Educação das crianças: a verdadeira autoridade

avosÀs vezes algumas memórias “pegam” a gente. Hoje senti muita falta dos meus avós paternos. A saudade doeu um bocado. Embora nunca tenha vivido com eles, aprendi muito com seo Américo e dona Helena. Eram pessoas admiráveis, íntegras, corretas. Mas o que mais me fez pensar neles foi a autoridade que possuíam. Não lembro de terem gritado com alguém uma única vez. Nem mesmo com os netos. E todos os respeitavam.

Recordo que a gente nunca sentava à mesa antes deles. Também não rejeitávamos um único alimento que colocavam em nossos pratos. Reclamar de alguma coisa? Em hipótese alguma. Claro que algumas coisas que eles serviam não nos agradavam, mas nunca deixamos de comer. Claro que queríamos ligar a televisão, mas nunca faríamos isso sem que a iniciativa partisse deles. Fico pensando: por quê?

Eles nunca nos bateram, ameaçaram… Nunca gritaram com os netos. Mas eles falavam. E quando falavam, eram obedecidos. Simples assim. Eu não lembro de ter medo deles. Era, porém, inadmissível questionar o que diziam. Podíamos não concordar. Até achá-los antiquados. Entretanto, sentíamos emanar deles autoridade.

Sabe, eu poderia listar aqui uma série de mudanças na sociedade que mudaram a relação entre crianças e adultos. Entretanto, hoje não quero desenvolver nenhuma grande tese. Acho apenas que, apesar do mundo ter mudado, e não haver mais respeito nas relações, seo Américo e dona Helena continuaram sendo respeitados. A autoridade estava neles. Eles sabiam o que estavam fazendo. E tinham uma postura que impunha respeito.

Penso que nas relações entre pais e filhos, netos e avós parte dos problemas se dá pela ausência de reconhecimento dos papéis. Pais não sabem ser pais; avós não sabem ser avós; e, educados de qualquer jeito (quase sempre pela televisão, pelos jogos eletrônicos, computadores etc), as crianças também não sabem ocupar o lugar delas no mundo. Há uma inversão de valores. E os adultos tentam ganhar a obediência dos filhos no grito. Inseguros, mais parecem uns malucos. Dão ordens sem parar, repetem frases sem sentido… Irritam a molecadinha e deixam de ser ouvidos pelos menores.

As regras não são coerentes; as falas não são claras, as explicações são superficiais, as consequências dos erros são desconhecidas ou contraditórias (um dia o pai bate quando o filho erra; noutro dia, a mãe nem percebe o erro etc).

Seo Américo e dona Helena eram coerentes. Se pediam organização, a gente sabia o que era organização, porque a casa deles era organizada. Se apontavam que não se deixava louça suja na pia, a gente via eles usando o copo para pegar água e lavando em seguida. Eles davam o exemplo. Era fácil reconhecer os parâmetros. Estavam evidentes na prática de vida deles. No jeito de ser. Meus avós sabiam exatamente quem eles eram e qual o lugar de cada um deles, dos filhos e dos netos na dinâmica familiar. Direitos e deveres estavam claros. Era fácil fazer funcionar. Talvez falte isso hoje.

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