Mentalidade provinciana

paris

Certas medidas tomadas por países desenvolvidos colocam em evidência a nossa mentalidade provinciana. Por exemplo, na França, o governo adotou medidas restritivas para tirar os carros das ruas. E lá nem é por causa de congestionamento, da ausência de fluxo do trânsito. O foco é outro: reduzir a poluição. No Brasil, quando um gestor público tenta desestimular o uso do carro, arruma confusão. Primeiro, porque não abrimos mão de alguns confortos; segundo, porque o governante geralmente não oferece contrapartida inteligente.

Em Paris, desde essa segunda-feira, 17, está funcionando um rodízio de veículos tendo como referência o final das placas. Circulam veículos com placas “pares” num dia; “impares”, noutro. Mais que simplesmente apertar a fiscalização, o governo francês estabeleceu algumas regras bem interessantes. Olha só: gratuidade temporária dos transportes públicos, carros elétricos e híbridos isentos da proibição, quem leva três passageiros também está liberado da restrição e ainda tem estacionamento gratuito. Ah… e no último fim de semana, até o aluguel de bicicletas foi liberado sem custos.

No Brasil, a mentalidade provinciana é tanta que se briga por vaga de estacionamento quando todo mundo sabe que não há mais onde colocar carros e o trânsito está travado, não há fluidez. Em Maringá, por exemplo, os empresários barraram a construção de uma ciclovia na revitalização da principal avenida da cidade, porque a prefeitura eliminou as vagas de estacionamento que existiam no canteiro central.

É verdade que por aqui muitos gestores são ridículos. Decidem sem planejamento e, depois, questionados, apresentam argumentos vazios. Ou recuam. Resultado? Não há avanços. Pouca coisa muda. Esses administradores, preocupados com a popularidade, não são ousados. Jogam o jogo de olho na reação popular. E são incapazes de radicalizar para mudar hábitos. Sem contar que pouco fazem para melhorar o transporte público (usam o argumento do incentivo, mas, pessoalmente, não abrem mão do carro próprio ou veículo oficial).

Também é verdade que, no Brasil, carros elétricos ou híbridos estão longe de ser uma realidade. No entanto, é possível estimular que as pessoas usem o veículo de maneira coletiva, não individualista. Ter dois ou três passageiros mudaria significativamente a realidade das ruas, já que a maioria raramente divide o carro com mais alguém (basta olhar nas ruas… quase todo mundo está sozinho ao volante). Mas se uma medida semelhante a essa de Paris fosse implantada nas grandes e médias cidades brasileiras, como reagiríamos? Aposto que daria polêmica.

Por situações como essa, costumo dizer que o desenvolvimento de um país não começa na economia; ocorre primeiro na mentalidade das pessoas. Da qualidade do transporte público ao individualismo do carro próprio, temos um exemplo prático do quanto ainda somos subdesenvolvidos.

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3 comentários em “Mentalidade provinciana

  1. Parabéns Ronaldo Nezo gostei do sua publicação e concordo plenamente com esse pensamento, o titulo do seu texto é o que eu sempre uso, acrescento só a palavra “INGÁS”, quando vejo tais aberrações em nossa cidade e principalmente do nosso sistema de transporte de passageiro (vide monopólio indiscriminado) e quando veja o contraditório discurso com da sustentabilidade (vide DR. BARROS II). Seu pensamento diante desse fato só confirma o que sempre digo que nós somos de uma “PROVÍNCIA DOS INGÁS governada por DÉBILMENTALÓIDES”, que ainda estão na época dos desmatamento só pensam em desmatar nossa pouca cultura devastando o pouco que ainda resta da cidade verde, e que não cresceu intelectualmente e caminha na contra mão da modernidade indo de volta ao colonialismo (de cabresto) da politica social ingazeira. Respeito ao cidadão! hunn!! só aos que rendem votos e dizem amem!!

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