Na segunda, uma música

Ouço muito pouco Gal Costa. Porém, é inegável o talento desta baiana. Nascida em 1945, Gal é uma das melhores vozes da música brasileira.

Para esta segunda-feira, trago uma canção eternizada em sua interpretação. “Um dia de domingo”, de Michael Sullivan e Paulo Massadas, foi cantada por vários talentos de nossa música. Entretanto, pelo menos pra mim, é na voz de Gal que ganha sentido.

Eu preciso te falar
Te encontrar de qualquer jeito
Pra sentar e conversar
Depois andar
De encontro ao vento…

Quem nunca sentiu esse desejo? Quem nunca se pegou com o coração apertado, carente, esperando por alguém especial?

Eu preciso te tocar
E outra vez te ver sorrindo
E voltar num sonho lindo…

A saudade é um sentimento bom. Mas por vezes aperta o peito. Nessas horas, as palavras podem faltar. Mas uma música pode falar tudo que a gente gostaria de dizer.

Então… vamos ver e ouvir Gal Costa?

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Por que vale a pena persistir em nossos sonhos?

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Só quem persiste transforma sonhos em realidade. Não existe receita mágica. O universo conspira a favor daqueles que se esforçam, que trabalham. É verdade que alguns parecem ter tudo “de mão beijada”, são os que “têm sorte”. Entretanto, essa não é a regra. Nossos projetos se tornam reais quando estamos dispostos a lutar por eles.

Quando escrevi “A tristeza de fim de ano” e “Não dá para desistir antes de chegar ao final”, compartilhei ali argumentos que de alguma forma representam momentos da vida de muitas pessoas. Não é nada fácil olhar para o mundo e ver gente brilhando, conquistando e você se sentir um fracassado. E o mundo premia os vencedores. Portanto, todos os holofotes são para eles. Logo, se a gente não consegue, é impossível evitar a tristeza, a decepção…

A amiga está ali com o corpo deslumbrante, perfeito. Fez academia, tratamento estético, perdeu peso… Está deslumbrante. O colega de trabalho ganhou a promoção, trocou de carro, está negociando um apartamento novo… É o modelo de profissional bem sucedido.

Quando a gente olha para as conquistas do outro, nossos fracassos tornam-se ainda mais dolorosos. Entretanto, a medida do nosso sucesso não é a medida do sucesso alheio. Devemos ter nossas próprias metas. E estas dentro da nossa realidade. Devemos caminhar de acordo com nossos limites e tentar superá-los pouco a pouco. É assim que a gente vence.

Ter pressa nos leva a tropeçar. E às vezes recuperar-se do tombo é mais difícil que subir um degrau de cada vez (está aí o exemplo de Eike Batista, o brasileiro que queria ser o homem mais rico do planeta).

Não existe esforço sem resultado. E se o resultado esperado ainda não apareceu é porque é preciso persistir um pouco mais; significa que o caminho é mais longo do que imaginávamos, significa que é necessário um pouco mais de empenho.

Em 2004, eu tentei pela primeira vez o mestrado. No ano anterior, tinha saído da graduação como melhor aluno da faculdade. Eu tinha a melhor média entre todos os cursos. Sonhava com a vida acadêmica e, por isso, achei que estava preparado para ingressar na pós. Estudei, fiz meu projeto… Mas reprovei. Faltou um ponto. Aquilo mexeu comigo. Embora tenha começado a dar aulas pouco depois, relutava tentar de novo. Nos últimos três anos, porém, alguns amigos mais próximos começaram a insistir “você merece o mestrado”. Eu lembrava do fracasso e tinha a impressão que aquilo não era pra mim. Apenas no segundo semestre de 2012, fui realmente tocado a tentar.

Mais maduro, percebi os meus limites e fiz um planejamento. Não adiantava achar que meus conhecimentos eram suficientes para garantir a aprovação na primeira tentativa. Aceitei os sacrifícios e resolvi apostar em duas frentes, Educação e Letras. Participei do processo de seleção em Educação a fim de conhecer as políticas do departamento e para cursar como aluno especial; também busquei informações em Letras para fazer disciplinas na área… E trabalhei com afinco ao longo de 14 meses nesse projeto pessoal. Aos poucos, os resultados começaram a aparecer. Conquistei professores simpatizantes aos meus projetos, passei nas provas escritas… E, por fim, no início deste mês de dezembro, saíram os editais. Eu estava lá entre os aprovados e no topo das listas, em primeiro lugar.

