Por que o outro não pode ser diferente?

diferentes
Deveríamos nos dedicar em promover a paz, a igualdade na diversidade

Não entendo a intolerância. A resistência ao outro. Não compreendo o prazer em humilhar o diferente. Enquanto navegava na rede, encontrei uma notícia sobre homossexuais agredidos por jovens russos. Os atos foram publicados na internet. Os rapazes gays foram, inclusive, obrigados a beber urina. Tudo filmado e colocado na rede.

Claro, houve reação em vários lugares aos atos de humilhação. Muita gente pede punição aos agressores.

Crimes como esses – e outros tantos cometidos contra homossexuais, prostitutas, negros, mendigos etc – não podem ficar impunes. A pena contribui para conter um pouco os impulsos criminosos. Evita a manutenção daquela sensação de que “pode fazer, porque nada vai acontecer”.

Mas o que me incomoda é a motivação. A punição não elimina o desejo de fazer mal.

Por que o outro não pode ser diferente de mim? Por que não posso aceitá-lo? Se não consigo amá-lo, por que não dou conta de pelo menos respeitá-lo? Por que preciso fazê-lo sofrer por não ser o que eu entendo como normal?

Na história da humanidade, esse tipo de comportamento sempre existiu. A nossa natureza má que se materializa em ações contra o outro. Quem é diferente nada fez contra a sociedade, mas o fato de ser diferente, parece uma afronta. Por isso, há o desejo de atacá-lo, até eliminá-lo.

Nessas horas, dá vergonha de ser gente.

Não é raro ouvir em rodinhas de amigos um e outro ridicularizando um colega de trabalho gay. A garota que é lésbica. O menino que fala errado. Se a piada já é um ato de pura maldade, torna-se incompreensível quando existe ódio. E o ódio transparece em ações como desses jovens russos. Também é declarado nos assassinatos de homossexuais que acontecem todos os dias no Brasil.

Eu não entendo isso. Não entendo o prazer em humilhar, o prazer em agredir, a vontade de extirpar. As vítimas são pessoas. Gente como a gente. Talvez não se encaixem no padrão da maioria. Mas e daí? Qual o problema?

Se me incomoda, se não combina com minhas crenças… preciso “convertê-lo”, mudá-lo, fazê-lo sofrer, eliminá-lo?

Cá com meus botões, resumo isso tudo como insegurança, medo, medo do diferente, intolerância, ausência de amor. Essas pessoas se colocam no lugar de um Deus, se acham justas e superiores a ponto de estarem revestidas do direito de “limpar” a Terra. Limpar do quê? Deveriam lutar por mais respeito, dignidade, aceitação, igualdade na diversidade.

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