Lágrimas na solidão

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Nos caminhos da vida, não faltam espinhos. Por escolhermos a forma mais difícil de viver ou simplesmente porque não temos controle de tudo, nos machucamos – ferimos e somos feridos. A dor dilacera o coração e tudo que se quer é não sentir-se a pior das pessoas, o pior dos seres humanos. Sozinho, a gente afunda ainda mais… E este processo parece ainda mais doloroso. A dor se intensifica pela ausência, pela falta de alguém pra ouvir, pra dar atenção. É dor que se chora sozinho pela falta de um amigo disposto a escutar, apenas escutar. Chorar junto, se preciso. Abraçar, se necessário.

Há momentos em que a angústia toma conta. É preciso verbalizar. “Botar pra fora”. Mas com quem contar? Quem pode ouvir? Quem tem disposição para ouvir e não julgar?

A gente até acha um monte de “amigos” dispostos a dar palpites, preparados para dizer pra gente sair dessa, que tudo passa, que é só um momento… Entretanto, onde estão os amigos que acolhem? Que estendem a mão? Que abraçam? Que amam simplesmente por amar, sem esperar nada em troca?

Hoje cada um cuida da sua vida. E, no olhar para o outro, frequentemente se tem a “receita” para que seja feliz. Por isso, é tão difícil encontrar alguém que ouça. Que escute, acolha, não julgue e muito menos transforme em “notícia” tudo o que ouviu.

Estamos ilhados em meio a um mar de pessoas. Muitos de nós estamos sozinhos. As lágrimas correm sem ninguém para enxugá-las. Poucos podem se orgulhar de ter um amigo de verdade. Alguém capaz de ouvir, simplesmente ouvir, abraçar, apoiar. A dor que se sofre é a dor do problema, é a dor da angústia, da incerteza, da aparente falta de uma saída. Mas também é a dor do abandono, da solidão.