Medo de se machucar de novo

separarNão tem jeito: o fim de um relacionamento causa dor, faz sofrer. Alguns administram melhor a ruptura, o término de um romance; outros não. Mas existem situações que machucam mais. Seja por infidelidade do ex, seja por situações de humilhação… Ficam mágoas, tristezas. Por vezes, traumas.

O Facebook, que é uma rede na qual as pessoas expõem até a intimidade, é também espaço para identificar expressões de medo, de angústia pelo fim de um relacionamento ou por expectativas de um novo começo. Hoje, por exemplo, encontrei a frase que inspirou este texto. Um “amigo” postou:

– Estou com medo de me machucar de novo.

Não conheço a situação. Mas fiquei pensando… Há traumas que parecem nos impedir de prosseguir, criam barreiras, roubam expectativas e sonhos. A pessoa investe tanto, acredita, faz planos e, de repente, o “príncipe vira sapo”. O “amor de sua vida” se transforma em vilão, torna-se alguém que você já não reconhece mais. Impossível não se decepcionar.

Ninguém gosta de sofrer. Não é nada agradável ficar dias chorando por alguém que se foi. Não faz bem passar todos os dias em frente a um restaurante que te faz lembrar o ex. Não é bom encontrar amigos que tinham em comum e ver nos olhos deles expressão de pena. Por isso, quando um novo amor bate à porta, o medo vem junto. Ainda que essa nova pessoa pareça perfeita. A própria perfeição se torna assustadora. É difícil acreditar de novo.

Sabe, não tem receita. Não existe um jeito certo de começar de novo. Ter certa cautela é importante, porém não adianta se proteger demais. Ficar tentando obter provas dos sentimentos… Certos preciosismos no início de uma relação acabam por “cobrar a conta” depois. Sinceridade é sempre o melhor caminho. Dizer claramente “me magoei demais da última vez; podemos ir com calma?” é boa alternativa. Apenas acho que não dá para se fechar para o amor. Viver é arriscar. Quem não corre riscos, não vive.

Na segunda, uma música

A vida é mesmo confusa. Seria bem melhor se fosse mais simples, se a gente conseguisse dar conta de tudo facilmente. Porém, nem sempre depende de nossa vontade, de nossas forças.

Há dias… eu sinto como
Nada nunca dá certo
Às vezes, só dói muito

Quem nunca se afundou nos problemas? Quem nunca se sentiu desanimado?

Tenho um texto com o título “Quando a vida deixa de fazer sentido”. Embora tenha sido publicado há cerca de três anos, ainda é um dos mais lidos. Gente que entra no Google desesperado, chateado, sentindo-se um lixo acaba encontrando a publicação. Não encontra ali nenhuma resposta, mas pode perceber que sentir-se vazio é algo comum a todos nós. Sim, há momentos em que a vida se esvazia e parece não fazer sentido algum.

Talvez por isso ter fé, acreditar no divino, num ser superior faz tão bem. Renova as esperanças.

Mesmo quando dói
Mesmo quando é difícil
Mesmo quando tudo isso só se desfaz
Vou correr para você
Porque eu sei que você é
Amante da minha alma
Cura das minhas cicatrizes

A canção de hoje é da cantora e compositora americana Kari Jobe. Embora tenha uma carreira solo relativamente curta, Kari construiu seu caminho na música cristã em alguns grupos e corais.

Vamos ouvi-la? Cá está “Steady My Heart”.

Onde está o seu problema?

medo

Na maioria das vezes, na mente. Incorporamos, introjetados os problemas. Os desafios que nos consomem nascem em nós. Estão dentro de nós. E não fora de nós. É claro que temos problemas. Entretanto, qual é o tamanho deles? Nosso medo é a medida dos nossos problemas. É o medo que faz crescer, que os torna aterrorizantes.

Viver também é solucionar problemas. No entanto, por não acreditarmos em nós, por vezes nos encolhemos, nos sentimos frágeis, incapazes. Os problemas se tornam maiores do que nós.

