Eu quero médicos “padrão-Cuba”

medicosA chegada de médicos cubanos constrangeu muita gente. Brasileiros estão acostumados com o glamour dos nossos profissionais de saúde. Eles fazem parte de uma categoria que ganha bem, tem bons carros, casas… No Brasil, médico tem status.

E os cubanos? São gente simples. Muitos são negros. E como nosso povo é preconceituoso, o médico de lá foi classificado por muitos como mal formado por ter “cara de pobre”.

É assustador!

Pois bem… Eu quero médicos “padrão-Cuba”. Tenho sim questionamentos a respeito da política do governo federal em trazer esses profissionais estrangeiros. Porém, não teria receio de ser atendido por eles. Pelo contrário. E defendo que está na hora do Brasil rever o conceito que tem do médico.

Conheço muitos desses profissionais, tenho carinho e respeito por muitos deles. Meu filho quer ser médico. No entanto, penso que médico tem que ser, antes de tudo, gente que gosta de gente. Tem que escolher a profissão não pelo carrão que vai ter na garagem, mas porque faria qualquer coisa pra salvar uma vida.

Por isso, sustento que o “doutor” precisa sim de um salário digno, mas essa profissão carece ser popularizada. O Brasil necessita dobrar, triplicar, quadruplicar o número de faculdades de medicina. Quem quer ser médico tem que ter vaga garantida. Temos que acabar com essa história de concorrência de 200 candidatos por uma vaga – ou mensalidades R$ 5 mil, se for estudar numa faculdade particular.

Médico tem que ser aquele sujeito que não tem medo de pobre, não tem nojo de pegar na mão de uma pessoa malcheirosa, não se sente desconfortável em ir até a periferia ajudar um idoso…

A lógica hoje está errada, invertida. O profissional de saúde se enclausura num consultório perfumado e, mal começa a atender, só falta instalar uma máquina registradora na recepção. Claro, existem exceções sim. Porém, o status parece ser parte do “pacote” que se deseja conquistar ao cursar Medicina.

Ps, Desculpem-me os que pensam o contrário. É só uma opinião. E volto a ressaltar, tem muita gente que ama medicina, faz por amor… Acredito nisso. Tem outros que fazem por amor e o status se tornou apenas um “plus” da profissão. Por isso, reproduzem o modelo glamouroso até de forma inconsciente. E o defendem, por se tratar do que é tido como “normal”. Talvez a chegada dos cubanos nos faça pensar que nem tudo é tão normal quanto aparenta ser.

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