O pessimismo faz mal

pessimismo

Em novembro de 2008, em plena crise econômica mundial, escrevi:

Em tempos de crise financeira, é preciso evitar os excessos de pessimismo

Na época, o ex-presidente Lula havia encarado os pessimistas de plantão, boa parte da grande imprensa e os analistas de economia pra dizer que a crise passaria por aqui como uma “marolinha”.

Seis anos depois, num ano eleitoral, o cenário na Europa e nos Estados Unidos não é dos mais confortáveis. Porém, não dá para dizer que o quadro é preocupante como naquela ocasião. Ainda assim, não faltam notícias negativas sobre a economia brasileira. Nessa quinta-feira, 3, por exemplo, a Gazeta do Povo trouxe como manchete:

Pessimismo com o futuro atrasa retomada da economia

Pois é… Pessimismo faz mal. Faz mal pra vida da gente. Faz mal pra economia. E curiosamente, muitas vezes o pessimismo tem motivações abstratas. Não há dados concretos, porém o mau humor está ali, instalado. A gente acha que pode dar errado e passa a agir a partir de uma expectativa nossa.

No caso da economia, a expectativa ruim não nasce necessariamente em nós. Analistas de economia, políticos de oposição, gente ligado ao mercado financeiro observa os movimentos econômicos e espalha o pessimismo. Com a anuência da imprensa, que nem sempre discute o tema de maneira responsável, o pessimismo reverbera. E é incorporado pela população.

Quem pretendia comprar, fica mais cauteloso; quem tinha intenção de investir numa reforma, construção da casa nova etc, prefere esperar… Industriais optam por não ampliar a produção; comerciantes compram menos, contratam menos… Enfim, o pessimismo segura o crescimento da economia.

O mais interessante nesse processo é que o pessimismo muitas vezes (como é o caso atual) não tem origem concreta. Por exemplo, atualmente o desempenho do emprego e da renda é positivo, setores como os de serviço, comércio e indústria seguem avançando. Entretanto, os dados positivos não são suficientes para romper com o pessimismo. E por que ele acontece? Porque a equipe do governo Dilma não inspira confiança, não consegue mostrar que é capaz de dar novos rumos à economia e, por outro lado, o discurso de que “está tudo errado” se repete. E a repetição transforma meias verdades em verdades absolutas. Pior, pouca gente questiona isso.

Por isso, na economia – ou fora dela -, o pessimismo representa um peso, um atraso. Quando a gente adota um olhar pessimista, perde a chance de ver as possibilidades. Fica ranzinza, rancoroso, mal humorado. E não cresce. Na economia, o país não cresce; na vida, abre mão de se tornar um ser humano melhor, de ter prazer de viver.

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