Os pais e o mico no Facebook

filhos_internetMonitorar as atividades dos filhos na internet é obrigação de todos os pais. Entretanto, existe uma diferença entre ver o que a molecadinha anda “aprontando” e fazê-los pagar mico na rede.

Defendo que a gente precisa ficar de olho na vida online da garotada. Eles dominam as tecnologias melhor que os adultos. Entretanto, não possuem experiência e nem discernimento. É fácil fazer bobagem na web. Eles podem publicar o que não deve e até interagir com gente de moral duvidosa. Por isso, não dá para deixá-los soltos.

Acontece que muitos pais confundem esse monitoramento com ficar curtindo, compartilhando e/ou comentando o que os filhos publicam na rede. Pior, fazem isso acrescentando frases do tipo “filhinho da mamãe”, “que orgulho de você”, “orgulho da mamãe”, “olha que coisa mais linda!”. Desculpa aí, mas não dá.

A molecadinha sente vergonha da gente até quando sai do carro para entrar na escola. Evita abraço, beijo… qualquer demonstração de afeto. E na rede? É mega mico!!!

Alguns filhos chegam a bloquear os pais do Facebook, deletar comentários… Claro, os pais ficam chateados, magoados… Sentem-se rejeitados. Porém, é a única maneira da garotada se sentir um pouco mais independente.

Eu sei que os pais se orgulham dos filhos. Querem verbalizar isso, demonstrar o quanto amam, admiram etc etc. Por isso é difícil entender que eles se sintam tão mal com nossos “carinhos” em rede. No entanto, esse é um comportamento típico da infância e da adolescência. Não é um problema com o Facebook. Nem com os pais. Quando se tornam adultos (em especial, após terem filhos), chegam a rir dessas bobagens, da vergonha que sentiam. Contudo, por enquanto… é assim mesmo.

Alguns deles se sentem desconfortáveis até com a publicação de fotos, vídeos etc no perfil dos pais. Os pais querem exibir seus filhos, mostrar aos amigos… Muitos ainda estão descobrindo o gosto pelas curtidas, pelos comentários. E adoram quando uma amiga escreve: “seu filho é lindo!!!”, “ela é sua cara!!!”, “como estão crescidos”… Com raras exceções, a moçadinha não gosta disso. E vale respeitá-los. A gente até pensa “mas não tem nada a ver”, “ai… que moleque chato”. Porém, da mesma forma que gostamos de ter nossa opinião respeitada, é importante entender que se trata de uma fase. Vai passar. Não custa esperar. Isso faz bem pra você e para o relacionamento com seus filhos.

Na segunda, uma música

Quando você nasceu
Os anjos suspiraram encantados
Eles nunca pensaram que poderiam ter uma visão tão bela

Com estas palavras, Beyoncé inicia a música “God made you beautiful“. Trata-se de uma das mais declarações de amor de uma mãe para uma filha.

Você me traz de volta à vida, de volta à vida
Você faz tudo dar certo
E o seu amor brilha tão forte
Deus te fez linda

É verdade que filho dá trabalho. Também é verdade que pode nos tirar do sério. Porém, nos completa e nos faz ser melhores do que somos. Um filho nos humaniza, nos ajuda a romper com nosso egoísmo, nos ensina a viver em sociedade.

Eu beijo esses pequenos pés e vejo seu sorriso perfeito
E espero chegar, a visão do mundo em seus olhos
Eu senti amor, encontrei paz do tipo mais puro

Mais que uma letra arrebatadora e singela, “God made you beautiful” tem uma melodia encantadora. Vamos ouvir?

Beto Richa e o efeito de verdade

betorichaNa política não vale o que o governante ou legislador faz, mas o que aparenta fazer. E quem consegue validar o discurso como expressão da verdade junto ao eleitorado se mantém no poder. Para isso, entre as estratégias estão o marketing político, a simpatia, a empatia, a linguagem fácil.

Desde a posse do governador Beto Richa, noto sua habilidade no diálogo com o paranaense. Embora faça uma administração fraca, ele conseguiu “colar” o discurso de que pegou um estado falido e o governo federal não lhe repassa recursos. Portanto, o que o Beto deixa de fazer é culpa de Roberto Requião e do governo petista – em especial, por conta da provável candidatura de Gleisi Hoffmann.

O efeito de verdade é obtido a partir de fragmentos da realidade. Por exemplo, é fato que o Paraná teve dificuldades financeiras no final do governo Requião. Os problemas que o atual senador teve com seu sucessor, o vice Orlando Pessuti, reforçaram a tese de que o Estado estava falido.

