Na segunda, uma música

Fernanda Takai tem leveza, suavidade ao cantar. Embora raramente seja citada como uma das intérpretes importantes da música brasileira, é singular o trabalho que realiza. Ela não parece cantar, parece falar. Chega dar a impressão que conversa com a gente.

Vocalista da banda Pato Fu, a cantora nascida no Amapá, mas radicada em Belo Horizonte, desde 2007 desenvolve projetos solos. Neste ano, gravou seu quarto álbum. E uma das canções traz parceria com Samuel Rosa, do Skank.

Pra curar essa dor” fala de amor. Mas traz alguém disposto a participar da dor do outro.

É só me dizer
O que devo fazer
Pra curar essa dor
Deixo tudo pra trás
Se você me chamar
Sabe que vou estar
Perto de você

Mas quem está do outro lado é vítima, sofre porque se decepcionou, por não receber o amor que merecia.

O que ele fez pra você?
Eu sei que não é fácil esquecer
Se ele foi tão ruim
Não vá pensar o mesmo de mim
Sofrer assim sem merecer
Ele foi capaz
Sem compaixão de te prender
Sem te amar jamais

Bibliotecas e livros: condenados?

livros

Amo as bibliotecas. Não necessariamente as que temos… Cheias de mofo. Essas daí precisam ser modernizadas. Mas ninguém parece muito interessado em fazer isso. Apenas universidades e grandes centros de ensino recebem investimentos nesses espaços de conhecimento. As bibliotecas da cidade geralmente mal são contempladas por recursos para compra de livros.

As instituições de ensino gastam com infra-estrutura e obras porque as bibliotecas fazem parte dos critérios de avaliação feita Ministério da Educação. Além disso, não se faz educação sem livros. Mas o povo mesmo não é contemplado por bibliotecas modernas, equipadas e com bom acervo. E isso não acontece basicamente por um motivo: as pessoas não se interessam por elas. Em 2012, a pesquisa Retratos da Leituras no Brasil revelou que mais de 70% da população sabe onde estão localizadas, mas não frequenta as bibliotecas. Como os programas eleitorais apresentados pelos nossos governantes levam em conta as principais reclamações da população, as bibliotecas raramente são ou serão contempladas.

Entretanto, mais que a questão de infra-estrutura e acervo, atualmente outra questão envolve as bibliotecas: o futuro dos livros. Vão deixar de existir? E ao se questionar o futuro do livro, há governantes que preferem deixar as bibliotecas abandonadas.

Cá com meus botões, não acredito que os livros deixarão de existir. Talvez o códice possa estar em risco. Principalmente porque as tecnologias para acesso ao texto na tela começam a tornar a leitura mais agradável. No entanto, sempre existirão livros (talvez não um povo brasileiro que se torne leitor pleno). Da mesma forma que a música gravada ganhou suportes diferentes (hoje não passa de um arquivo digital), mas não deixou de existir, os livros continuarão existindo.

E até mesmo o livro, no formato que conhecemos, ainda vai resistir durante muitos anos. Isto porque os ebooks não contemplam prazeres que parecem essenciais para os leitores: emprestar o livro, por exemplo. Além disso, a fim de evitar a pirataria, há uma série de outras restrições. E o que dizer dos custos para atualização? E se o equipamento é danificado? A gente também pode perder um livro (de papel). Mas a perda de um aparelho pode significar a perda de uma “biblioteca” (nos formatos digitais).

Mas… voltando à biblioteca. Trata-se de um equívoco pensar que esse é um espaço condenado, atropelado pelas tecnologias. Biblioteca não é um depósito de livros. Nunca foi. Biblioteca é um local de promoção do saber. O livro não é a finalidade da biblioteca, mas sim o conhecimento. E este é o fundamento da construção de uma vida melhor, como disse Thomas Jefferson:

Encaro a difusão da luz e da educação como o recurso mais confiável para melhorar as condições que promovem a virtude e aumentam a felicidade do homem.

