Um convite para a vida

viver

Tem dias que os problemas nos consomem. Cansam, esgotam. A gente se sente péssimo. Perde-se a vontade, o desejo… Nada parece fazer sentido. Chega-se a imaginar que a vida é um grande vazio. Lembramos das rotinas, de tudo que fazemos repetidas vezes, e concluímos que a existência é muito chata.

Hoje, depois de ouvir uma pessoa lamentar pela “vida chata”, pensava nas sensações ruins que certos momentos nos trazem. Fiquei procurando elementos que podem acalmar o coração. Minutos depois, saí da mesa, percorri o corredor até onde fica o bebedouro. Enquanto aguardava encher o copo, olhei pela janela do prédio. Vi o céu azul, a copa das árvores, ouvi o ruído da cidade em pleno movimento. Observei as pessoas caminhando, alguns pássaros… Senti paz.

Parar por aqueles poucos instantes e simplesmente contemplar, me fez sorrir. O céu azul parecia agradecido porque eu o observava… Ele parecia convidar para o sossego, para uma pausa na agitação. Um pensamento percorreu minha mente:

– Tudo que a gente mais precisa é parar, descansar.

Não é descansar numa cama debaixo dos lençóis. É descansar das preocupações. Permitir-se viver. Viver é sentir. Sentir a natureza, sentir o toque, sentir o sangue pulsar.

Numa certa ocasião, Cristo falou aos seus seguidores sobre os problemas que geralmente ocupam nossa mente. Entre outras coisas, ele disse:

Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas?

E continuou:

Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles.

Ao olhar pela janela, vislumbrar tanta coisa bonita, ver a bela cidade onde moro, lembrei desse discurso de Cristo. Acho que Ele já naquela época nos convidava a desfocar um pouco dos problemas e se dar uma chance. Uma chance de contemplar, de sentir. Cristo diz “observem”, “vejam”. Quem hoje para tudo, investe tempo para simplesmente “observar”? Quem se dá ao “luxo” de ver? De sentir?

Nossos olhos contemplam a tela do computador, nossos olhos se fixam nas imagens em movimento da tela da TV ou do cinema. Nossos ouvidos escutam ruídos mecânicos, tecnológicos, sintetizados… Nossas mãos tocam botões, aparelhos… Nossas mãos tocam a pele de alguém apenas quando buscamos o sexo. Porém, ignoramos outras tantas formas de prazer que o tato – e demais sentidos do corpo – nos proporciona.

Talvez quando nos sentimos consumidos pela rotina, algo dentro de nós esteja a nos convidar a parar e simplesmente contemplar. Desligar-se das telas, desligar-se dos aparelhos, dos sons, sair dos ambientes fechados… Quem sabe sentar num banco de praça ou apenas abrir nossa janela e ver… Ver e sentir o mundo. A natureza nos acalma. Somos parte dela. Ela nos convida a viver. Uma vida mais simples… Num ritmo compassado, tranquilo.

O mundo natural nos ensina… Na natureza, cada coisa acontece no seu tempo. Cada ser ocupa-se apenas do que lhe cabe ocupar-se. E tudo acontece no seu tempo… Inclusive a vida ou a morte.

O Brasil precisa popularizar a Medicina

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Diante da repercussão a respeito do texto “Eu quero médicos ‘padrão-Cuba’”, acabei respondendo no Facebook os comentários de alguns leitores. Um aspecto que procurei ressaltar: meu texto não teve como proposta primeira discutir a vinda dos médicos cubanos. Posso garantir que não teria receio algum de ser atendido por eles. Até desejaria. Gostaria de conhecê-los e ter mais elementos para embasar meus argumentos sobre a necessidade de médicos “padrão-Cuba”. Porém, como isso não é possível…

Meu texto também não teve a intenção de apontar que não existe a necessidade de infraestrutura básica para se fazer medicina. Pelo contrário. O Brasil precisa sim de mais investimentos em hospitais, clínicas, postos de saúde, laboratórios… equipamentos. A tecnologia é ferramenta importante para o diagnóstico e tratamento de muitas doenças.

