Quem é você para julgar?

Nossa primeira atitude deveria ser acolher, ajudar
Nossa primeira atitude deveria ser acolher, ajudar

Ainda ontem, enquanto lia antes de dormir, encontrei uma frase que ficou em minha mente.

– Quem é você para julgar o seu próximo?

O autor continuava a reflexão e dizia que, quando julgamos, nos colocamos no lugar de juiz.

Sabe, além de falar mal do outro, muitos de nós temos o péssimo hábito de julgar. Apontamos os erros, as falhas… Pior, não procuramos a pessoa que é alvo de nossos comentários. Não falamos com ela. Não a orientamos. Falamos para os outros. Espalhamos maldade.

O autor, ao alertar que assumimos a função de juiz, mostra que, se julgamos, fazemos isso porque nos colocamos numa posição superior. Olhamos para o outro como se ele fosse réu, indigno. E nós estaríamos “sem pecado”. Nos achamos melhores que o outro.

A adolescente ficou grávida do namoradinho? Que vagabunda!
O rapaz bebeu demais e bateu o carro do pai? Que irresponsável!
A moça foi reprovada na faculdade? Ela nunca estudava mesmo!
A mulher traiu o marido? Ela nunca prestou mesmo.
A amiga fez um aborto? Criminosa!
O homem pegou 50 reais do caixa da empresa? Bandido!

Sem conhecer os motivos, julgamos. Sem saber por que, rotulamos. Mais que isso… Muitas dessas pessoas terão que pagar por seus erros por anos e anos. Ficarão marcadas por muito tempo.

Por isso, o autor pergunta:

– Quem é você para julgar o seu próximo?

Eu gosto daquela história bíblica da mulher adúltera. Ela foi flagrada e seria apedrejada. Na tentativa de pegarem Cristo numa contradição, os judeus levaram a mulher até ele. Jesus olha para aqueles hipócritas e diz:

– Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra.

Ele deixava claro que ninguém é perfeito. Porém, também mostrava como deveríamos agir com as pessoas que erram. Acolher, aceitar, amar são os verbos que teriam que ser praticados. Preferimos, porém, afastar, distanciar…

Sabe, não somos melhores que ninguém. Muito menos quando apontamos o erro do outro. Ao julgarmos, nos mostramos egoístas, pequenos, maus. Ainda que não tenhamos na nossa lista de “pecados” o erro cometido pelo próximo, isso não nos coloca numa posição superior. Somos humanos, imperfeitos, iguais. Talvez nossas falhas de caráter não sejam demonstradas em práticas rituais, mas estejam ocultas no coração. 

É cruel ter prazer no pecado alheio. Deveríamos olhar mais para nós mesmos, cuidar da nossa vida. E, quando tratarmos do outro, estabelecermos uma relação de acolhimento, de tolerância, de perdão e até de auxílio. Quem cai pode até carecer de alguém que lhe mostre o erro, mas necessita muito mais de uma mão amiga disposta a levantá-lo. 

Anúncios

3 comentários em “Quem é você para julgar?

  1. Maravilhoso esse texto…Se cada um cuidasse de sua vida,nao teria tempo pra cuidar da vida alheia. Infelismente algumas pessoas se aproxima para ver de perto a nossa queda e as vezes ao sair deixa um buraco maior do que aquele que agente ja esta….mais Deus e maior de qualquer dedo apontado pra gente, ele sim pode nos julgar…Parabens Ronaldo,voce tem um jeito muito legal e diferente de mostrar a realidade no nosso dia a dia.

  2. Se observarmos no final da frase de JESUS para a adultera, ELE diz vai e não peque mais. A questao do julgamento é qual padrão para tal usamos. Se julgamos de acordo com o nosso padrão ou se julgamos usando um padrão superior que rege a sociedade.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s