As palavras do ex-presidente dos Estados Unidos estão gravadas em letras douradas na parede da Trustees’ Room da Biblioteca Pública de Nova York. Elas servem até hoje de inspiração. E apontam para o futuro: a gente se desenvolve, cresce à medida que tem acesso ao conhecimento. Por isso, livros e bibliotecas não vão morrer. Se deixarem de existir, morreremos juntos.

Artistas descartáveis

fama

Um dos temas mais recorrentes em aula, quando discuto com meus alunos sobre a música contemporânea, é a efemeridade do sucesso. Os anônimos de hoje podem ser celebridades amanhã. As celebridades de hoje podem ser artistas tidos como fracassados amanhã.

Na verdade, não considero um fracasso aqueles que deixam de estar em evidência na mídia; penso que são apenas vítimas de uma lógica cruel. Artistas são produtos. E semelhante à moda que vive momentos – as chamadas tendências da moda -, os produtos da indústria cultural são descartáveis. Permanecem apenas alguns nomes que resistem aos modismos.

Pensava nisto nesta manhã quando vi uma nota no F5, da Folha.

Após cobrar R$ 120 mil no auge, Naldo agora faz shows por R$ 15 mil

Eu nunca ouvi nada desse funkeiro. O máximo que conheço da voz dele foi por “trombar” com um comercial de uma operadora de celular. Também vi alguns títulos de notas publicadas em sites sobre a carreira dele, e em especial a respeito do casamento com outra celebridade do momento, a Mulher Moranguinho.

Não sei se Naldo é bom ou ruim. Nem estou interessado em saber. Entretanto, quando vira notícia por reduzir o cachê, a mídia inicia o processo de desconstrução da imagem. Repete uma fórmula conhecida: o sucesso ou o fracasso das celebridades vende notícias. Quando parar de vender, o artista sai de vez do cenário midiático – terá cumprido seu ciclo (do anonimato à fama, da fama ao limbo).

É fácil perceber o quanto são descartáveis. Se voltássemos no tempo, e não precisa ir tão longe… cinco anos atrás, notaríamos que muitos daqueles que estavam em destaque, já foram esquecidos. E os sobreviventes geralmente são aqueles que já tinham história e alguns poucos que têm talento de fato ou criaram uma identificação maior com o público, adaptando-se, principalmente, às novas tendências.

Como produtos, os artistas são usados pela indústria. Interessam enquanto geram lucro. Depois, muitos deles praticamente pagam a fim de encontrar uma casa de shows que abra espaço para se apresentarem – ou, no caso de atores, se submetem a fazer qualquer programa de humor, filme de quinta categoria etc para manter viva a carreira. Simplesmente perderam o encanto. E a insistência de alguns deles em sobreviver até parece incomodar. É a cultura do descarte que se repete dia após dia, com a concordância de todos nós, consumidores de “arte”.

Competência incomoda

trabalho

É assustador, mas é verdade. Gente incompetente vira motivo de piada. Gente competente vira alvo de ódio, rejeição e maldade. Se o incompetente não serve pra nada, o competente também não. Não por não dar conta de suas tarefas. Pelo contrário, é justamente por fazer bem feito, ter iniciativa, ser disponível que se deseja ele bem longe.

Notei isso ainda esta semana num comentário de uma pessoa próxima. Um colega que faz a diferença em seu ambiente de trabalho anda incomodando. E já tem gente “de bico”.

Tempos atrás, quase embarquei numa situação parecida. Lembro que alguém veio me “vender” a ideia de integrar uma outra pessoa num determinado grupo de trabalho. Eu conhecia a fama da figura. Era intrometida, ousada, questionadora, cheia de ideias próprias… Esse conjunto de características fazia soar que a pessoa era prepotente, arrogante. Enfim, insuportável. Ainda assim, acabei cedendo. Depois de dez dias de contato, estava encantado. Eu estava diante de alguém cheio de vitalidade, motivação, vontade de aprender. Errava muito sim. Fazia muitas bobagens (como todo mundo que arrisca). Mas tinha o perfil que eu precisava na equipe.