Meu questionamento, porém, é em relação à glamourização da profissão. Além do mais, entendo sim que a gente precisa de mais faculdades de Medicina. E há espaço para implantação e com estrutura adequada. Custa caro? Custa sim. Mas dá para ampliar o número de vagas nas instituições existentes. Também existem muitas faculdades particulares bem estruturadas e que poderiam estabelecer parcerias com hospitais de suas cidades, com unidades de saúde etc a fim de garantir a prática médica dos acadêmicos. Essa coisa de “não pode, não dá” é argumento vazio de quem elitiza uma área do conhecimento que precisa ser popularizada. Transformaram a Medicina numa coisa… Ela é quase inatingível – tanto para quem quer ser médico como para quem quer ter acesso a atendimento de saúde. Só se fala em dinheiro, dinheiro, dinheiro…

Convenhamos, mais da metade da demanda da Saúde não é especializada. É de gente que precisa de um médico para resolver problemas clínicos… E estes não necessitam de laboratórios de última geração – apenas de um médico disponível, alguém que as escute, que faça um diagnóstico através da observação atenta… As pessoas precisam de um profissional que olhem para elas, que falem, perguntem, escutem. Isso se faz com conhecimento médico e humanidade.

Veja a situação de nossas crianças… Cadê os pediatras? Eles são cada vez mais raros. Que médico quer ser pediatra? Quem quer ser clínico? Não querem porque há outras especialidades muito mais rentáveis.

Por isso, sustento sim a necessidade de popularizar o curso. Sustento sim a carência de mais profissionais. E principalmente de acabar com a lógica do médico distante do povo. Salários de oito, dez mil reais – pagos pelo SUS – não são ridículos. Representam renda digna e que atende plenamente as necessidades básicas – moradia, alimentação, vestimenta, educação e lazer – de uma família. Entretanto, pela reserva de mercado, médicos se formam – inclusive em instituições públicas, financiadas pelos nossos impostos – e se dão ao luxo de atenderem apenas por convênios e consultas particulares (que chegam a custar mais de R$ 300,00). Isso tem que amar.

PS, Como eu disse, não teria nenhum problema em receber atendimento dos cubanos. Eles podem até não ter toda a tecnologia disponível, mas metade do sucesso no diagnóstico e tratamento de um paciente passa pela escuta atenta por parte do profissional de saúde. E isso poucos profissionais de saúde brasileiros têm disposição de fazer. Medicina se faz sim com tecnologia, mas, no passado, muita coisa se resolvia sem a interferência de aparelhos e equipamentos modernos. As doenças não se tornaram tecnológicas… Dá para resolver muita coisa com conhecimento e boa vontade. Sem contar que a medicina mais eficaz ainda é preventiva. E esta não precisa de aparelhos.

Eu quero médicos “padrão-Cuba”

medicosA chegada de médicos cubanos constrangeu muita gente. Brasileiros estão acostumados com o glamour dos nossos profissionais de saúde. Eles fazem parte de uma categoria que ganha bem, tem bons carros, casas… No Brasil, médico tem status.

E os cubanos? São gente simples. Muitos são negros. E como nosso povo é preconceituoso, o médico de lá foi classificado por muitos como mal formado por ter “cara de pobre”.

É assustador!

Pois bem… Eu quero médicos “padrão-Cuba”. Tenho sim questionamentos a respeito da política do governo federal em trazer esses profissionais estrangeiros. Porém, não teria receio de ser atendido por eles. Pelo contrário. E defendo que está na hora do Brasil rever o conceito que tem do médico.

Conheço muitos desses profissionais, tenho carinho e respeito por muitos deles. Meu filho quer ser médico. No entanto, penso que médico tem que ser, antes de tudo, gente que gosta de gente. Tem que escolher a profissão não pelo carrão que vai ter na garagem, mas porque faria qualquer coisa pra salvar uma vida.

Por isso, sustento que o “doutor” precisa sim de um salário digno, mas essa profissão carece ser popularizada. O Brasil necessita dobrar, triplicar, quadruplicar o número de faculdades de medicina. Quem quer ser médico tem que ter vaga garantida. Temos que acabar com essa história de concorrência de 200 candidatos por uma vaga – ou mensalidades R$ 5 mil, se for estudar numa faculdade particular.

