Bibliotecas e livros: condenados?

livros

Amo as bibliotecas. Não necessariamente as que temos… Cheias de mofo. Essas daí precisam ser modernizadas. Mas ninguém parece muito interessado em fazer isso. Apenas universidades e grandes centros de ensino recebem investimentos nesses espaços de conhecimento. As bibliotecas da cidade geralmente mal são contempladas por recursos para compra de livros.

As instituições de ensino gastam com infra-estrutura e obras porque as bibliotecas fazem parte dos critérios de avaliação feita Ministério da Educação. Além disso, não se faz educação sem livros. Mas o povo mesmo não é contemplado por bibliotecas modernas, equipadas e com bom acervo. E isso não acontece basicamente por um motivo: as pessoas não se interessam por elas. Em 2012, a pesquisa Retratos da Leituras no Brasil revelou que mais de 70% da população sabe onde estão localizadas, mas não frequenta as bibliotecas. Como os programas eleitorais apresentados pelos nossos governantes levam em conta as principais reclamações da população, as bibliotecas raramente são ou serão contempladas.

Entretanto, mais que a questão de infra-estrutura e acervo, atualmente outra questão envolve as bibliotecas: o futuro dos livros. Vão deixar de existir? E ao se questionar o futuro do livro, há governantes que preferem deixar as bibliotecas abandonadas.

Cá com meus botões, não acredito que os livros deixarão de existir. Talvez o códice possa estar em risco. Principalmente porque as tecnologias para acesso ao texto na tela começam a tornar a leitura mais agradável. No entanto, sempre existirão livros (talvez não um povo brasileiro que se torne leitor pleno). Da mesma forma que a música gravada ganhou suportes diferentes (hoje não passa de um arquivo digital), mas não deixou de existir, os livros continuarão existindo.

E até mesmo o livro, no formato que conhecemos, ainda vai resistir durante muitos anos. Isto porque os ebooks não contemplam prazeres que parecem essenciais para os leitores: emprestar o livro, por exemplo. Além disso, a fim de evitar a pirataria, há uma série de outras restrições. E o que dizer dos custos para atualização? E se o equipamento é danificado? A gente também pode perder um livro (de papel). Mas a perda de um aparelho pode significar a perda de uma “biblioteca” (nos formatos digitais).

Mas… voltando à biblioteca. Trata-se de um equívoco pensar que esse é um espaço condenado, atropelado pelas tecnologias. Biblioteca não é um depósito de livros. Nunca foi. Biblioteca é um local de promoção do saber. O livro não é a finalidade da biblioteca, mas sim o conhecimento. E este é o fundamento da construção de uma vida melhor, como disse Thomas Jefferson:

Encaro a difusão da luz e da educação como o recurso mais confiável para melhorar as condições que promovem a virtude e aumentam a felicidade do homem.

As palavras do ex-presidente dos Estados Unidos estão gravadas em letras douradas na parede da Trustees’ Room da Biblioteca Pública de Nova York. Elas servem até hoje de inspiração. E apontam para o futuro: a gente se desenvolve, cresce à medida que tem acesso ao conhecimento. Por isso, livros e bibliotecas não vão morrer. Se deixarem de existir, morreremos juntos.

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