Por que não param de falar?

silencio
Os minutos em silêncio são muito preciosos

Amo o silêncio. Poucas coisas são tão preciosas pra mim. E gosto do silêncio. Gosto de me deixar envolver por meus pensamentos. Por isso, falo apenas o necessário. É verdade que, pelas profissões – jornalista e professor -, tenho o dever de falar. Entretanto, os minutos sem ruídos são os mais desejados.

Talvez por isso fico impressionado com a vontade que alguns têm de falar. Parece que algo interior as impulsiona. Uma espécie de medo do abandono, da solidão. Mal ficam sozinhas, já puxam o celular e ligam pra alguém. E ali conversam da bolsa nova que compraram até a cachorrinha que foi levada ao pet shop.

Ainda hoje, enquanto caminhava por três ou quatro quadras, notava várias pessoas ao celular. Uma delas, que estava pouco adiante, mal saiu do carro, tirou o aparelho do bolso e foi logo ligando pra uma amiga. A conversa era vazia. Não havia urgência. Apenas papo trivial. E em pleno horário de almoço. Quem ligou sequer perguntou: “pode falar agora?”.

Às vezes, caminho ou corro em volta do bosque. Ali noto gente que faz seus exercícios em dupla, trio etc. E também quem está sozinho. Sozinho não; com alguém no celular. E apenas papeando.

Tudo bem… Conversar faz bem. Ter amigos é a melhor coisa do mundo. Porém, não entendo essa urgência, essa necessidade de falar. Parece que ficar sozinho, em silêncio, é ruim. É preciso falar, falar, falar… Falar sem parar. As pessoas não parecem dispostas a se voltar para o interior. Não podem ficar a sós. Têm medo de se confrontar com seus pensamentos, de “dialogar” com eles.

Ligar para alguém para ser a saída, um escape. É como se não houvesse sentido no mundo sem ter o outro para ouvir. E quando não há ninguém para ouvir, encerra-se a alma com o som de uma música.

E enquanto a pessoa fala ou ouve as notas de uma canção, os medos, inseguranças, conflitos, contradições, sonhos e frustrações são silenciados. Verbaliza-se o jogo de cena, o personagem… Verbaliza-se a vida cotidiana, a fofoca alheia… E a vida interior segue escondida, guardada, desconhecida para o indivíduo que receia olhar para si mesmo.

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Um comentário em “Por que não param de falar?

  1. As vezes até nossos pensamentos parecem imitar nossas conversas verbais, e vivem se repetindo num tipo de looping. E na maior parte das vezes não são nem pensamentos importantes. Eu estou vivendo um momento que até mesmo as conversas internas estão raras. Aonde isso vai me levar? Sinceramente não sei.

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