No caso da relação entre o Paraná e a União, problemas nas contas do Estado (coisas técnicas que o eleitorado dificilmente vai entender) afetaram a liberação de vários empréstimos e também o repasse de recursos ficou comprometido. Além disso, o corpo técnico de Beto é ruim; faltaram projetos junto aos ministérios para liberar mais dinheiro. Somando isso a pouca disposição do governo federal em facilitar (pois quer assumir o poder por aqui), de fato os petistas mandaram pouco dinheiro para o Paraná.

Ou seja, os argumentos de Beto Richa resgatam parte dos fatos. Isso garante às meias verdades aparência de verdade. Com a simpatia que lhe é peculiar, empatia junto ao público, postura segura, linguagem popular e um bom marketing político, muita gente reproduz o discurso do governo paranaense. Já escutei de gente simples frases do tipo:

– Tadinho do Beto. Ele é tão legal! A Gleisi é que atrapalha tudo. Não ajuda o Paraná.

A Gleisi de fato não ajudou. Porém, isso faz parte do jogo político (não estou dizendo que deveria ser assim). Se tivéssemos um governador petista e um presidente tucano, não seria muito diferente. O que o governo Beto silencia é sua pouca eficácia na gestão do Estado. Maringá, por exemplo, durante a administração Silvio Barros, era oposição aos petistas. Ainda assim, proporcionalmente, foi o município brasileiro que mais recebeu recursos da União. E Silvio assumiu a prefeitura com restos a pagar da administração anterior, falta de certidões que inviabilizavam empréstimos etc. Porém, mudou isso ao longo dos anos. Um governo competente,  poderia ter feito o mesmo no Paraná.

Na prática, Beto Richa sustenta sua popularidade por meio do discurso. O que ele diz parece ser a verdade. Assim, mantém a aprovação do eleitorado e entra no último ano de gestão ainda como favorito à reeleição.

Na segunda, uma música

Talvez pouca gente lembre desse nome: Joan Baez. A artista norte-americana completou 73 anos no último dia 9. Descoberta nos anos 1960, ela ainda faz show. Estará no Brasil em março. Vai cantar em Porto Alegre, Rio e São Paulo.

Dona de uma voz agradável e músicas de forte crítica social, Joan Baez foi uma das responsáveis por tornar Bob Dylan conhecido do grande público. Considerada uma das cantoras populares mais conhecidas nos Estados Unidos, por meio das letras, procura conversar com quem ouve suas canções e vez ou outra fala de Deus, como autor da vida.

A música de hoje, Forever Young, pede a bênção do Divino… a juventude. E deseja em que a verdade seja a tônica da vida.

Que você cresça para ser justo
Que você cresça para ser verdadeiro
Que você sempre saiba a verdade
E veja as luzes ao seu redor
Que você seja sempre corajoso
Fique em pé e seja forte
Que você fique jovem para sempre

A canção tem uma letra maravilhosa. É uma declaração poderosa de quem deseja o bem e a felicidade para alguém…

Que suas mãos estejam sempre ocupadas
Que seus pés sejam sempre rápidos
Que você tenha uma base forte
Quando os ventos das mudanças voltarem
Que o seu coração seja sempre feliz

Vamos ouvir? Também sugiro ler a tradução de Forever Young. A letra é belíssima.

Ginástica cerebral

ginastica_cerebroEu sempre soube que precisamos exercitar o cérebro. Mas desconhecia que, por natureza, ele era acomodado. Pois é… Nosso cérebro é preguiçoso.

Achei bem interessante essa tese. Conheci numa entrevista com a psicóloga Mariângela Maestri. A teoria justifica muita coisa. Inclusive por que a gente gosta de rotinas. Por exemplo, se toda vez você fosse ao supermercado e as prateleiras estivessem em lugares diferentes, como se sentiria? Provavelmente, ficaria incomodado e deixaria de frequentá-lo.

Você já reparou que a gente troca as marchas do carro sem pensar nisso? Ou, ao passar pela mesma rua de sempre, um dia descobre que um prédio novo surgiu “do nada”? (Claro, o prédio estava sendo construído, mas nem percebemos).

Isso acontece porque o cérebro tem a tendência de aprender algo e, a partir disso, criar uma espécie de rotina. É como se a gente tivesse que atravessar uma mata virgem… Teríamos que desbravá-la, criar um caminho. Se fossemos voltar, pegaríamos o caminho já percorrido.