Nas relações humanas, o outro é nosso espelho. O competente aponta nossa mediocridade. Por isso é taxado como prepotente, arrogante, chato, penetra… E uma série de outros adjetivos nada simpáticos. O competente incomoda porque ocupa espaços que entendíamos ser nossos por direito. O competente nos rebaixa, nos coloca diante de nossas limitações. E ninguém quer isso. Confrontar medos, inseguranças… dói. Machuca reconhecer que alguém faz melhor que a gente. Por isso, é normal se juntar aos “iguais” para criticar quem brilha, tentando minimizar suas habilidades, considerando-o apenas como “amiguinho do chefe”, “queridinho da patroa”… Ou, simplesmente, puxa-saco.

Seria mais produtivo, ao nos sentirmos incomodados, avaliarmos nossas próprias habilidades e, principalmente, nossas emoções. Talvez o competente pudesse ser exemplo de prática cotidiana. Ao invés de nos incomodarmos, aprenderíamos. Cresceríamos como profissionais… e como seres humanos.

Cidades sustentáveis

As ruas do centro de Estrasburgo (França) funcionam como um calçadão; não há espaço para carros
As ruas centrais de Estrasburgo funcionam como calçadões. Não há lugar para os carros

Imagine o seguinte quadro… Você sai de casa de bicicleta. Percorre algumas quadras. Não precisa disputar espaço com carros, caminhões ou motocicletas. Chega num bicicletário, guarda a magrela. Logo ali tem um ponto de ônibus. O ônibus tem ar condicionado, é confortável e, o melhor de tudo, é rápido. Deixa você a três quadras do trabalho em dez minutos. Você desce, caminha por uma calçada ampla. Não há carros por ali. Apenas pedestres. Embora more a cerca de dez quilômetros do emprego, você usou três sistemas de transporte, mas não demorou mais que 30 minutos.

O quadro acima não é utopia. Já é uma realidade em várias cidades do mundo. Por exemplo, nesta semana (dia 28/3), em Bruxelas, três cidades europeias – Vitoria e Rivas-Vaciamadrid (Espanha), e Estrasburgo (França) – disputam o prêmio de melhor plano de intermobilidade. Elas possuem modelos que integram diferentes sistemas de transporte. E o foco é um só: sustentabilidade. (Veja o vídeo abaixo).

A palavra que está na moda, inclusive aqui no Brasil, por lá representa uma prática. As pessoas são desestimuladas a usar o carro. Não vale a pena. Os governos apertam o cerco contra quem quer circular de carro, mas oferecem contrapartida (não apenas eliminam estacionamentos e saem alardeando a necessidade de se usar ônibus sem oferecer nenhuma melhora no sistema).

Em Rivas (Espanha), a prefeitura acertou com o consórcio regional de transportes uma mudança significativa no sistema. Hoje, existem menos pontos de ônibus. As pessoas precisam andar mais, é verdade. Entretanto, com menos paradas, o transporte ganhou agilidade. Para garantir que os usuários não tivessem que andar tanto a pé, foi criado um sistema público de aluguel de bicicletas. Há vários pontos para locação. E a cidade apostou numa rede de vias para pedestres. O veículo é desestimulado. A lógica que norteia as ações do município é uma só: gastar com ruas e avenidas para circulação de carros é insustentável; beneficia poucos e custa caro. Ou seja, não vale a pena.

