhar, de estimular o desejo pelo saber.

Embora não acredite ser adequada a comparação, penso que, em alguns aspectos, o professor é como um pai. O filho (aluno) nem sempre quer fazer determinadas coisas. Também é birrento, briguento, arruma confusão, é desinteressado. O pai não desiste. Insiste, corrige quando necessário, alerta… Porém, não abandona o filho, não o deixa largado. O professor deveria ser assim. Não muda nada ficar reclamando, se lamentando, argumentando que “eles são todos iguais: um bando de desinteressados”.

Educar é persistir. É reconhecer que o saber se constrói por meio da interação. E interação acontece quando a gente se interessa pelo outro. Reclamar e abandonar o aluno a própria mercê só desgasta as relações e amplia as distâncias entre professor e aluno.

Sexo na adolescência

adolescente

Nunca é fácil falar sobre sexo. Principalmente, entre pais e filhos. Os pais, quase sempre, têm enorme dificuldade para tratar dos temas envolvendo a sexualidade. Por isso, são surpreendidos quando descobrem que os filhos já têm vida sexual ativa. E ficam ainda mais assustados e desorientados quando aparece uma notícia de gravidez.

Por mais que muitos pais queiram negar, a garotada inicia cada vez mais precocemente a vida sexual. Os dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam que, entre os meninos, 47% dos menores de 15 anos já tiveram a primeira experiência. Isto significa quase metade deles. Já o índice de meninas é de 33%. (Acho até que os números não traduzem a realidade; os percentuais talvez sejam maiores).

Isso acontece por várias razões. A mídia é uma delas. Vivemos uma cultura extremamente erotizada. Por conta dos desenhos, filmes, novelas, jogos e revistas para adolescentes, nossos filhos acabam tendo uma visão distorcida do sexo. Isso desperta neles o desejo sexual. E contra a natureza, nem sempre argumentos são eficientes.

A internet também facilita o acesso das crianças a conteúdos proibidos.  A molecadinha com oito, dez, dozenos vê fotos, vê vídeos pornôs disponíveis na internet. Sem orientação e monitoramento adequados, acabam estimuladas a reproduzirem o que “aprenderam” na rede.

Além disso, há pais que estimulam os filhos à sexualidade. Tem pai que ainda faz uso de ditados baixos como aquele: “prendam suas cabras, pois o meu bode está solto”. Esses homens acham bonito o filho ter fama de namorador, de pegador. Também existem mães que ficam orgulhosas de ver as meninas vestidas e maquiadas como moças, mesmo quando elas ainda têm apenas onze ou doze anos.

Sabe amigo, o contexto social colabora para a sexualidade precoce. E, por parte da sociedade, não é possível esperar mudanças. É utopia acreditar que voltaremos ao mundo da inocência. Entretanto, ainda é possível evitar surpresas desagradáveis. Mas isso depende muito dos pais.

E quando falo do comportamento ativo dos pais, não estou sugerindo um clima de aquartelamento em casa, com proibições absurdas, regras fora de contexto e punições exageradas. Falo da necessidade de confiança, capacidade de dialogar. Mas dialogar não é só fazer discurso, é fundamentalmente ouvir os filhos. E, hoje, os pais precisam estar ligados às novas tecnologias. Monitorar o que os adolescentes fazem na internet, o que falam no Skype, MSN, o que publicam no Facebook, Twitter é necessidade básica. Pais alheios a essas tecnologias certamente ficam de fora da vida dos filhos. Quase sempre são facilmente enrolados pela garotada. E, detalhe, essa ignorância nas tecnologias é muitas vezes a porta de entrada dos filhos para uma vida sexual precoce.