Médicos importados

medicinaPode não ter sido a primeira intenção do governo, mas uma coisa é certa: a quantidade de médicos existentes no Brasil virou pauta até de quem não entende nada do assunto. De um lado, o governo sustenta que faltam profissionais; do outro, critica-se a proposta de incentivar a “importação” de médicos do exterior sob a alegação que a saúde da população seria colocada em risco.

Cá com meus botões fico pensando: contar com médicos formados em países como Argentina, Cuba, Espanha etc deixaria o setor pior do que está? Não sei.

Tenho a impressão que a reação dos profissionais brasileiros é motivada, primeiro, pelo desejo de preservar o mercado de trabalho. O médico é quem tem o melhor salário e o maior índice de empregabilidade no país. Milhares deles se dão ao luxo de sequer atenderem por planos de saúde. Merecem mais reconhecimento? Claro, mas quem não merece? Engenheiros, advogados, arquitetos, jornalistas, administradores, enfermeiros… O que dizer então dos professores?

Os médicos reclamam que o governo paga mal. E os investimentos na saúde são precários, principalmente nas cidades do interior. Por isso, poucos aceitam trabalhar no Sus, em especial nos pequenos municípios. Ou seja, a culpa é do sistema. Não faltariam médicos.

Mas… Faço outra pergunta? Que profissional bem instalado numa cidade de médio ou grande porte, com renda acima de R$ 30 mil/mês, toparia ir para o interior ganhando, digamos, R$ 20 mil? E olha que esse é praticamente o dobro do salário que se paga no Sus na maioria dos municípios.

Quem está colocado, está num grande centro, recebe trezentos, trezentos e cinqüenta reais por consulta, não vai deixar seu consultório espaçoso, confortável para atender em postinho de saúde. O sistema paga mal? Tem fragilidades? Sim. Péssima estrutura? Sim. Mas o médico não se sujeita as condições oferecidas pelo Sus por tudo isso e porque o mercado profissional absorve praticamente todo mundo e oferece rendimentos bastante satisfatórios.

Na prática, hoje, neste momento, agora… não existe dinheiro no mundo que vá melhorar o sistema público de um dia para o outro e muito menos dobrar, triplicar salários. Ou seja, se não houver um “chacoalhão” na lógica atual, nada vai mudar. E isso precisa ser já. Não dá para esperar. Quem mora no Maranhão, Piauí… nas pequenas cidades, nas mais pobres, também carece de médico. O sujeito que está bem instalado aqui em Maringá, em Londrina, Curitiba, São Paulo… não vai mudar nunca para esses lugares.

Portanto, concordo que deva haver regras para trazer profissionais formados noutros países. Entendo inclusive que deveriam ser credenciadas as instituições estrangeiras que garantem qualidade mínima necessária a fim de manter controle sobre o currículo acadêmico e saber se atende a nossa realidade. Defendo que os novatos, quem vem de fora, deva ser “instalado” apenas nas regiões em que há maior demanda. Porém, algo precisa ser feito.

E, com efeito para médio e longo prazo, também penso que é preciso ampliar as vagas nos cursos de Medicina, em especial nos estados do Norte e Nordeste. Outra medida fundamental é criar a obrigatoriedade de quem se forma em universidade pública trabalhar no Sus durante um período de tempo.

Bem, não sou médico. Nem agente público. Certamente outras medidas são bem vindas. Entretanto, como cidadão, acredito que pensar sobre o assunto e defender o que acredito seja meu dever.

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