Em Vitória (Espanha), a administração municipal tem uma meta: garantir que o espaço público seja ocupado pelos pedestres, não por carros. O plano é ousado. Muito. Permitir que as vias públicas sejam ocupadas, no máximo, em 20% por carros (até 2050, esse índice é de 10%). Para isso, os estacionamentos ficaram muito mais caros. A velocidade máxima permitida é de 30km/h. Como contrapartida, o poder público já construiu 120 quilômetros de ciclovias (a proposta é chegar aos 150). O sistema de transporte coletivo também foi otimizado. Há menos linhas, mas ganhou em agilidade. Em cerca de 10 minutos é possível atravessar a cidade. Curiosamente, até a bicicleta sofre restrições. Certos pontos permitem apenas a circulação de pedestres.

No transporte coletivo de Estrasburgo, há lugar para bicicletas. É a integração plena

Sobre Estrasburgo, outra finalista do prêmio de mobilidade, nem é preciso falar. Há anos é uma referência mundial. Os espaços são muito bem definidos para pedestres (ruas e avenidas que servem apenas como passeio público), bicicletas, carros e tram (um veículo leve que funciona sobre trilhos – uma espécie de substituto do bonde). Para se ter uma ideia, o incentivo aos modelos alternativos é tanto que são quatro vagas de estacionamento para bicicleta para cada vaga de estacionamento para carro.

Num dos meus textos anteriores, ao falar sobre nossa mentalidade provinciana, ressaltei que antes do desenvolvimento econômico, a mudança começa pelo nosso jeito de ser e pensar. Nós, brasileiros, queremos carro, andar de carro. O carro é quase uma extensão nossa. Brigamos por mais investimentos nas vias públicas a fim de contemplar a fluidez e vagas de estacionamento para carros. Em Maringá, por exemplo, os comerciantes criaram uma celeuma em função de uma pobre ciclovia que seria construída no canteiro da principal avenida da cidade. A prefeitura fez um projeto porco, questionável… tudo às pressas (neste momento, tudo empacado).

Nas cidades-modelo em sistemas sustentáveis de transportes, planejamento é palavra de ordem (mas não demora décadas para sair). Nada é feito por acaso. E na medida que se restringe o carro, outros serviços são implantados, melhorados. Claro, quem promove mudanças, enfrenta resistências iniciais. Existem hábitos, costumes arraigados. Por isso, há necessidade de um amplo programa educativo. É preciso mudar a cultura. Pode parecer utópico, mas quando os objetivos são claros (e nobres), as ações transparentes, é possível construir uma nova realidade.

Na segunda, uma música

Talento ele tinha. Uma voz poderosa. Um grave delicioso de ouvir. Também reunia histórias engraçadas. E outras tantas, polêmicas. Estou falando de Tim Maia. Ele já apareceu no blog outras vezes. Mas é sempre bom recordar.

A música de hoje é um dos clássicos do cantor, “Azul da cor do mar“. A canção é belíssima. E um dos trechos que mais me chama atenção é este daqui:

Quem sofre
Sempre tem que procurar
Pelo menos vir achar
Razão para viver

Tem muita gente que se sente perdido, desorientado… Não consegue encontrar um motivo para existir. Entretanto, não dá para viver sem sonhar, sem desejar, sem amar. Por isso, a gente precisa…

Ver na vida algum motivo
Pra sonhar
Ter um sonho todo azul
Azul da cor do mar

E então.. vamos ver, ouvir e matar saudade do Tim?

Conheça seu professor

teacherTudo bem… Sou professor e o texto pode parecer suspeito demais. Entretanto, toda vez que penso na relação do aluno com o professor, lembro de uma afirmação do Max Gehringer quando o entrevistei no estúdio da CBN Maringá. Na ocasião ele deu uma dica importante aos jovens universitários. Em outras palavras, sugeriu que procurassem ser os melhores alunos possíveis para com os professores. Respeitosos, cooperativos, atentos, dedicados. E tudo isso por um motivo: o professor pode abrir portas de trabalho para você.

