A gente só quer um dengo

Bom seria se preservássemos a inocência das crianças e não escondêssemos nossas carências
Bom seria se preservássemos a inocência das crianças e não escondêssemos nossas carências

Podemos até negar, mas somos carentes. Tentamos maquiar nossas carências, posar de bem resolvidos. Porém, é só fachada. Dentro de nós existe uma vazio enorme, uma vontade de sermos notados, queridos, amados. Necessitamos do toque, do abraço, da palavra, do elogio do outro.

Isso é natural. É ser humano. O problema é que, consumidos pela rotina, não temos dado atenção ao coração. Não olhamos pra nós mesmos e muito menos para o outro. Isso intensifica ainda mais nossas carências.

Talvez isso ajude a entender o gesto de um garoto que rendeu até vídeo na internet. De posse de um cartaz com duas frases bastante sugestivas, ele saiu as ruas. Ele queria algo básico: ser beijado. E dizia: “estou desesperado”.

O rapazinho mais parece um menino. Pode ser que nem estava tão carente de beijos. Quem sabe só queria aparecer. Afinal, impossível não virar alvo do olhar de centenas de pessoas. Entretanto, motivado pela necessidade de um carinho físico ou não, esse garoto foi às ruas para se sentir notado. E é isso que a maioria de nós deseja.

Alguns demonstram essa carência publicando fotos no Facebook à espera de conhecidos e desconhecidos que possam curti-las; outros passam horas e horas na academia tentando ficar bombados… Querem um elogio ou mesmo despertar inveja para o corpão. Tem quem demonstra carência encurtando a saia, aumentando o decote… Precisam dos olhares alheios.

Tem ainda os carentes que se mostram durões, decididos. No fundo, desejam ser admirados pela segurança. Tem aqueles que, pra se imporem, gritam, berram… Apenas demonstram o quanto não são amados.

Sabe, os homens, principalmente, pela cultura machista, tentam esconder as emoções. E muitas mulheres reproduzem essa visão machista e parecem desejar apenas os durões. Erram duas vezes. Primeiro, por afrontar a própria humanidade, por enganarem a si mesmos experimentando falsas emoções; segundo, porque a vida pede um chamego, um paparico, gestos gentis. Não é vergonhoso pedir um abraço, querer um dengo. O coração reclama afeto. Isso não é fraqueza; é ser gente. 

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