O sentimento de ser aprovado nos dois mestrados foi especial. O esforço foi recompensado. Os anos de dúvida se eu era capaz, se eu dava conta trouxeram ensinamentos. Os questionamentos feitos por alguns de que eu era apenas um “atrevido” em sala de aula machucaram sim, mexeram com minha autoestima. Ter ouvido que eu apostava em tantas áreas e que por isso nunca seria bom em nenhuma delas também incomodou. As conquistas, no entanto, me ajudaram a perceber que não precisamos ser especialistas numa única coisa. Dá pra fazer bem feito medicina e direito, por exemplo. Mas isso tem um custo, é claro. É fundamental ter um foco, a meta deve ser clara. Não dá para se dispersar. Entretanto, vale a pena. Quando a gente acredita e se dispõe a pagar o preço, na hora certa a vitória vem.

Não dá para desistir antes de chegar ao final

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A caminhada para realização de nossos sonhos quase sempre é difícil

A tristeza que sentimos por nossos fracassos geralmente não é menor que o sentimento de que somos incapazes. A impressão é que “não fomos feito pra isso”. Tudo dá certo para o outro; nunca para nós.

Quando escrevi sobre “a tristeza de fim de ano”, apontei que é comum algumas pessoas ficarem abatidas em dezembro por não conseguir dar conta de seus projetos. Idealizaram coisas, mas não as alcançaram. E gente que não realiza é gente que se olha no espelho e vê ali um derrotado.

Sabe, tudo que a gente deseja conquistar de diferente daquilo que temos geralmente tem um custo maior do que estamos habituados a pagar. Não importa o que seja. Podem ser os quilos que a pessoa quer perder, a promoção no trabalho ou a mulher amada. O que se quer conquistar é visto como maior, algo que está para além do que facilmente se conquista. Por isso, torna-se objeto de desejo.

E, curiosamente, a maneira como é visto o “objeto de desejo” se confunde com a forma como a gente se vê. Se a gente acha que é muito maior que nossas forças, já criamos a primeira barreira. Ninguém alcança seu objetivo se não acreditar em si mesmo. Não significa ser prepotente, arrogante… “se achar”. Nada disso. É confiar que, com esforço, é possível. E a partir disso, estabelecer uma estratégia e executá-la pacientemente.

O preço por um projeto é proporcional à sua excelência. Muitas vezes nos acovardamos pela grandeza dos projetos e fugimos do preço exigido para cumpri-lo (Ricardo Gondim).

Uma das coisas que aprendi com atletas é que não existe vitória sem dor. Todo atleta convive com a dor. E aprende a lidar com os fracassos cotidianos.

Sei que, para quem espera uma promoção, ver o colega com menos tempo de trabalho conquistar a vaga, é doloroso, frustrante. Porém, desanimar não ajuda nenhum pouco. Embora seja desgastante, é a persistência que nos leva à vitória. Não dá para desistir antes do final. Apenas por que não deu certo, uma, duas… cinco, dez vezes significa que nunca dará certo?

Claro, é preciso ter foco. É necessário preparar-se. Se você deseja correr a São Silvestre, não dá para iniciar os treinos faltando uma semana para a corrida. Nem vai funcionar se treinar o ano inteiro, mas apenas correndo dois quilômetros ao dia. Quem quer cruzar a linha de chegada, deve estar pronto para ir além do limite da prova.

A grande jornada da vida exige unicamente que não desistamos de viajar. Se cruzarmos os braços, nosso barco veleja à deriva. Se nos negarmos a continuar, toda possibilidade futura desvanece e morre na praia do desespero (Ricardo Gondim).

Quando a gente desiste de nossos sonhos está desistindo da vida antes do tempo. 

A tristeza de fim de ano

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A tristeza ronda o coração de muita gente nesta época do ano. Embora seja um período de festas, dezembro também reclama reflexão. Refletir sobre nossos atos, sobre as conquistas, sobre os projetos realizados nem sempre deixa o coração em paz.

Costumo repetir que não se tem controle de tudo. Muitas coisas escapam. Por mais que se queira fazer, simplesmente não dá. A pessoa sonhou comprar um carro novo. Mas perdeu o emprego, passou três meses gastando as reservas financeiras.

A pessoa queria mudar de cidade. Estava tudo certo. Só não contava que a mãe pudesse ficar doente e precisar de ajuda, de cuidados.