O que a gente costuma dizer como “é mais fácil assim” é uma espécie de resposta do nosso cérebro aos desafios cotidianos. Não significa que é mais fácil. Apenas que quer fazer do jeito conhecido. É o costume. Depois que se acostuma com certas coisas, rotinas e gostos, o cérebro entra numa zona de conforto. É por isso que a gente cozinha do mesmo jeito, dirige do mesmo jeito, trabalha do mesmo jeito e, em alguns casos, até “namora” do mesmo jeito.

O cérebro quer trabalhar numa “área” que ele gosta (ou melhor, que aprendeu a gostar). Isso faz a gente entender por que, ao entrar num site de notícias, nosso olhar parece atraído para aqueles assuntos mais fáceis de serem compreendidos – fofocas das celebridades, esportes… De certa forma, durante nosso desenvolvimento, aprendemos a gostar desses temas – também por exigirem menos reflexão. Então a tendência é que se faça tudo igual… Todos os dias.

Essa também é a razão de nos chatearmos quando temos que estudar (ler um texto, por exemplo) uma teoria que não nos atrai. Não é que nos falte capacidade para entendê-la; o cérebro é que não quer sair da zona de conforto.

Como mudar isso? Desafiando-nos diariamente. Recebemos vários estímulos o tempo todo. Geralmente respondemos aqueles que nos atraem (pois já estamos acostumados). Entretanto, precisamos criar outros estímulos. Por exemplo, vez ou outra trocar as coisas de lugar – pode ser a gaveta de meias, cuecas, calcinhas… O lugar onde guardamos calças, blusas, camisetas. Também podemos transitar por lugares diferentes enquanto vamos para o trabalho, escola, restaurante etc. Dá para evitar comprar e comer sempre nos mesmos lugares…

Além de provocar estímulos diferentes por meio de mudanças nas rotinas, também podemos assistir filmes e programas de gêneros diferentes, ler sobre assuntos que desconhecemos… São coisas pequenas, mas que provocam o cérebro, ajudam a tirá-lo do automático.

Vantagem disso? Essa “ginástica cerebral” atua sobre os neurônios. A chamada “neuroplasticidade” é a capacidade que o cérebro tem de ampliar suas funções, de modificar-se. Portanto, quando a gente exercita o cérebro, melhora a concentração, a disposição mental, a criatividade, amplia o conhecimento e ainda contribui para prevenção de doenças mentais como a demência. Bom, né?

Pra mudar de emprego

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Mudar de emprego é o sonho de muita gente. Recentemente uma pesquisa mostrou que cerca de 64% dos brasileiros gostariam de trabalhar noutra empresa. Os motivos são bastante conhecidos: salário, ambiente e chefe.

Penso que ganhar mais é o desejo de todo mundo. Entretanto, vários estudos já mostraram que um bom ambiente de trabalho, um chefe humano, motivador e capaz de reconhecer os talentos de seus colaboradores ajudam a segurar o profissional na empresa. Ele pode até não ganhar bem, mas se o ambiente for agradável, as pessoas com as quais trabalha forem legais… dificilmente vai pensar em trocar de emprego.

Entretanto, quem quer mudar precisa reunir algumas qualidades. Tem muita gente insatisfeita, mas que não reúne competência nem para ficar onde está. É incrível isso. O sujeito é um profissional medíocre, mas se acha a “última bolacha do pacote”. Reclama de tudo. Entretanto, não devolve quase nada para a empresa e ainda trata mal os clientes. Basta dar uma espiadinha no comércio… Não seria difícil ouvir da boca daqueles atendentes ridículos das lojas que querem mudar de emprego. Porém, raramente são capazes de nos receber bem. Se você fosse empregador, contrataria essas pessoas?

Costumo dizer que nós gerenciamos nossa carreira. Quem quer mudar de emprego, qualifica-se. E, além de qualificar-se, comporta-se como vencedor. Gente que reclama de tudo é gente que atrai o fracasso. Porém, agir como vencedor não é ser arrogante ou prepotente. É ser otimista, perseverante, ter metas realistas, reconhecer suas fragilidades e se esforçar para superá-las. Os mais jovens, principalmente, nem sempre têm a humildade de aceitar que precisam aprender. Querem atropelar as etapas da vida, ignorando que o conhecimento se forma também com a experiência e a maturidade.

Portanto, entre o desejo de mudar de emprego e efetivamente conquistar algo melhor existe certa distância. Mas que pode ser superada. Basta querer e ter disposição para pagar o preço.

Tempo para pensar

pensarNão apenas para pensar, mas também para acalmar. Um dos erros de muitos casais é tentar resolver tudo na hora. Acontece um descompasso, uma briga e já tentam resolver. Se estiverem de cabeça quente, a chance de se magoarem aumenta muito.