É verdade que ninguém é forte o tempo todo. Fraquejar é ser humano. Entretanto, não dá para viver assustado. Tem gente que se encolhe diante de uma prova de faculdade, diante de uma conversa que precisa ter com o chefe, diante da crítica de um colega de classe… O medo transforma as pequenas barreiras cotidianas em obstáculos intransponíveis. Nos tornamos covardes. E a vida não perdoa covardes. Pune. Quem se coloca menor que os problemas perde oportunidades e até o amor de sua vida. Quem se apequena diante dos problemas aceita uma vida medíocre e nunca será feliz.

Na segunda, uma música

Minha filha adora música. Mas, além de ouvir, quando descobre alguma coisa diferente, ela precisa compartilhar. E não adianta tentar fugir. A mocinha vai rodeando, rodeando… tablet na mão e áudio ligado. Por mais que eu diga “ouço depois, filhinha”, ela fica ali com aquela carinha cheia de dengo e acabo cedendo. Foi assim que ouvi a canção que compartilho nesta segunda.

Aos meus heróis“, de Julinho Marassi e Gutemberg, é perfeita pra fazer pensar o momento que vivemos. Estamos sempre ocupados. Por vezes, não produzimos nada. Mas estamos ocupados com o quê?

Faz muito tempo que eu não escrevo nada,
Acho que foi porque a TV ficou ligada

É a TV, a internet… Tem sempre algo roubando nosso tempo.

A canção ainda mostra que nos acomodamos, deixamos de pensar. Em especial, as letras das canções deixaram de trazer um “algo a mais”. E faz um apelo:

Atenção DJ faça a sua parte,
Não copie os outros, seja mais “smart”.
Na rádio ou na pista mude a sequência,
Mexa com as pessoas e com a consciência.

“Aos meus heróis” também presta homenagem aos compositores do passado, gente que não apenas cantou e encantou, mas usou da arte pra falar de amor, da vida e da própria ação humana na construção de uma sociedade melhor. Vale a pena ouvir.

O que você valoriza?

casal
Não são os grandes feitos que preservam ou destroem um relacionamento. São as pequenas atitudes. Não adianta o marido dar um carro de presente de Natal e ao longo de todo o ano ignorar a esposa ou tratá-la mal. O valor do presente não garante um crédito para os outros 12 meses.

Cada dia é um novo dia e a delicadeza, a gentileza, a palavra de incentivo são fundamentais para alimentar o romance.

Dias atrás, escutei uma história que mostra o quanto os detalhes, as pequenas coisas fazem diferença. O marido chegou do trabalho, cansado e apressado. Ainda tinha que voltar pra empresa. A esposa tinha dado uma saidinha. Na mesa, havia pão e suco. Estavam abertos – fora da embalagem e sem tampa. Alguém tinha comido e esquecido de cobrir… Ou indicava que a pessoa voltaria para a mesa. Afinal, o filho do casal estava em casa. Enquanto comia, o marido notou que a lâmpada da lavanderia estava com problemas. Mesmo apressado, resolveu dar um jeito de trocá-la. Queria fazer um “agrado” para a mulher. Entretanto, esqueceu de colocar pelo menos um guardanapo sobre os alimentos. Quando ela chegou, ele estava no banheiro. Ela foi até a porta para reclamar que aquilo era relaxo, que deixar o pão e o suco abertos, de “qualquer jeito” era uma forma desprezo pelos outros que ainda iam comer, que isso só se faz com cachorros… Ele ficou quieto. Não ouviu nenhum comentário da lâmpada trocada. Apenas insultos por conta do esquecimento.

Não estou aqui para defender o sujeito. O marido poderia ter guardado tudo certinho. Mas, distraído ou não, ele fez algo pensando nela: trocou a lâmpada sem ela sequer ter pedido. Ele observou o problema e procurou se antecipar a uma situação que causaria desconforto.

Sabe, às vezes somos assim. Deixamos de valorizar o positivo e desgastamos o romance com críticas, insultos, palavras agressivas. O que a gente valoriza no dia a dia e nas atitudes do outro pode ser determinante para ter – ou não – um relacionamento feliz.

Na segunda, uma música

Há amores que parecem impossíveis. Por mais que exista desejo, vontade, querer… não dá para continuar.