Finalmente, o casal de namorados começaria a montar a casa, fazer os preparativos para o casamento. Porém, o rapaz acabou se envolvendo com outra garota e o relacionamento acabou.

Esses são exemplos de situações que a gente não tem controle. Acontecem e não há nada que se possa fazer. Nesses casos, não adianta ficar olhando pra trás e ficar lamentando os sonhos não realizados. A vida é mesmo assim: dura, difícil e, por vezes, injusta. Entretanto, parte da tristeza que sentimos por projetos não realizados poderia ser evitada. Se tivéssemos disposição para persistir, para prosseguir, para lutar mais um pouco… realizaríamos aquilo que idealizamos.

A inconstância é um dos nossos grandes problemas. A mulher começa o ano querendo perder peso. Porém, depois de duas semanas de dieta e algumas visitas à balança, desiste. Desiste porque idealizou perder dez quilos num único mês e tudo que conseguiu foram 500 gramas. Quando o fim do ano chega, bate uma tremenda frustração: ela está dois quilos mais gorda que no ano anterior.

O rapaz estava determinado a fazer um curso superior. Fez o primeiro vestibular que apareceu e entrou na faculdade. Sessenta dias depois, desistiu. Não se adaptou ao ambiente, achou tudo chato, tinha atividades demais e, para tirar boas notas, teria que abrir mão dos passeios nos fins de semana. Porém, agora olha pra trás e nota que desperdiçou o dinheiro das mensalidades pagas e segue sem mudar de vida.

Desanimar diante das primeiras dificuldades é um dos motivos para muita gente chegar nessa época e sentir-se triste porque teve um ano vazio. Entretanto, a inconstância muitas vezes é motivada por duas coisas: pressa e por não respeitar a própria personalidade. Quem tem pressa, não tem tempo para pensar direito. E ao não pensar, acaba por ignorar que certas coisas podem funcionar bem com outras pessoas, mas não com ela.

A pessoa que quer perder peso carece de um projeto de longo prazo. Se tiver pressa, vai se frustrar. Pode até perder peso. Mas a agressão aos próprios gostos será tão grande que logo voltará aos hábitos anteriores. Quem escolhe um curso superior sem refletir se gostaria de atuar naquela área, em pouco tempo vai se sentir mal e acabar desistindo.

Conheço gente que decidiu fazer academia para perder peso a qualquer preço. Entretanto, odeia aquela rotina de esteira, bicicleta, aparelhos, pesos etc etc. Quem faz isso, não vai dar conta da meta. Quando queremos fazer algo precisamos gastar tempo no planejamento… Precisamos identificar se estamos dispostos a pagar o preço, a trilhar pelo caminho que levará ao nosso destino. Eu posso ser louco para tocar piano, mas estaria disposto a estudar dez anos e investir várias horas do meu dia para executá-lo com beleza e maestria?

Portanto, em tempos de avaliação do que passou e de propor metas para o ano que virá, um pouco de calma e autoconhecimento podem evitar frustrações futuras.

Na segunda, uma música

A vida se faz de momentos. Momentos que pela sua beleza, singeleza… se tornam únicos. No amor e na vida, não se respira uma atmosfera de prazer e felicidade constante. Mas há pequenos gestos, há ocasiões que simplesmente não saem da memória. São momentos arrebatadores.

Um momento como este
Algumas pessoas esperam a vida inteira
Por um momento como este
Algumas pessoas procuram para sempre
Por aquele beijo especial

Quando isso acontece…

Tudo muda
Mas a beleza permanece

Sim… É intenso, é forte, é especial…

Algo tão carinhoso
Que eu não posso explicar
Bem, talvez eu esteja sonhando
Mas eu ainda estou acordada

Nessas horas tudo que a gente quer é tornar eterno aquele momento.

Nós podemos fazer esse sonho durar para sempre?

A música de hoje é muito bem vinda nesta época do ano. Acho que faz pensar na importância de mergulhar em cada oportunidade que a vida nos oferece… saboreando o gosto de um encontro, de uma toque, de uma vitória. Interpretada por Kelly Clarkson, vencedora da primeira edição do American Idol, a cantora é ainda bastante jovem. No Brasil, há algum tempo não temos nenhuma canção dela entre as mais ouvidas pelo público. Ainda assim, impossível não recordar de alguns de seus singles. “A Moment Like This“, que compartilho por aqui, é uma dessas grandes canções… A música chegou a entrar no Guiness Book por sua vendagem. Vamos ver o clipe?

