Síndrome do coitadinho

É preciso aceitar que a vida não é perfeita; os problemas existem
É preciso aceitar que a vida não é perfeita; os problemas existem

Até que ponto é bom falar sobre um problema? Será que, quando fala, a gente se liberta? Falar seria uma forma de extravasar?

Pensava nestas questões após esbarrar numa frase que vi no Facebook:

Se você quiser acabar com um problema, pare de falar dele.

Não gosto de silenciar problemas. Entendo que aquilo que nos incomoda precisa ser abordado, confrontado. Não dá para viver bem guardando os desencontros, conflitos, mágoas… Nos relacionamentos, quando a gente fica escondendo o problema, ele se avoluma, cresce. No entanto, existe diferença entre ficar falando de algo ruim e verbalizar um fato negativo visando resolvê-lo.

Mas… Voltemos aos questionamentos trazidos no primeiro parágrafo.

Existem alguns pressupostos básicos. Tem problemas que a gente resolve; têm outros que não conseguimos ou não dependem de nós. No primeiro quadro, a gente analisa a situação, identifica as possibilidades, traça as estratégias e executa-as. Ou seja, de forma objetiva, agimos. No segundo quadro, aceitamos, sublimamos. O princípio é simples e básico: “o que não tem solução, solucionado está”.

A gente vive a ansiedade constante pela felicidade. Como se tudo tivesse que ser perfeito, harmônico. Não, não é. Existem lágrimas, tristezas, decepções. Existem doenças, vícios, mortes. 

Não é fácil aceitar certas coisas. Não é divertido conviver com certos problemas. Entretanto, pense por um instante… Quem tem diabetes tem três possíveis caminhos: ignorar que tem a doença e antecipar a morte; segundo, viver se lamentando e também morrer mais cedo; terceiro, aceitar a doença, mudar hábitos (mesmo contrariando os desejos naturais), controlá-la e aproveitar as demais coisas belas que a vida oferece. Diante dos três quadros, quem tem chance de viver mais tempo?

Claro, optar pela terceira via não é tão simples. Mas é uma escolha. É uma atitude racional diante do que a vida lhe dá.

A lógica é a mesma diante de todos os problemas. Se você tem um filho dependente químico, ficar se lamentando o tempo todo só te faz sofrer mais. Você pode ajudá-lo; se tiver recursos, talvez encaminhá-lo para as melhores clínicas. Pode dedicar amor, carinho, atenção. Porém, a solução não depende de você. Ficar chorando no ombro da primeira pessoa que encontrar, questionando-se “onde foi que eu errei?” não ajuda nenhum pouco.

As dificuldades são inerentes à existência. Algumas coisas podem ser evitadas. Outras, entretanto, farão parte de nossos dias. Ninguém está isento. A diferença está na maneira como encaramos cada queda, cada tempestade ou problema que assola, que se instala em nossa vida.

É verdade que em certas ocasiões precisamos de alguém para nos ouvir e até nos aconselhar. Mas não dá para fazer disso uma rotina. E reclamar com o amigo, colega de trabalho, parceiro de estudos… Não dá. Chega a ser egoísta de nossa parte. Parece que queremos que o outro sofra o nosso problema. Sinta pena de nós. Ficar falando sobre coisas ruins não representa uma forma de extravasar. Pelo contrário, amplifica, alimenta o negativismo, o pessimismo e afasta as pessoas.

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