Ainda neste contexto, ao ler um texto publicado no jornal El Pais, encontrei algumas orientações que reforçam a tese. O colunista Carlos Arroyo ressalta que o aluno só tem a perder se tiver uma atitude hostil ou de indiferença frente ao professor. Embora sempre tenha defendido essa tese na relação com meus filhos, nunca ousei discutir o assunto. Entretanto, concluí que é algo para se pensar.

A primeira coisa que deve saber é que, embora a educação tenha vários protagonistas, o acadêmico é o principal deles. É quem de fato gerencia o desempenho e pode fazer a diferença.

Ao longo do curso, mais que teorias, os professores dão dezenas de pistas e orientações que podem auxiliar o aluno a obter bons resultados na profissão. Quem tem a mente desperta, é capaz de notar dicas preciosas, mesmo na boca de um sujeito marrento, chato ou grosseirão.

É natural que não se goste desse ou daquele professor. Porém, quando se rejeita um deles, o interesse pelo conteúdo sofre um bloqueio. E só quem perde é o aluno. No ensino superior, mais fácil que o professor adaptar-se ao aluno é o aluno se adaptar ao professor. Mais fácil que mudar o professor é mudar você.

Arroyo ressalta que não é difícil identificar a personalidade, não é impossível conhecê-lo. Seu professor é exigente demais? Falante? Amigo? É inflexível? Criativo? Seguro ou inseguro? Inacessível? O professor é um ser humano como outro qualquer. Tem personalidade. E isso afeta a forma dele trabalhar, as relações em sala de aula. Ainda que o papel do educador seja ensinar e até mesmo motivar, o aprendizado se dá entre aqueles que estão com a mente aberta.

Somente quem está atento, consegue aproveitar o conteúdo. Compreender quem é de fato o outro, suas singularidades, ajuda na adaptação, permite romper bloqueios que surgem naturalmente quando a gente não gosta de determinadas características de alguém. Isso nos torna mais tolerantes e receptivos. E no caso do aluno, ajuda a obter melhores resultados.

Transporte que dá medo

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Eu vivo dividido entre a defesa do transporte público e a crítica aos serviços prestados no Brasil. Ainda no post anterior falei um pouco sobre a mentalidade provinciana da nossa gente e a necessidade de se romper com a cultura dos carros. Entretanto, que argumentos favoráveis usar quando lemos nos jornais os casos de violência contra mulher em ônibus ou no metrô?

O transporte público em nosso país é ruim em todos os sentidos. É caro, demorado, antiquado, desconfortável e, pior, perigoso. Quem mulher pode se sentir segura ao entrar no metrô em São Paulo? Na última segunda-feira, 17, vimos a notícia a respeito de um universitário que foi preso por estupro. Ele foi acusado de molestar uma mulher de 30 anos dentro do trem.

No Facebook, páginas como “Encoxadores”, com mais de 12 mil seguidores, atraem muita gente. E ali são encontrados simpatizantes de ataques a mulheres no transporte coletivo. Isso é assustador!

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Defender um sistema de transporte que rompa com a lógica dos veículos particulares é fundamental para mudar o trânsito das grandes e médias cidades. Porém, não dá para implantar medidas restritivas aos carros enquanto o usuário do transporte público não tiver um serviço de qualidade. E seguro (Talvez meu discurso possa parecer conservador – ou até machista -, mas, tendo um pouquinho de condição econômica, eu não permitiria que minha filha usasse o ônibus ou o trem. Não dá para ficar em paz).

Por isso, semelhante ao que eu sempre digo a respeito da educação, só vou aceitar discurso de político incentivando o uso do transporte coletivo, quando nossos representantes fizerem a lição de casa. Promoverem o enfrentamento real dos problemas experimentados pelos cidadãos comuns (quem sabe usando rotineiramente ônibus ou trem para ir de casa ao trabalho, do trabalho para casa. Quem sabe até no lazer). Talvez nesse momento eles conheçam a realidade enfrentada pelos cidadãos e saibam por que todo mundo quer andar de carro próprio.