O prazer de educar

Ano quase acabando e as atividades da faculdade do ano estão praticamente concluídas. A paixão pela sala de aula me faz sentir saudades de vir para o computador e preparar ou revisar a programação da semana. Afinal, domingo, pelo menos na vida deste professor aqui, é dia de trabalho. Faço isso há muitos anos. E com muita satisfação. Acho que não sei mais ficar à toa nesse dia da semana.

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Durante uma das bancas de monografia

Quando olho pro ano que passou, sempre me cobro bastante. Penso em tudo que ofereci aos meus alunos e é impossível ignorar os erros. E sempre encontro vários deles. Mas com os erros a gente tenta aprender. Não adianta ficar lamentando. Já foi. É reparar os problemas e focar no que vem por aí.

Entretanto, teve muita coisa legal acontecendo. Como trabalho com futuros jornalistas, em algumas disciplinas, a missão é prepará-los para o mercado profissional. E este ano fizemos muito. Produzimos várias revistas, vídeos criativos para a web, jornais para a internet, fizemos a cobertura dos protestos de junho em Maringá, mantivemos blogs de conteúdos alternativos, recuperamos a produção musical e cinematográfica das últimas décadas, viajamos pelas obras de pintores consagrados, descobrimos ações sociais que transformam a vida de pessoas fazem uso de manifestações artísticas… Foi show! Fico orgulhoso de cada ação que meus alunos desenvolveram.

E, para encerrar o ano, tive o privilégio de levar os acadêmicos Cínthia Carla, Elizabeth Pinheiro e Fábio Carlucci para às bancas dos Trabalhos de Conclusão de Curso com monografias elogiadas pelos avaliadores e reconhecidas com a nota máxima. Impossível não ficar orgulhoso deles, pois apenas os orientei. A produção foi deles, a nota foi mérito deles. Apenas procurei encaminhá-los da forma que acredito ser a correta: metodologia correta, distribuição adequada dos fundamentos teóricos e diálogo com a análise e/ou peça produzida. Deu certo mais uma vez.

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Elizabeth Pinheiro e Fábio Carlucci
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Cínthia Carla

Após todas experiências vividas ao longo de 2013, é impossível não ficar cheio de expectativas para o próximo ano. Quem serão os novos alunos? Que resultados vamos obter? E os erros cometidos, vamos conseguir evitá-los? Embora existam várias perguntas ainda sem respostas, o desejo sempre será o mesmo: fazer o melhor. Nem sempre é possível, mas não faltará disposição para tentar.

Dedico este texto a todos meus alunos, aqueles que já passaram por minhas aulas e a todos que amam a vida acadêmica. Obrigado por me ajudarem a crescer e me ensinarem tanto.

Para que nascemos?

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Acho que uma das grandes inquietações do homem é a razão de sua existência. Por que nascemos? Por que vivemos? Qual o sentido da vida? Por meio da religião, muitos parecem se encontrar e aquietar o coração. Outros tantos simplesmente não pensam; optaram por viver anestesiados. Divertem-se como se a vida se explicasse tão somente pelo prazer que se pode ter.

Eu também não tenho uma resposta. Todas que conheço permitem ser questionadas. Entretanto, gosto da ideia de que nossa existência se justifica coletivamente. Ou seja, pode até não explicar por que nascemos, mas ao menos aponta uma razão para a vida valer a pena. O premiado escritor americano Ernest Hemingway, na obra “Por quem os sinos dobram”, traz na fala de uma de suas personagens um pouco dessa beleza. Após ouvir o relato de um jovenzinho que teria perdido toda a família e seu lamento por expor tanta dor ao grupo de amigos, ela diz:

– Para que nascemos se não para nos ajudarmos uns aos outros?

O jovem estava constrangido por falar de mortes, de perdas para um grupo de amigos que também carregava consigo decepções, frustrações e familiares mortos na guerra. Todos ali tinham uma história de dor. Parecia que ninguém tinha o direito de chorar seus dramas. Afinal, o choro de um parecia não se justificar diante de sofrimentos supostamente ainda maiores vividos por outros. Ainda assim, a personagem de Hemingway sustenta: existimos para nos apoiar, para ajudar uns aos outros.

E, diante da incapacidade que muitas vezes temos de dizer alguma coisa, ela completa:

– E ouvir sem dizer nada é o menos que se pode fazer.

