Beto Richa e o efeito de verdade

betorichaNa política não vale o que o governante ou legislador faz, mas o que aparenta fazer. E quem consegue validar o discurso como expressão da verdade junto ao eleitorado se mantém no poder. Para isso, entre as estratégias estão o marketing político, a simpatia, a empatia, a linguagem fácil.

Desde a posse do governador Beto Richa, noto sua habilidade no diálogo com o paranaense. Embora faça uma administração fraca, ele conseguiu “colar” o discurso de que pegou um estado falido e o governo federal não lhe repassa recursos. Portanto, o que o Beto deixa de fazer é culpa de Roberto Requião e do governo petista – em especial, por conta da provável candidatura de Gleisi Hoffmann.

O efeito de verdade é obtido a partir de fragmentos da realidade. Por exemplo, é fato que o Paraná teve dificuldades financeiras no final do governo Requião. Os problemas que o atual senador teve com seu sucessor, o vice Orlando Pessuti, reforçaram a tese de que o Estado estava falido.

No caso da relação entre o Paraná e a União, problemas nas contas do Estado (coisas técnicas que o eleitorado dificilmente vai entender) afetaram a liberação de vários empréstimos e também o repasse de recursos ficou comprometido. Além disso, o corpo técnico de Beto é ruim; faltaram projetos junto aos ministérios para liberar mais dinheiro. Somando isso a pouca disposição do governo federal em facilitar (pois quer assumir o poder por aqui), de fato os petistas mandaram pouco dinheiro para o Paraná.

Ou seja, os argumentos de Beto Richa resgatam parte dos fatos. Isso garante às meias verdades aparência de verdade. Com a simpatia que lhe é peculiar, empatia junto ao público, postura segura, linguagem popular e um bom marketing político, muita gente reproduz o discurso do governo paranaense. Já escutei de gente simples frases do tipo:

– Tadinho do Beto. Ele é tão legal! A Gleisi é que atrapalha tudo. Não ajuda o Paraná.

A Gleisi de fato não ajudou. Porém, isso faz parte do jogo político (não estou dizendo que deveria ser assim). Se tivéssemos um governador petista e um presidente tucano, não seria muito diferente. O que o governo Beto silencia é sua pouca eficácia na gestão do Estado. Maringá, por exemplo, durante a administração Silvio Barros, era oposição aos petistas. Ainda assim, proporcionalmente, foi o município brasileiro que mais recebeu recursos da União. E Silvio assumiu a prefeitura com restos a pagar da administração anterior, falta de certidões que inviabilizavam empréstimos etc. Porém, mudou isso ao longo dos anos. Um governo competente,  poderia ter feito o mesmo no Paraná.

Na prática, Beto Richa sustenta sua popularidade por meio do discurso. O que ele diz parece ser a verdade. Assim, mantém a aprovação do eleitorado e entra no último ano de gestão ainda como favorito à reeleição.

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Um comentário em “Beto Richa e o efeito de verdade

  1. Se depender do meu voto, ele não ganhará nunca. Péssimo administrador, mentiroso, etc… Queria saber onde está o aumento de 55% que diz ter dado aos professores. A educação com o Beto de boa foi para péssima, tínhamos um exemplo de educação para outros estados, agora ficamos para traz. Ele é uma decepção, e envergonha seu falecido pai, esse sim, foi um bom governador.

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