Machismo: a responsabilidade das mulheres

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Por que também não levar os meninos para a cozinha?

O brasileiro é machista. Não há dúvida disso. O discurso liberal de igualdade entre gêneros é só conversa. Nossas raízes culturais são fortes demais para nos livrar do olhar que temos para a mulher. E pior, elas não são diferentes. Muitas mulheres são tão machistas quanto os homens. Reproduzem essa cultura na essência, na forma de ver o mundo.

E, cá com meus botões, entendo que o problema começa em casa. No próprio ato de educar. Educa-se meninos e meninas de formas completamente diferentes. Quer um exemplo simples? É naturalizado que a garota ajude a mãe em tarefas domésticas; já os meninos frequentemente são preservados desses afazeres. O discurso básico é este: “é serviço de mulher”. Pobre da futura esposa… Vai casar com um sujeito que terá enorme dificuldade para tirar a bunda do sofá e ajudar a lavar uma louça.

Dias atrás conversava com uma família. Fiquei assustado com a dinâmica da casa. Pai e mãe trabalham fora. Eles têm duas filhas e um filho. As meninas ajudam nos serviços domésticos. Fazem comida, limpam, arrumam as camas. O garoto? Só estuda e joga com os amigos. Não é capaz de tirar o prato da mesa. E sabe quem é a principal responsável? A mãe.

– Tem as meninas pra fazer isso, diz.

Fica fácil entender por que, quando essa mulher está em casa, ela vai pra cozinha, faz almoço… lava roupas, tira do varal, dobra, guarda… E o marido? Assiste televisão. O mais engraçado (a gente ri pra não chorar) é que na hora da comida, ele sabe sentar à mesa e cobrar a refeição pronta. Se atrasa, reclama. As mulheres da casa estão sempre se movimentando; os homens, folgam.

Pra essa mãe e esposa, é natural isso. Afinal, é uma casa com três mulheres.

Essa mulher reproduz a cultura machista da sociedade brasileira. Ela entende que tarefas domésticas cabem ao sexo feminino.

Sabe, não acho isso normal. Não existe isso de serviço de homem ou serviço de mulher. E, convenhamos, o discurso machista também é reproduzido naquelas famílias que apontam que o homem até deve ajudar quando a mulher está muito atarefada.

Peraí… Ele deve ajudar por que ela está muito atarefada? Essa tese está errada. Ele deve ajudar porque a casa é de ambos. E os dois são responsáveis pelo funcionamento e organização do lar.

E sabe quando o homem aprende isso? Quando é criança. Quando a mãe não poupa o menino das tarefas de casa. Lavar louça, arrumar a cama, preparar uma comida, dobrar as roupas não torna um garoto menos homem. Pelo contrário, forma um adulto melhor, compreensivo e que se importa com a esposa.

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6 comentários em “Machismo: a responsabilidade das mulheres

  1. Republicou isso em "NÓ NAS TRIPAS !? " – by Anilia Franciscae comentado:
    Faço um espetáculo de teatro CORAÇÕES SOLITÁRIOS, baseado numa crônica de Rubem Fonseca, que consequentemente se baseou num livro de Nathanael West, que aborda justamente esse tema, de maneira irônica e muito satírica. Ao fazer uma apresentação no FESTIVAL DE MARINGÁ , na UEM, justamente num campus de ARTES CÊNICAS, participamos de um debate ao fim da peça e fui surpreendida por uma professora que “não entendeu” muito bem a crítica e tom do espetáculo e considerou nossa peça MACHISTA e PRECONCEITUOSA.
    Ora, a temática machista está no espetáculo não para reafirmá-lo ou idolatrar o tema, ao contrário, para fazer refletir, num humor crítico e ácido, muitas vezes pouco usado nos meios de comunicação de massa.
    O que me deixou mais chocada, foi o próprio preconceito da professora, QUE ERA COORDENADORA do curso de ARTES CÊNICAS, que achou que “realmente” a gente estava falando sério, quando os personagens se colocavam de maneira radicalmente escrota e machista contra as mulheres, esculachando as mesmas, dizendo que: mulher não sabe escrever, que só fazem o que os homens querem, e etc. Afirmações que lógicamente, inseridas ali tinham a intenção de provocar reflexão, já que a peça é ambientada nos anos 70, justamente na época mais contundente de liberação sexual e ativismos feministas com o surgimento das grandes escritoras como Virgínia Wolf e etc.
    O preconceito estava na cabeça dela tádinha, que se recusou a rir durante TODO o espetáculo, achando “feio” e “grosseiro” rir de situações realmente grotescas, porque nossos excelentes atores a convenceram de estarem atacando as mulheres verdadeiramente. (só que era teatro!)
    Enfim, depois de dois anos com a peça, esse episódio me vem na cabeça de forma muito curiosa. Ainda tenho dúvidas se DEVO EXPLICAR MELHOR que é uma sátira a nossa peça, ou se deixo como está. A informação é como uma arma: usada para o bem ou para o mal… bem como o entendimento dessa informação também.
    Por sorte, até os alunos da faculdade se colocaram em nossa defesa, entendendo a mensagem política da peça , que também faz uma crítica aos meios de comunicação de massa e a cultura massificadamente POP.
    Feliz ou infelizmente esse episódio aconteceu. O que no Rio de Janeiro é claro que soa em tom de BRINCADEIRA, FANFARRONICE em humor inteligente, no interior do PARANÁ, (Maringá) ainda pode soar como afronta, desdém e desrespeito às mulheres – que ainda devem ser muito desrespeitadas, violentadas e vilipendiadas em tal local, e podem se sentir OFENDIDAS , porque ainda não conseguem separar ALHOS de BUGALHOS, e sofrem em suas vidas privadas diversos ataques.
    É como fazer uma crítica de piada de gordinho para o gordo. Se ele não tiver com a cuca legal para entender que é uma crítica à piada, pode realmente ficar ofendido. Que situação ! Que país machista, realmente !

  2. Por isso escrevi um breve ensaio “O machismo das mães”. Ou seja, o machismo aqui e no mundo islâmico visivelmente mais machista começa com as próprias mulheres. Quando se tornam mães ainda reforçam tal machismo. As feministas que me perdoem, mas a denúncia e protestos devem ser tanto aos homens como as próprias mulheres.

  3. Olá professor, como vai?

    Gostei muito de seu texto, principalmente porque é um temas que mais discuto quando estou com minha família (lá também ocorre isso) e com os amigos. No entanto, também atribuo grande parte disso aos pais. Assim como as mães, eles possuem um papel fundamental na educação e, mais especificamente, na formação do caráter e na reprodução desta sociedade machista.
    Poucos homens refletem, como o senhor fez, sobre a forma como foram educados e como suas esposas e filhas participam da dinâmica familiar. Muitas vezes, a posição subalterna da mulher é agradável, mesmo contrastando com o discurso que emitem.
    Acredito que essa reflexão exige um senso crítico que muitos homens ainda não alcançaram, assim como muitas mulheres.
    Ouvi, diversas vezes, que por termos lutado pela igualdade de gênero o que conseguimos foi apenas mais trabalho. Concordo com isso em partes, pois a forma como conduzimos nossas relações amorosas e familiares nos levam a permanecer neste estado. No entanto, precisamos refletir, assim como os homens, a nova configuração familiar e os novos papéis que assumimos na sociedade em que vivemos. Não nos cabe mais reproduzir modelos que desvalorizem ou valorizem ao extremo um determinado gênero. É mais do que urgente refletirmos sobre isso…

    Obrigada pela reflexão!

    Adriene

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