Tempo para seu amor

tempo2

Existe uma diferença lamentável entre namoro e casamento: o tempo dedicado à pessoa amada. Quando a gente namora, namorar é verbo, é ação. Parece fazer parte de uma atividade rotineira, programada, pensada, elaborada. Ganha tempo na agenda. Está na lista como prioridade.

Se alguém nos convida pra sair, para uma reunião, a gente pensa:

– Ah… mas hoje eu preciso namorar.

Quando a gente casa, casamento é substantivo. Um lugar, o espaço ocupado por um homem ou uma mulher. Parece que o casamento é em si mesmo uma rotina de atenção ao parceiro. É como se  dormir e acordar ao lado de uma pessoa, dividir algumas refeições e visitar a sogra garantissem sentido ao relacionamento. Namorar torna-se passado, e casar… casa-se um dia só. No namoro, a gente pensa “vou namorar hoje” (olha o verbo em ação); depois do casamento, ninguém diz “vou casar hoje” (a ação acaba). O casamento parece um fim em si mesmo.

Quem para e pensa “Hummm… Hoje vou chegar em casa, tomar um banho, colocar uma roupa legal e convidá-la pra sair um pouco.”?

Não é raro o marido projetar: “Vou tomar um banho, colocar o pijama, assistir o futebol…”. Ele nem pensa nela. No máximo, imagina transar com a parceira quando for pra cama.

E se pensa, é porque a mulher pediu pra que passe no supermercado. E a reação mais leve é algo do tipo:

– Que saco!!!

A mulher não é muito diferente. Pensa nas coisas de casa, arrumar uma coisa aqui, outra ali, falar com uma amiga, dar uma passada na casa da mãe… E quando lembra do marido é porque tem umas caixas atrapalhando no quarto.

– Ele tem que levar aquelas caixas pra garagem ainda hoje.

É incrível como muda a dinâmica do romance a partir da oficialização do “sim”. Os casais investem em seus sonhos – casa própria, decoração, carro, viagens… Mas ignoram a importância do tempo dedicado ao outro.

Antes, passavam horas no telefone; hoje, as conversas giram em torno do trabalho e dos problemas domésticos. Antes, sair sozinhos era prioridade; hoje, a carreira ocupa todo o tempo…

O casamento não precisa mudar as pessoas, o jeito de tratarem do romance. Talvez alguém até argumente:

– O casamento tem muitas demandas. Não é a mesma coisa do namoro. Não dá para fazer as mesmas coisas.

Eu concordo. Não dá mesmo. A vida fica diferente sim. Algumas coisinhas desagradáveis que não faziam parte da pauta do dia a dia passam a fazer parte da vida a dois. Mas casou, não casou? Se disse “sim” é porque tinha prazer em cuidar e dar atenção ao outro, em ter rotinas de carinho, de atenção, de diálogo, de brincadeiras… E, teoricamente, sabia que as responsabilidades aumentariam. Portanto, não há  justificativa para se acomodar. Acomodar significa parar, estacionar o romance. E abrir mão do que há de melhor num relacionamento. 

Quem não dedica tempo ao seu amor perde o romance. Abre mão de ser feliz a dois e vive uma vida medíocre.

Anúncios