Sabe, relacionar-se não é fácil. Entretanto, é isso que nos faz humanos. Eu costumo dizer que não somos dependentes de um amor (ter alguém com quem dividir a cama) pra vivermos felizes. Mas precisamos de gente. Não é bom viver sozinho. E não se trata de ter alguém com quem dividir uma festa ou uma bebida. Trata-se de ser capaz de ajudar e ser ajudado, abraçar e ser abraçado… em todos os momentos. Algo dentro de nós reclama a presença do outro. A gente é mais feliz quando faz alguém feliz – ou está ali para enxugar uma lágrima, provocar um sorriso… 

Quando a gente vai no velório de alguém, dá pra perceber se a existência daquela pessoa valeu ou não a pena pelos depoimentos que se ouve. Não se trata de apenas escutar coisas do tipo “ele era tão bom”. Trata-se de perceber o quanto aquela pessoa se doou pelos outros. Familiares, filhos, amigos, colegas de trabalho, conhecidos e até desconhecidos circulam por ali com lágrimas nos olhos e lamento real pela perda de alguém que fez a diferença. Pessoas assim, quando se despedem da vida, parecem ter deixado marcas; marcas na vida de outras pessoas. Escrevem uma história que se estende para além delas. Não vivem isoladas do mundo; elas são o próprio mundo.

Acredito que gente assim pode até não ter entendido por que nasceu, mas certamente soube como e por que viver.

Queremos parecer melhores do que somos

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Anos atrás descobri uma nova síndrome. Trata-se da “síndrome da aprovação”. Primeiro preciso explicar: não se trata de nenhum transtorno psicológico. Também não é nenhuma uma doença. Mas certamente é algo que rouba a nossa vida e nos faz sofrer.

Vamos aos sintomas… Quando vai falar com alguém, você se preocupa com as impressões que a outra pessoa tem a respeito de você? Será você nunca se pegou falando algo do tipo: “Veja bem, eu não assisto muito televisão, mas ontem vi tal programa…”. Ou ainda, ao participar de um almoço na casa de alguém: “Olha eu não sou de comer muito, mas essa comida está tão gostosa que preciso repetir…”.

Se você se identificou, é muito provável o diagnóstico: você sofre da síndrome da aprovação. Eu vou mais longe. Quase todos nós sofremos dessa síndrome. Estamos sempre nos ocupando de controlar a imagem que os outros têm de nós. É por isso que nos justificamos tanto. Queremos sempre parecer mais simpáticos do realmente somos; queremos dizer que somos humildes; queremos parecer mais éticos, mais morais, mais cristãos… Enfim, queremos esconder nossas fragilidades. Temos medo de nossos defeitos. Por isso, fazemos um esforço enorme para que as pessoas próximas nos vejam como gostaríamos de ser.

O problema é que essa necessidade de ser aprovado pelos outros tira de nós a essência de nossa personalidade. Passamos a vida inteira ocupados em controlar o que as pessoas pensam a nosso respeito e deixamos de ser originais, autênticos.

Preste atenção, quase sempre nos vestimos imaginando a reação dos outros. Por isso, fazemos contas enormes, até quando não podemos, a fim de comprar um traje novo para ir a um casamento. Estamos preocupados em evitar a imagem de que só temos roupas velhas… Afinal, não queremos que ninguém nos veja com a roupa que estivemos na ultima cerimônia.

A gente tem que falar com alguém e até ensaia as palavras imaginando a reação. Se é algo mais complicado, se precisamos dizer “não” a um convite, ficamos projetando qual o tipo de reação da pessoa. Por conta disso, por vezes, mentimos.

A síndrome da aprovação está presente em quase todos os nossos atos. Quem vive debaixo da ditadura da imagem, só consegue ser autêntico quando está sozinho. Mas, como a gente passa a maior parte do tempo se relacionando com os outros, vive-se mais ocupado em justificar-se que experimentando e aceitando os verdadeiros limites.

Na verdade, por conta da necessidade de sermos aprovados, usamos uma máscara social praticamente o tempo todo. Isto nos faz mal. E tem aqui um outro detalhe muito importante:  quem passa a vida se justificando e tentando controlar sua imagem, perde a chance de realmente ser amado. Não vale a pena ser amado pelo que a gente aparenta ser… É bom ser admirado, desejado, querido pelo que a gente realmente é.

Ser autêntico, verdadeiro consigo mesmo, permite que a pessoa saiba quem são seus amigos. Ninguém gosta de conviver apenas com a miragem.