Médico tem que ser aquele sujeito que não tem medo de pobre, não tem nojo de pegar na mão de uma pessoa malcheirosa, não se sente desconfortável em ir até a periferia ajudar um idoso…

A lógica hoje está errada, invertida. O profissional de saúde se enclausura num consultório perfumado e, mal começa a atender, só falta instalar uma máquina registradora na recepção. Claro, existem exceções sim. Porém, o status parece ser parte do “pacote” que se deseja conquistar ao cursar Medicina.

Ps, Desculpem-me os que pensam o contrário. É só uma opinião. E volto a ressaltar, tem muita gente que ama medicina, faz por amor… Acredito nisso. Tem outros que fazem por amor e o status se tornou apenas um “plus” da profissão. Por isso, reproduzem o modelo glamouroso até de forma inconsciente. E o defendem, por se tratar do que é tido como “normal”. Talvez a chegada dos cubanos nos faça pensar que nem tudo é tão normal quanto aparenta ser.

Tem gente que destila maldade

amizade
Amigos que somam, que apoiam, aceitam e incentivam são raros

Pode não ser de forma consciente, mas tem gente que parece ter prazer em causar desprazer ao outro.

A pessoa está ali comemorando a compra do notebook novo. O outro vem e dispara:

– Hummmm… Vi num blog especializado que essa marca tem dado muitos defeitos.

Não satisfeito, emenda:

– E pior que não tem assistência técnica na região.

Você conquista o seu primeiro veículo zero quilômetro. É básico, simples. Mas é seu. Tirou da loja com cheiro de carro novo. O amigo olha e a primeira coisa que pergunta é:

– Tem ar condicionado?

Embora tenha ficado um pouco sem graça com a pergunta, tenta manter o sorriso no rosto. Mas o maldoso quer estragar de vez seu dia.

– Ah… em Maringá não dá, né? A cidade é quente demais. Se eu fosse comprar, fazia um esforcinho a mais e comprava com ar. Sem contar que, pra vender depois, dá muito trabalho. Hoje, todo mundo quer carro com ar.

O sujeito nem carro tem, mas coloca defeito na sua conquista.

Depois de uma semana de muito trabalho, seu projeto está pronto. Você se dedicou bastante, perdeu horas de sono. Achava que nem conseguiria concluir. Admite que tem falhas, mas está feliz porque fez o seu melhor. Então, compartilha com seu amigo. Mostra pra ele. Não quer avaliação alguma. Apenas está feliz. Quer dividir isso, compartilhar. Quem sabe ouvir um “Parabéns!!! Você conseguiu!”. Porém, o que escuta é bem diferente disso:

– Por que não colocou mais dados? Ah… você nem fez gráficos. Sem gráfico fica chato. Tem que ter imagem. Eu não gostei.

O sujeito acaba com sua empolgação. Justificando sinceridade ou disposição em ajudar, te entristece. Com argumentos, destrói o seu momento de prazer. Rouba sua alegria. Tira suas energias.

Tem muita gente assim (pior ainda quando está dentro de casa, né?). Pode não ter a intenção deliberada de fazer mal. Mas faz. É gente mal amada, infeliz, insegura, invejosa. Não tem empatia, não ama de verdade. É egoísta. Gente incapaz de comemorar a conquista alheia é gente que tem alma ruim. De gente assim devemos manter distância, porque energia ruim contagia. E contagia negativamente. Aos poucos, começamos a nos achar incompetentes, incapazes… Começamos a acreditar que nada que fazemos é positivo, é bom. Gente assim faz mal pra nossa autoestima. Infelizmente, gente assim raramente muda. Pra sobreviver a esse tipo de pessoa só resta nos afastar, fazer outras amizades – ou até encontrar alguém que nos admire e nos ame de verdade.

Na segunda, uma música

Vez ou outra nuvens negras surgem em nosso caminho. Parecem nos impedir de caminhar. Ficamos sem saber como agir, o que fazer, com quem contar. São os dias maus. Entretanto, nada é pra sempre. Pode demorar, mas em algum momento o sol volta a brilhar.

