Na segunda, uma música

Faz um tempinho que ela não grava nada novo – mas diz que tem música nova “no forno”. Também não aparece entre as cantoras mais lembradas. Entretanto, Luiza Possi faz parte da lista de intérpretes mais jovens que gosto bastante. Tem uma voz agradável, é bastante afinada, traduz beleza e leveza ao cantar.

A música desta segunda-feira faz parte do álbum “Bons ventos sempre chegam”, gravado em 2009. “Tudo certo” fala de amor. De um amor bom de se viver.

Você me faz bem,
quando chega perto,
com esse seu sorriso aberto.
Muda o meu olhar,
meu jeito de falar.
Junto de você fica tudo bem, tudo certo.

Claro, todo amor corre o risco de ter uma certa idealização. Mas ela reconhece isso.

Eu sei que vejo mais do que eu deveria
mas é que eu sou mesmo assim.

Importa, porém, que independente do dia e da hora, os corações se aproximam e estão sempre juntos.

Minha alma
Voa leve pelo vento e me leva até você.

E então… vamos ouvir?

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Fugir da verdade

fugir
De vez em quando desconfio que temos um botãozinho lá dentro do cérebro. Tem a função de desligar nossa memória todas as vezes que aprontamos alguma… É sério! Já notou que é só você apertar alguém que fez algo errado e logo o sujeito sai com essa:

– Verdade? Eu fiz isso? Não lembro. Não lembro mesmo.

Conhece alguém que tenha usado esse argumento?

Esse “esquecimento” quase sempre é conveniente. Ninguém gosta de ser confrontado com a verdade. Principalmente se ela tira a nossa máscara; se mostra a nossa face.

Embora as mentiras façam parte de nosso cotidiano – em alguns casos, até como estratégia de sobrevivência -, ser pego numa delas, geralmente envergonha (tem gente safada que nem fica vermelho mais, né? Mas essa é outra história). Quem tem um pouco de pudor, fica constrangido ao ter um de seus erros descobertos.

Por isso mesmo, parece que o botãozinho entra em ação, vai lá e desliga a memória.

Dizer que esqueceu é uma tentativa de manter as aparências, minimizar o erro. É como se a pessoa estivesse falando:

– Desculpa. Se eu fiz, foi uma bobagem; algo pequeno, rápido. Nem dei conta que estava fazendo algo errado.

De alguma maneira, o discurso é: “eu não sou assim. Este não sou eu”.

Quase sempre, o “esquecimento” não cola. Pode amenizar o fato, mas a fuga, evitar a verdade só retarda e pode, inclusive, acentuar a desconfiança. Porém, assim somos nós. Nossa natureza vacilante nos torna personagens; presos em nossas aparências. Sempre será mais fácil dizer: “não lembro”.