Educação: números envergonham, mas não surpreendem

Passou da hora de parar tudo e rever a proposta de educação brasileira
Passou da hora de parar tudo e rever a proposta de educação brasileira

Os números são chocantes, envergonham. Mas não são novidade. Retratam uma realidade que tenho discutido aqui há muito tempo: a educação no Brasil está na UTI. Entretanto, acho corajoso o governo brasileiro colocar no seu site oficial de notícias os dados pra quem quiser ver, ler, refletir, criticar, sugerir.

Pra quem está “caindo de para-quedas” neste texto, vou explicar.

A 2ª Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização, a Prova ABC, divulgada nessa terça-feira, 25, trouxe alguns números:

Cerca de 55% dos alunos que estão no 3º ano do Ensino Fundamental não sabem ler nem interpretar um texto de forma correta;
Apenas um terço dos alunos dessa mesma séria conseguem somar, subtrair e resolver problemas com notas e moedas.

É de ficar assustado? Não. Qualquer pessoa minimamente envolvida com educação sabe que este problema é real, conhecido. O estudo só traz dados, números que deveriam nos fazer pensar. Afinal, de quem é a culpa?

Resposta simples: de todos nós.

Os pais não acompanham a rotina dos filhos na escola, não cobram tarefas, não dão exemplo como leitores, não monitoram professores, não participam das decisões da direção e coordenação pedagógica…

Os professores não lêem, não se preparam para as aulas, se acham vítimas do sistema e reclamam de tudo e de todos – governo, pais, alunos etc.

Os educadores – pensadores da educação – não estão em sintonia com a realidade social. Preferem ficar propondo modelos pedagógicos a de fato admitir que as propostas estão equivocadas e não estão funcionando.

Os coordenadores pedagógicos ignoram o drama de que está na sala de aula, pouco contribuem para romper com a burocracia e incentivar formas alternativas de ensinar.

Os diretores ficam fazendo política para permanecerem no cargo e não acompanham de fato a rotina de alunos e professores.

E as autoridades gastam tempo fazendo discurso de que educação é prioridade, mas aplicam mal o dinheiro, investem pouco no professor, não promovem políticas públicas sérias para desenvolvimento do setor.

Claro, existem exceções. Mas todas as exceções chegam a um denominador comum: gente interessada em educação é apaixonado, se envolve, se preocupa com o outro, assume suas responsabilidades e tenta fazer diferente. Não existe um único modelo bem sucedido de educação no Brasil que não reúna gente interessada, disposta, que assuma a educação como missão, não como obrigação.

Enquanto a gente não se comprometer de verdade, todos nós, esses números vão se repetir pesquisa após pesquisa.

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