As nuvens negras que me cegavam foram embora
Será um brilhante dia de sol
Agora sim… a dor foi embora
Todos os sentimentos ruins desapareceram
Aqui está o arco-iris pelo qual tenho rezado
Será um brilhante dia de sol

A letra é de uma canção envolvente de Jimmy Cliff. O jamaicano, embora muito criticado por seu povo, abriu as portas para o reggae na Europa e no resto do mundo. Islâmico, sentiu-se perseguido e se mudou para a Inglaterra. Mesmo não tendo nenhuma canção de sucesso mundial desde a década de 1990, algumas de suas músicas são facilmente lembradas. Entre elas, a que escolhi para esta segunda-feira. “I can see clearly now” é uma música simples, mas faz a gente desejar que as nuvens se dissipem… E viva esse novo tempo:

Olhe à sua volta… não há nada além do céu azul
Olhe em frente, não há nada além do céu azul

Quem nunca fez uma grande bobagem na vida?

futuroDifícil, hein? Acho que todo mundo já fez alguma coisa que lhe causa vergonha. Mas a vida é assim. A gente aprende… errando. Recria-se a partir do erro, torna-se uma pessoa melhor (Claro, nem todo mundo evolui. Tem gente que passa a vida cometendo os mesmos erros, infelizmente).

Pensava nisso após ver uma notícia sobre a Xuxa. Um vídeo dela de 1983. Na época, a apresentadora era modelo e namorada de Pelé. No vídeo, ela dança dentro de uma espécie de taça trajando um biquíni. A filmagem ocorreu em Minas, no carnaval.

No passado, Xuxa também fez um filme com cenas eróticas. Quase um pornô. E contracenava com um adolescente.

A apresentadora já brigou muito na Justiça para recolher o filme. Sumir com todas as imagens. Ela nunca fala sobre o assunto. Agora, eis que surge esse vídeo com cerca de 5 minutos. As imagens devem incomodá-la.

Não sei se Xuxa se arrepende do que fez no passado. Dessa exibição pública em Minas. Nem do filme “Amor estranho amor”. Mas é certo que, hoje, ela se esforça para esconder parte do seu passado. É provável que, pela imagem midiática que construiu, gostaria de apagar esses fatos. Não dá.

Na vida da gente também é assim. Tem coisas que a gente gostaria de esquecer. Tem coisas que nos envergonham. Tem outras que, se pudéssemos, reescreveríamos. Pode ser um namoro desastrado, uma paixão imbecil… Quem sabe, algumas bebedeiras, comportamentos vulgares… Não importa. É bem provável que todos nós tenhamos algumas atitudes que não nos orgulham nenhum pouco.

Não sei se a Xuxa cresceu. Não sei se o desejo de apagar o passado é fruto de uma preocupação com a imagem midiática ou resultado de um genuíno arrependimento. Entretanto, a vida é cíclica. E a gente muda, felizmente. Tem sempre a oportunidade de crescer. Apagar o passado não dá. Mas é possível escrever o futuro. E este começa com as escolhas que fazemos hoje. Aprender com os erros cometidos pode ser o início de um outro momento que poderá nos orgulhar.

Por que não param de falar?

silencio
Os minutos em silêncio são muito preciosos

Amo o silêncio. Poucas coisas são tão preciosas pra mim. E gosto do silêncio. Gosto de me deixar envolver por meus pensamentos. Por isso, falo apenas o necessário. É verdade que, pelas profissões – jornalista e professor -, tenho o dever de falar. Entretanto, os minutos sem ruídos são os mais desejados.

Talvez por isso fico impressionado com a vontade que alguns têm de falar. Parece que algo interior as impulsiona. Uma espécie de medo do abandono, da solidão. Mal ficam sozinhas, já puxam o celular e ligam pra alguém. E ali conversam da bolsa nova que compraram até a cachorrinha que foi levada ao pet shop.

Ainda hoje, enquanto caminhava por três ou quatro quadras, notava várias pessoas ao celular. Uma delas, que estava pouco adiante, mal saiu do carro, tirou o aparelho do bolso e foi logo ligando pra uma amiga. A conversa era vazia. Não havia urgência. Apenas papo trivial. E em pleno horário de almoço. Quem ligou sequer perguntou: “pode falar agora?”.

