Transporte que dá medo

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Eu vivo dividido entre a defesa do transporte público e a crítica aos serviços prestados no Brasil. Ainda no post anterior falei um pouco sobre a mentalidade provinciana da nossa gente e a necessidade de se romper com a cultura dos carros. Entretanto, que argumentos favoráveis usar quando lemos nos jornais os casos de violência contra mulher em ônibus ou no metrô?

O transporte público em nosso país é ruim em todos os sentidos. É caro, demorado, antiquado, desconfortável e, pior, perigoso. Quem mulher pode se sentir segura ao entrar no metrô em São Paulo? Na última segunda-feira, 17, vimos a notícia a respeito de um universitário que foi preso por estupro. Ele foi acusado de molestar uma mulher de 30 anos dentro do trem.

No Facebook, páginas como “Encoxadores”, com mais de 12 mil seguidores, atraem muita gente. E ali são encontrados simpatizantes de ataques a mulheres no transporte coletivo. Isso é assustador!

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Defender um sistema de transporte que rompa com a lógica dos veículos particulares é fundamental para mudar o trânsito das grandes e médias cidades. Porém, não dá para implantar medidas restritivas aos carros enquanto o usuário do transporte público não tiver um serviço de qualidade. E seguro (Talvez meu discurso possa parecer conservador – ou até machista -, mas, tendo um pouquinho de condição econômica, eu não permitiria que minha filha usasse o ônibus ou o trem. Não dá para ficar em paz).

Por isso, semelhante ao que eu sempre digo a respeito da educação, só vou aceitar discurso de político incentivando o uso do transporte coletivo, quando nossos representantes fizerem a lição de casa. Promoverem o enfrentamento real dos problemas experimentados pelos cidadãos comuns (quem sabe usando rotineiramente ônibus ou trem para ir de casa ao trabalho, do trabalho para casa. Quem sabe até no lazer). Talvez nesse momento eles conheçam a realidade enfrentada pelos cidadãos e saibam por que todo mundo quer andar de carro próprio.

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