Relacionamento e memória

O presente se escreve com histórias do passado
O presente também se escreve com histórias do passado

Nossas ações e reações refletem as experiências vividas. A memória presentifica o passado e faz significar cada momento que experimentamos no dia a dia. Nada que fazemos, nada que recebemos está imune de sofrer o efeito do já vivido. Interpretamos tendo como referência o que passou, os sentidos anteriormente adquiridos. E os relacionamentos, muitas vezes, são vítimas do passado.

Não se trata de um desejo, de uma busca por lembranças. Mesmo histórias silenciadas, resolvidas afetam o romance. E isso acontece pelo inconsciente. Você esqueceu o outro, não sente, não ama mais. Não tem recordações que fazem suspirar. Porém, as marcas estão lá… E se fazem sentir nas suas atitudes e nas do parceiro atual.

Sabe aquele comportamento que tanto te irritava no ex e que você não suportava mais? Pois é… Um dia, o seu namorado reproduz. Nem é característica dele. É incomum. Entretanto, ele fez igualzinho. Você não lembrava que o ex agia daquele jeito. E nem lembrou do outro quando o atual fez a “bobagem”. Mas uma coisa você sabe. Ou melhor, você sente. Sente muita raiva, ódio. Tem vontade de esganar o parceiro. Quer socá-lo. A pessoa amada se assusta, não entende nada… Pede desculpas, mas  você segue irritada. Quer brigar, gritar… É o efeito da memória se fazendo sentir. 

Talvez tenha sido a primeira vez do “episódio” no relacionamento atual. Aparentemente, seria fácil desculpar, aceitar, tolerar. Mas a história se presentifica. E, pra quem sofre a ação negativa do parceiro, não é a primeira vez. Está lá na memória. Não havia acontecido com ele. Porém, na vida, é algo está inscrito, guardado, registrado. Por isso, não suporta mais. Não quer que se repita. Falta paciência, disposição para tolerar.

Dentro da gente a coisa funciona mais ou menos assim: o relacionamento passado se desgastou por conta de uma série de coisas que faziam mal, então a gente não quer mais experimentar “tudo de novo”. Claro, o coitado do parceiro atual não sabe nada disso. No entanto, ele vai “pagar” pelas coisas ruins que já foram vividas.

Não importa o quê serviu de “gatilho”. Pode ser a toalha jogada sobre a cama. Pode ser o prato sujo deixado na pia. Pode ser a camisa que ela queimou com ferro de passar. Pode ser a data do primeiro beijo que foi esquecida. Pode ser a falta de um presente no aniversário de namoro. Pode ser a resposta atravessada àquela pergunta que você fez por telefone. Pode ser o “não” que ela disse quando quis fazer amor…

Não importa o quê. Frustrações passadas, que causaram marcas, cicatrizes, dores profundas… a gente não aceita viver de novo, experimentar outra vez.  A pessoa amada pode até ter feito sem querer, mas vai sofrer as consequências das marcas que o passado deixou. E não dá para evitar a negatividade dessas memórias. Nem o efeito sobre o relacionamento atual. O que resta é dialogar consigo mesmo – para entender as motivações de certas reações – e com o parceiro – a fim de se prevenirem do retorno de comportamentos que despertam emoções que  incomodam e fazem sofrer.

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3 comentários em “Relacionamento e memória

  1. Boa noite professor Ronaldo, postagem excelente, creio que poderá ajudar muitas pessoas na reflexão de certos comportamentos e o porque deles. É bem assim que os fatos ocorrem, e muitas das vezes não nos apercebemos desta forte interferência da memoria nas nossas ações e reações!Parabéns!

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