Ocupados demais

relogio

A gente vive assim, né? Nem todos, é verdade. Porém, agenda cheia parece ser o nosso jeito de viver. Eu confesso que gosto. Gosto da agenda justinha, organizada e tudo funcionando como um reloginho. E, por ter prazer em estar sempre ocupado, raramente me estresso (só não me peça para estar bem humorado). E ainda acho umas horinhas para as pessoas que gosto e para o exercício físico, fundamental para manter a saúde em dia.

Entretanto, noto que a rotina maluca tem roubado o prazer de viver. Muita gente passa o tempo todo sem sentir a passagem dos dias. Não consegue amar e nem se deixa ser amado. Sofre a pessoa, sofre quem está por perto. Falta um olhar, um toque, um abraço, um beijo… Tempo para uma conversa solta ou para acolher no momento de dor. 

Por que vivemos assim? Porque precisamos nos sentir produtivos. Não basta trabalhar seis ou oito horas por dia. É necessário se ocupar. Um freela, um segundo emprego, cursos, estudos… Quem está pouco ocupado, é visto como desocupado. Se o sujeito se contenta com um salário relativamente baixo, é visto como acomodado. Apontamos o dedo e dizemos que carece ser mais ambicioso. Tem que pensar no futuro, né? Melhorar de carro, de casa… Parece até que optar por uma vida humilde é aceitar ser medíocre.

Essa rotina toda, vista como normal e até necessária, é ilusão nossa. Criação nossa. Quem disse que precisa ser assim? Nós. Iludidos pelo consumo, norteamos nossa vida em busca de conquistas que resultem em melhoria da vida material, financeira. Experimentar algo diferente disso, escolhendo ter tempo para sentir a passagem do tempo, é reencontrar-se com um jeito mais simples, modesto de viver.

Na segunda, uma música

Dia de música… Na semana passada, ficou sem. Há momentos em que é preciso priorizar. E o blog deu uma pequena pausa nessas duas últimas semanas. Foi impossível conciliar atividade acadêmica e a rotina de atualização deste espaço.

Hoje, porém, trago uma canção. Uma canção para recomeçar. Para falar de um amor que não termina – como não termina meu amor pelo blog, pelo ato de escrever, de compartilhar ideias. Roberta Campos e Nando Reis interpretam “De janeiro a janeiro”. A música está na novela das 19h, da Rede Globo, Sangue Bom.

A suavidade de Roberta Campos se une ao talento de Nando Reis para falarem da promessa de um amor eterno.

Talvez você não entenda
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor, não será passageiro

E, num momento de emoções fugazes, não é nada fácil afirmar que amará de janeiro a janeiro até o mundo acabar. Tudo é passageiro. Gente é descartável. Por isso mesmo, relações assim são raras. Mas ainda parece existir quem ama e é capaz de dizer:

Olhe bem no fundo dos meus olhos
E sinta a emoção que nascerá quando você me olhar
O universo conspira a nosso favor
A conseqüência do destino é o amor
Pra sempre vou te amar

Para quem ainda sonha um amor assim, ou vive mais que apenas essa promessa, convido a verem e ouvirem “De janeiro a janeiro”.