Às vezes, caminho ou corro em volta do bosque. Ali noto gente que faz seus exercícios em dupla, trio etc. E também quem está sozinho. Sozinho não; com alguém no celular. E apenas papeando.

Tudo bem… Conversar faz bem. Ter amigos é a melhor coisa do mundo. Porém, não entendo essa urgência, essa necessidade de falar. Parece que ficar sozinho, em silêncio, é ruim. É preciso falar, falar, falar… Falar sem parar. As pessoas não parecem dispostas a se voltar para o interior. Não podem ficar a sós. Têm medo de se confrontar com seus pensamentos, de “dialogar” com eles.

Ligar para alguém para ser a saída, um escape. É como se não houvesse sentido no mundo sem ter o outro para ouvir. E quando não há ninguém para ouvir, encerra-se a alma com o som de uma música.

E enquanto a pessoa fala ou ouve as notas de uma canção, os medos, inseguranças, conflitos, contradições, sonhos e frustrações são silenciados. Verbaliza-se o jogo de cena, o personagem… Verbaliza-se a vida cotidiana, a fofoca alheia… E a vida interior segue escondida, guardada, desconhecida para o indivíduo que receia olhar para si mesmo.

O que seu filho vê na internet?

filhosDá trabalho ser pai. Não estou dizendo pai no sentido do gênero masculino. Muito menos do papel genitor. Falo da função educativa dos pais.

Dias atrás conversava sobre o assunto. Sustentava a tese que a vida da gente muda. E não apenas pelas horas de sono perdidas no meio da noite. Nem das vezes que se leva ao médico. Tampouco das despesas com roupas, alimentos etc. Muda porque, para a dinâmica funcionar, é necessário envolver-se, deixar de olhar para si mesmo e cuidar de um outro ser.

Essa tarefa não é nada fácil. A gente se ocupa demais da nossa vida. Por vezes, acha que “cuidar” é cuidar do material. Não deixar faltar nada. Colocar nas melhores escolas, oferecer inglês, natação… Garantir os brinquedos mais modernos. Alguns pais até demonstram afeto. Oferecem carinho, atenção.

Entretanto, hoje, isso não basta. Tem que envolver-se e participar do cotidiano dos filhos. Isso significa saber o que a molecada faz na internet.

Teve uma época que precisávamos saber o que os filhos assistiam. Hoje, é fundamental conhecer por onde navegam. Que sites visitam? Que vídeos vêem? Com quem conversam?

Nossos filhos não têm apenas acesso à rede. Eles dominam as tecnologias melhor que nós. Conhecem serviços que desconhecemos. Usam o computador, o tablet, o celular… Baixam programas, aplicativos. Quando paramos cinco minutinhos ao lado deles, ficamos admirados com a habilidade que possuem ao navegar. Ao mesmo tempo, assustados. E por medo do desconhecido, deixamos nossos filhos por conta deles mesmos.

Fora da rede, os consideramos crianças; mas, quando estão na web, preferimos ignorar o que fazem.

Sabe o que é pior? Quando descobrimos que fizeram algo que consideramos errado, disparamos a falar. Gritamos, discursamos, colocamos de castigo. Silenciamos a própria responsabilidade. Afinal, é a falta de orientação que leva nossos filhos a navegarem por portos inseguros.

Até jogos que os pequenos usam nos tablets podem abrir chats para diálogos com desconhecidos. Podemos confiar? Será que o risco é zero? Convenhamos, qualquer moleque com domínio tecnológico desenvolve um aplicativo e coloca na rede. E aí nossos filhos usam…

Não dá mais para ignorar. Precisamos acompanhar, vigiar. Não se trata de proibir. Mas de conhecer e auxiliar nossos filhos com diálogo franco, sincero.

Dá trabalho, né? Porém, é assim que funciona. Quem quer educar direito, deve envolver-se. Do contrário, não pode reclamar depois e ficar se lamentando “onde foi que eu errei?”.