A tristeza de fim de ano

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A tristeza ronda o coração de muita gente nesta época do ano. Embora seja um período de festas, dezembro também reclama reflexão. Refletir sobre nossos atos, sobre as conquistas, sobre os projetos realizados nem sempre deixa o coração em paz.

Costumo repetir que não se tem controle de tudo. Muitas coisas escapam. Por mais que se queira fazer, simplesmente não dá. A pessoa sonhou comprar um carro novo. Mas perdeu o emprego, passou três meses gastando as reservas financeiras.

A pessoa queria mudar de cidade. Estava tudo certo. Só não contava que a mãe pudesse ficar doente e precisar de ajuda, de cuidados.

Finalmente, o casal de namorados começaria a montar a casa, fazer os preparativos para o casamento. Porém, o rapaz acabou se envolvendo com outra garota e o relacionamento acabou.

Esses são exemplos de situações que a gente não tem controle. Acontecem e não há nada que se possa fazer. Nesses casos, não adianta ficar olhando pra trás e ficar lamentando os sonhos não realizados. A vida é mesmo assim: dura, difícil e, por vezes, injusta. Entretanto, parte da tristeza que sentimos por projetos não realizados poderia ser evitada. Se tivéssemos disposição para persistir, para prosseguir, para lutar mais um pouco… realizaríamos aquilo que idealizamos.

A inconstância é um dos nossos grandes problemas. A mulher começa o ano querendo perder peso. Porém, depois de duas semanas de dieta e algumas visitas à balança, desiste. Desiste porque idealizou perder dez quilos num único mês e tudo que conseguiu foram 500 gramas. Quando o fim do ano chega, bate uma tremenda frustração: ela está dois quilos mais gorda que no ano anterior.

O rapaz estava determinado a fazer um curso superior. Fez o primeiro vestibular que apareceu e entrou na faculdade. Sessenta dias depois, desistiu. Não se adaptou ao ambiente, achou tudo chato, tinha atividades demais e, para tirar boas notas, teria que abrir mão dos passeios nos fins de semana. Porém, agora olha pra trás e nota que desperdiçou o dinheiro das mensalidades pagas e segue sem mudar de vida.

Desanimar diante das primeiras dificuldades é um dos motivos para muita gente chegar nessa época e sentir-se triste porque teve um ano vazio. Entretanto, a inconstância muitas vezes é motivada por duas coisas: pressa e por não respeitar a própria personalidade. Quem tem pressa, não tem tempo para pensar direito. E ao não pensar, acaba por ignorar que certas coisas podem funcionar bem com outras pessoas, mas não com ela.

A pessoa que quer perder peso carece de um projeto de longo prazo. Se tiver pressa, vai se frustrar. Pode até perder peso. Mas a agressão aos próprios gostos será tão grande que logo voltará aos hábitos anteriores. Quem escolhe um curso superior sem refletir se gostaria de atuar naquela área, em pouco tempo vai se sentir mal e acabar desistindo.

Conheço gente que decidiu fazer academia para perder peso a qualquer preço. Entretanto, odeia aquela rotina de esteira, bicicleta, aparelhos, pesos etc etc. Quem faz isso, não vai dar conta da meta. Quando queremos fazer algo precisamos gastar tempo no planejamento… Precisamos identificar se estamos dispostos a pagar o preço, a trilhar pelo caminho que levará ao nosso destino. Eu posso ser louco para tocar piano, mas estaria disposto a estudar dez anos e investir várias horas do meu dia para executá-lo com beleza e maestria?

Portanto, em tempos de avaliação do que passou e de propor metas para o ano que virá, um pouco de calma e autoconhecimento podem evitar frustrações futuras.

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5 comentários em “A tristeza de fim de ano

  1. Parabéns Ronaldo Nezo! Através da indicação de um amigo, conheci seu blog. Como é bom fazer leitura de textos que nos edificam, nos fazem refletir sobre situações do cotidiano. Avaliar nossas atitudes frente algumas realidades. Que 2014 seja repleto de realizações e que continue escrevendo textos, que ajudem pessoas se reconhecerem e mais que isso, as impulsione a enfrentar realidades, se superando sempre. Abraço

  2. Excelente texto, mestre. Eu mesmo, entrei na academia, paguei dois meses e dá para contar nos dedos quantas vezes eu fui. Somente depois de ter uns problemas de saúde, que resolvi procurar uma nutricionista e planejo voltar à academia após as férias. Pois, também não quero arrebentar meu joelho novamente nos aparelhos, como fiz anos atrás. No mais, aconteceram coisas boas e fico orgulhoso disso.

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