Às vezes há um momento que você deve dizer adeus
Embora doa, você tem que aprender a tentar

É difícil porque isso acontece, mas entre as contradições da vida alguns amores não podem ser vividos, embora sejam eternos.

Eu sei que eu tenho que lhe deixar ir
Mas eu sei que em qualquer lugar que você vá
Você nunca estará distante
porque como a luz de uma estrela luminosa
Você continuará brilhando em minha vida

Amores assim permanecem vivos no coração. Podem não ser vividos na pele, mas se perpetuam na memória.

Aqui em meu coração
É onde você estará
Você estará comigo
Nenhuma distância pode nos manter separados

O tempo não pode levar embora o que nós temos
Eu me lembrarei de nosso tempo juntos
Você pode pensar que nosso tempo acabou
Mas eu ainda tenho você
Aqui em meu coração

Estas palavras estão na música “Here in my heart” de uma das bandas mais conhecidas de heavy metal e hard rock. Scorpions surgiu ainda na década de 1960 na Alemanha. A banda sofreu várias mudanças ao longo da história. E consagrou-se quando passou a fazer sucesso nos Estados Unidos.

Inovadora, chegou a gravar com a Orquestra Filarmônica de Berlim. E é deste álbum que trago a música de hoje. Com direito a um dueto incrível. Lyn Liechty é a convidada.

Sonhos que sonham juntos

sonhos
Não é fácil perpetuar um relacionamento. Entretanto, algumas atitudes ajudam. Entre elas, ter sonhos comuns. Os sonhos que se sonha junto com a pessoa amada são fundamentais e necessários para construir o “pra sempre”. Quando os sonhos são individuais, os caminhos se perdem, a distância se estabelece e, em algum momento, a separação acontece.

Dia desses ouvia uma história triste. Um casal que vive junto há mais de 10 anos pode se separar. Ela sonha com a casa própria. Quer um apartamento. Nunca escondeu isso do companheiro. Ele prefere status, carros caros, festas… Mostrar-se como um sujeito bem-sucedido é mais importante. Prefere pagar aluguel. E sempre ignora o sonho dela. Ele tem os próprios sonhos. A mulher está triste, chateada e já cogita voltar para casa dos pais.

Ter planos, projetar o futuro faz bem. Entretanto, quando se tem alguém, quando se pretende dividir uma vida com esse alguém, não dá para sonhar sozinho. É preciso dividir, compartilhar. Ter disposição para adotar os sonhos do outro… Em alguns momentos, negociar; noutros, abrir mão ou esperar… Quando se sonha sozinho, o outro deixa de fazer parte do futuro.

A arte de saber (não) falar

silencioTem gente que perde a chance de ficar quieto. Parece não pensar no que vai verbalizar e aí causa desconforto, magoa, entristece. Sempre digo que há momentos e momentos para falar. Em muitas ocasiões, o silêncio é oportuno. Pode proteger até mesmo um relacionamento. Não significa mentir, ocultar. Apenas escolher o momento certo e as palavras certas.

Dias atrás, estava num evento. No momento em que houve abertura para perguntas, um participante, que conhecia o organizador, fez uma crítica aberta a alguns detalhes da decoração. A decoração não estava em discussão. A decoração era uma gentileza de um grupo de pessoas que estava ali assistindo, inclusive. O constrangimento foi geral. O comentário foi deselegante, desnecessário, sem propósito.

Esse tipo de situação é comum. Acontece em reunião… Acontece no almoço da família… Acontece até quando a namorada dá um presente e o sujeito usa a ocasião para reclamar da comida que ela fez na semana passada.

Às vezes não há maldade. Não existe a intenção de fazer mal. Mas faz.

Saber falar, o que falar e como falar é uma arte. Por isso, se não for para dizer coisas boas, fechar a boca ainda é a coisa certa a fazer. A observação crítica, a orientação ou mesmo o lamento devem ser estudados e elaborados com cuidado, feitos no momento adequado. Nem isso garante que alguém não saia ferido. Entretanto, pelo menos, corre-se menos risco de se arrepender depois.