Eu defendo que nada deve ser silenciado. Se o casal teve um problema, precisa conversar, dialogar. Entretanto, quando se está muito irritado, não é possível ter um diálogo.

Diálogo é quando a gente consegue falar, mas, principalmente, ouvir. E isso… no tom de voz natural.

Tem casais que, após um mal entendido, não dão conta desse tipo de comportamento. Ficam estressados e, ao insistirem em conversarem, vão perdendo o controle das emoções. Em pouco tempo, até coisas do passado voltam à pauta e atravessam esse novo momento. Vira uma confusão. Logo estão gritando. Pra voltarem ao normal, dá muito mais trabalho.

Por isso, entendo que faz bem esfriar a cabeça. Não é uma regra sem exceções, claro. Não precisa valer para todas as situações. Entretanto, é uma coisa um tanto óbvia. Muita gente negligencia essa “estratégia”. Prefere continuar ali… insistindo. Não dá. Tem que parar. Se a confusão for cara a cara (estiverem juntos), vale dizer:

– Vamos continuar essa conversa daqui a pouco?

E aí dá uma saidinha, ouve uma música, assiste um programa na tevê… Quem sabe, faz uma caminhada, dá uma volta de bicicleta. Mas… separados. Se o descompasso for por telefone, também vale agir da mesma maneira. Claro, o outro precisa entender, respeitar; o outro deve compreender que a atitude visa preservar o casal. Não é uma fuga. Apenas uma maneira de esperar o momento certo pra conversarem. Por isso, tem que ser algo já acordado previamente entre o casal. Tem que estar combinado. Detalhe, também não é pra guardar, fazer outras coisas juntos e retomar. Isso não funciona. Vai ficar incomodando, distanciando. Como você vai sair pra jantar com a pessoa amada se está com um problema? Ninguém vai curtir, se divertir. O “tempo pra pensar” é pra esfriar, acalmar… retomar onde pararam, mas com equilíbrio emocional.

Saber esperar, respeitar o tempo do outro para colocar as ideias no lugar é saber preservar o relacionamento, evitar mágoas e garantir uma vida feliz para o casal.

Ainda os médicos cubanos

medicoComeço achar que o problema é preconceito. Depois de toda crítica que o governo Dilma recebeu pelo lançamento do programa Mais Médicos, os resultados apareceram e desestabilizaram até mesmo a oposição. Entretanto, ainda hoje encontro gente se apegando a pequenas coisas para questionar principalmente o trabalho dos cubanos.

Dias atrás, encontrei um blog para apontar possíveis erros nos procedimentos desses médicos. Puro preciosismo. Cheguei a pensar: e se a gente criasse um espaço para questionar os profissionais brasileiros? Aqueles que mal olham pra cara do paciente? E as indicações erradas de medicamentos? Ah… convenhamos, né?

Outro dia vi no Facebook uma nota sendo compartilhada para reclamar de gastos com hotéis onde se hospedam alguns desses médicos. Essas mesmas pessoas que não perdem tempo na crítica não fazem as contas, não verificam qual o número de pessoas hospedadas, quanto custaria aluguel equivalente, valor normal de diárias etc. Simplesmente criticam.

Sabe, eu ainda me incomodo com a maneira como aconteceu a contratação. Não me agrada o repasse do salário para uma organização que faz, posteriormente, o pagamento para os médicos cubanos. Fica a impressão que o governo brasileiro financia o governo cubano. Entretanto, essa foi a forma encontrada para trazer esses profissionais para o país. E trazê-los está mudando a realidade da saúde pública.

Até mesmo a grande imprensa tem se rendido aos resultados. E, apesar de certa resistência ao governo Dilma, trazem reportagens curiosas com relatos comoventes. Em cidades do norte e nordeste do país, gente que nunca tinha atendimento médico chega a se ajoelhar para agradecer aos cubanos. Os pacientes relatam que são tratados com carinho, respeito, humanidade. Gente, estamos falando do SUS. Atenção, cuidado… no sistema público. Isso não tem preço, caríssimos. No postinho, o povo está acostumado a ser recebido como se fosse cachorro de rua.

Por isso, não consigo entender quem ainda critica a presença dos cubanos entre nós. Sim, parece preconceito. Querem dizer que há outros problemas no sistema? Concordo. Mas quem precisa de saúde, precisa primeiro de um médico que acolha, olhe, ouça, atenda. Então, que sejam muito bem-vindos os cubanos!