Protestos no Brasil: quem nos representa?

protesto

Uma das coisas gostosas de ter filho adolescente é que eles nos fazem pensar. São capazes de fazer perguntas intrigantes. Meu garoto, com 16 anos, hoje questionou:

– E depois dos protestos, pai, o que vai acontecer? Quem vai atender as demandas dos manifestantes?

As perguntas surgiram após ele me ouvir falar no rádio sobre os manifestos realizados nas principais cidades do país.

A questão é complexa. Como disse no texto anterior, não dá para mensurar onde isso vai parar. Muito menos qual o fôlego desses protestos. Entretanto, embora entenda como fundamental os debates que estão sendo provocados pelos jovens, a dúvida que fica é exatamente esta: “e depois?”.

Pensando objetivamente sobre a política: quem nos representa? Ou, quem representaria as demandas trazidas pelo grito das ruas? Porque não dá para ficar no vazio. Alguma coisa precisa acontecer.

E o Brasil carece de mudanças estruturais, rupturas profundas. 

Os grupos políticos que comandam o Brasil são os mesmos há décadas. O PT é o que há de mais novo (e ainda assim reproduz velhas práticas políticas). Quem é Aécio Neves, o tucano que deve disputar a presidência? É apenas uma cara com menos rugas. Na verdade, é herdeiro de famílias políticas tradicionais de Minas Gerais.

Fala-se em Eduardo Campos como outro postulante ao cargo de Dilma. É outro nome jovem, mas de linhagem histórica. Ainda que desconhecido de muitos, o governador de Pernambuco é neto de Miguel Arraes, político que comandou aquele estado por décadas.

O que nos resta? Talvez Marina Silva. Ela nos representa? 

Os manifestos que ocupam ruas, avenidas, ganham mídia – inclusive internacional – refletem o que chamei de “síndrome do saco cheio”. Entretanto, para fazerem valer a máxima que tem sido estampada em cartazes – Desculpem o transtorno, estamos mudando o Brasil – é necessário garantir a apresentação de propostas, de soluções práticas. É fundamental criar lideranças, formar representantes… Ou estabelecer a vigilância, o monitoramento constante das práticas políticas. Do contrário, o movimento se esvazia em conquistas pontuais – redução da tarifa de ônibus aqui, melhoria de um serviço acolá… E o Brasil que sonhamos continuará sendo apenas isso: um sonho.

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4 comentários em “Protestos no Brasil: quem nos representa?

  1. Ronaldo,
    Espero mesmo que tudo isso não se resuma em belas fotos e videos.
    Penso que chegou a hora!
    O povo criou coragem, uma coragem que estava acomodada. Todos reclamavam mas permaneciam na sua, pois estávamos conseguindo “sobreviver”. Agora a coragem está sendo contagiosa. Eu passei o dia de hoje apreensivo, querendo mudança….
    Para mudarmos a coisa deverá ser RADICAL, não sei se será FÁCIL… mas o primeiro passo é acabar com todo o conceito que temos de governo. Acabar com toda a estrutura que temos de governo… REVOLUÇÃO? sim… a única solução será uma REVOLUÇÃO. Mudar a forma de governar.. pra quê tantos deputados? pra que salários exorbitantes? sim… acredito que toda profissão deve ser bem remunerada, se não ninguém pegaria a bomba, mas 35mil???? NÃO!!!!! é muita coisa!!!!. Não deposito a culpa apenas no atual governo… a culpa vem desde Cabral… aqui a coisa já começou errada….. Se depender de mim.. abdicarei de muitas coisas, para fazer com que essa UTOPIA se torne nossa REALIDADE… e se a faísca virar a fogueira que está tendendo… até o sangue valerá apena derramar….. nenhuma REVOLUÇÃO aconteceu pacificamente…. agora temos apenas duas alternativas… ou vai pro pau e muda de uma vez, ou aceita as pequenas mudanças… e aguenta mais 60 , 70 anos de corrupção para acordar novamente.

  2. País onde o voto é realizado pensando no que vai comer hoje, além dos currais eleitorais formados com algum tipo de auxilio, lideres gananciosos, incompetentes ou incomPTentes que estão no comando. Tenho duvidas sobre alguma mudança nas urnas, faço minha parte porem muitas pessoas são usadas de sua simplicidade com promessas de uma cesta básica, um vale “gaiz” ou até mesmo alguns galões de água.

    Sempre com um discurso decorado e abrangente, ligado a algum partido defensor de nobres ideais, alguns tem até capacidade de usar em suas frases “em nome da moral e dos bons costumes…” A sim, o “bom” costume de superfaturar obras e levar um extra, moral em definir o quanto ganha, acobertar crimes, legislar em causa própria, usar até mesmo a constituição para aprovar seus crime e ficarem impunes.

    Quer saber… larguem seus empregos, é só fazer amizade, ter contatos influentes e vamos ser candidatos a alguma coisa nas próximas eleições, afinal posso não ser bem votado mas a legenda de um candidato bem votado pode me garantir uma cadeira no legislativo.

    Não votei em qualquer candidato do PT porem pago a conta com todos, pagamos uma fatura onde é cobrada a falta de estrutura politica e social, com juros sobre a falta de educação e correção monetária exorbitante do despreparo politico, técnico e gestão.

    Valor total da fatura, calamidade, pobreza e frazes de efeito “País rico, é um país sem probreza”

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